O Pôr do Sol Que Não Me Canso de Ver
Eu nunca deveria ter quebrado o silêncio. Eu tentei apenas seguir, como quem passa por um campo de cravos, Fingindo que você era apenas mais uma flor que não me pertencia, Lutando para que nossos mundos não voltassem a se cruzar. Mas o tempo de espera não apagou a marca que você deixou. Às 07:04, o mundo lá fora continua rodando, Mas no meu relógio, esse minuto é só seu, A lembrança exata do dia em que o seu jardim começou a existir. Basta a possibilidade de te ver, e o meu peito entende: Você se tornou única para mim, única no mundo inteiro. E aquele antigo fogo reacende, derretendo qualquer defesa. Te olhei ontem e vi de novo essa essência: Para mim, você é como a rosa que está nascendo, Misteriosa em cada pétala, guardando segredos que só o tempo revela. E me pego pensando na primeira vez que o Pequeno Príncipe disse "eu te amo" para a rosa dele — Um dizer repentino, sem aviso, que o pegou completamente de surpresa. Foi assim comigo: meu sentimento por você não pediu licença, só aconteceu. Ainda assim, a razão fala mais alto e me freio. Sei que não é o momento, e que o amor exige cuidado, não pressa. Um passo em falso agora não faria bem — Nem para o seu jardim, que precisa de cura, nem para o meu. Você me disse uma vez que te cativei, Mas aprendi com a nossa história que esse laço funciona pros dois lados. Agora, sou eu quem carrega esse peso bonito no peito: Sou eternamente responsável por aquilo que cativei e por quem me cativou. E isso requer paciência. Fica só essa dúvida que o vento sussurra: Se eu tiver a sabedoria de esperar a tempestade passar, Você finalmente vai conseguir enxergar essa chama que guardo? Ou será que, na quietude do seu próprio coração, Essa mesma faísca já está queimando em segredo?
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