Fecho meus olhos desesperadamente
Numa tentativa de esquecer seu rosto
Esfrego com força meu corpo
Para tentar apagar o seu toque
Na minha mente
Um eterno replay das nossas conversas
Que ecoam até o mais profundo de mim
Me escondo
Mas vocĂȘ sempre me acha
Corro de vocĂȘ
E vocĂȘ sempre me alcança
VocĂȘ acha graça?
Em toda essa perseguição
Tento sair desta caixa
Mas o ciclo nĂŁo tem fim
Fico presa nessa bolha
E nĂŁo sei como fugir
Rodo em cĂrculos
Enquanto tento achar uma solução
Uma porta?
Uma janela?
Qualquer buraco talvez?!?
Mas isso nĂŁo Ă© uma casa
Ă um inferno sufocante!
Tudo ficou de cabeça pra baixo
Meus sentidos ficaram fracos
AlucinaçÔes constantes foram o resultado
De longe Ă© oĂĄsis
De perto Ă© prisĂŁo
O amor foi um delĂrio
De um corpo sedento de paixĂŁo
Da ponte se fez muro
Da risada se fez choro
Do silĂȘncio se fez desconforto
Que forçou uma conversa
Da compaixĂŁo ao assassino
Nasceu uma nova vĂtima
A verdade foi ignorada
E se quis viver na mentira
No seu castelo de conto de fadas
Seu prĂncipe era o dragĂŁo
A magia do beijo encantado
Não poderia reverter o feitiço
De um prĂncipe que quis ser sapo
Da fera que machuca a todos
Da esperança se fez a espera
Espera que nunca entregou melhora
Se a esperança matou os sonhos
Como se mata o que jĂĄ estava morto?
Derrepente caiu o muro
Das fortalezas do meu coração
O deixando desprotegido, exposto e sensĂvel
A radiação do julgamento alheio
A maldade do mundo
Em carne viva tive que me rastejar
Para fora do campo de batalha
E agora preciso me regenerar por completo
Para me expor ao sol novamente
~JV
Continuar lendo
VocĂȘ veio cheio de elogios vazios
E me convenceu a entrar no seu barco.
A viagem foi longa e cheia de turbulĂȘncias
No caminho reparei em uma coisa
Seu rosto parecia machucado
EntĂŁo tentei te ajudar a se curar
Te dei todos os meus curativos
Mas depois de muito tempo
Eu vi que nada mudava
E cheguei mais perto para averiguar a situação
NĂŁo era um machucado
Era uma rachadura
NĂŁo era seu rosto
Era uma mĂĄscara
NĂŁo era vocĂȘ
Era um personagem
Olhei mais fundo
Vi um breu no lugar de sua alma
Eu queria correr mas estava cercada de ĂĄgua
Eu estava presa com vocĂȘ
No meio de um oceano em que vocĂȘ conhecia
As ondas,
Os ventos,
Os peixes
E principalmente, o barco
De uma hora pra outra
VocĂȘ era um desconhecido
Um possĂvel mostro nĂŁo descoberto
Me lavando pelos mares afora
Eu me sentia tĂŁo tensa
Que era quase fĂsico minha preocupação
Cheguei a ficar tĂŁo pesada
Que pensei que afundaria o barco
Mas vocĂȘ nem sentiu
Foi como um sequestro
Só que não começou, com agressão
Mas sim com admiração
NĂŁo começou com vocĂȘ tapando minha boca
Mas me convidando a falar ao invés disso
NĂŁo tapou meus olhos
Pelo contrĂĄrio
Desejava que eu visse para onde me levava
Me fez acreditar que era sĂł um inofensivo passeio
Até eu ver aquela ilha deserta se aproximando
VocĂȘ encalhou o barco na areia
E me puxou pra fora
A natureza era linda
Mas seu propĂłsito nĂŁo era
Meu coração disparou
Me senti enjoada
Fui perdendo a noção do tempo
E achei que nunca mais veria um traço de humanidade
Se nĂŁo o seu
Agressivo, arrogante e intimidador modo primitivo
Mas depois de me tratar como sua escrava
Sua consciĂȘncia pesou
Com a falsa "moral" que fingia que possuĂa
EntĂŁo me deixou livre
Virou as costas e foi embora
Me deixando sozinha,
Com frio,
Com fome
Amedrontada de outro animal selvagem como vocĂȘ
Me atacar
Mas ainda sim
Eu era livre
E fui atrås de uma civilização
Andei
Andei
Andei, andei
Corri
Encontrei!
Mas nĂŁo pedi socorro
SĂł disse que me perdi
Que me perdi sozinha nesse imenso mar
Continuar lendo
Apenas ser eu mesma me basta
NĂŁo preciso ser produtiva
Nem preciso ser inteligente
Apenas gosto de viver a vida
Do jeito de gente
Gente que sente
Gente que dĂłi
Gente que machuca
Gente que para
Gente que trava
Gente que ama
Gente que odeia
Gente que Ă© confusa
Jeito de gente Ă© ser humano
E ser humano Ă© sentir
E eu sinto
Sinto muito
Continuar lendo
Vidas nĂŁo vividas
Que coloco no papel
Vidas tĂŁo sonhadas
Que a mim nĂŁo foram
dignadas
Vida nĂŁo minha
Que é de alguém
Vida nĂŁo sua
Que nĂŁo Ă© minha
NĂŁo Ă© conto de fada
NĂŁo Ă© filme premiado
Apenas um breve sonho
Com lugares sorteados
Pessoas embaralhadas
Mas verdadeiras
Que tudo sentem
Sentem e falam
Se nada sentem
EntĂŁo se calam
Vejo rio fluindo
Céu azul algodão-doce
Algumas ĂĄrvores roxas
Bem ao lado dos pinheiros
Bixos coloridos
Que sĂŁo meus velhos conhecidos
Meus melhores amigos
Parece overdose
Mas me Ă© o mundo ideal
Onde ninguém é igual
E nem quer ser
A moça da padaria
Tem 11 dedos
E o açougueiro tem só 6
Uns tem sorriso amarelado
Outros dourado ouro
Seu ZĂ© tem um moicano neon
E o Gabriel usa corte social
A Angélica é careca
Vejo muitos narizes grandes
E muitas bocas pequenas
Tem lobisomem e rato pelado
Tem grilo gigante
E mamute de bolso
Tem:
Poeta racional
Que nĂŁo esquece de estudar
GĂȘnio maluco
Que mudou tudo
PolĂtico honesto
Pra dar esperança pro povo
FilĂłsofo emocional
Que nĂŁo esquece
Que também é ser humano
Advogado artista
Que cresceu
Mas nĂŁo larga o sonho
Escritor analfabeto
Que inventa o prĂłprio linguajar
Aqui ninguém tem medo
De ser quem Ă©
E todo mundo valoriza
Todas emoçÔes
E nĂŁo sĂł a felicidade
Continuar lendo
Teu toque jĂĄ me Ă© tĂŁo frio
Sua voz jĂĄ nĂŁo Ă© tĂŁo doce
Seu olhar nem brilha mais
VocĂȘ acharia estranho?
Se eu te dissesse
Que eu ainda penso em vocĂȘ
Que ainda escrevo sobre vocĂȘ
E ainda sim
NĂŁo tenho sentimentos por vocĂȘ
VocĂȘ Ă© uma bela memĂłria
Mas que tipo de pessoa vocĂȘ Ă©?
Eu nĂŁo sei
Nunca soube na realidade
~đđ
Continuar lendo
VocĂȘ foi minha paixĂŁo de infĂąncia
Bem arrumado
limpo e cheiroso
com uma famĂlia bem estruturada
Amigos para brincar
Seu geito calmo e gentil
Me encantava
E vocĂȘ me cativou
VocĂȘ era um sonho
VocĂȘ era o đđđ đđđđđ
VocĂȘ vivia a vida perfeita
A vida que đđ đđđđđđ
Mas eu nĂŁo sabia te invejar
Então começei a te amar
đđŹđŹđ đđšđą đš đŠđđź đđ«đ«đš
Enbaralhei todas cartas do jogo
E me perdi na confusĂŁo dos meus sentimentos
Entitulei de "paixĂŁo"
O que era obsessĂŁo
Eu nĂŁo queria vocĂȘ
Eu queria đđđ đđđ
đ
~đ±đœ
Continuar lendo
Nunca te conheci
Por isso afirmo
Que nunca me apaixonei
Que nunca gostei de vocĂȘ
Que nunca te amei
Que nunca te quis
Que nunca fomos amigos
Que nunca existiu nĂłs
Que nunca darĂamos certo
Que eu nunca deveria ter te conhecido
Que eu sĂł me iludi
Que eu sĂł me humilhei
Que eu perdi meu tempo atoa
đđąđ§đĄđ đŁđźđŻđđ§đđźđđ đąđ§đđđąđ«đ
Que vocĂȘ nunca se importou
Que vocĂȘ nunca me quis
Que vocĂȘ sequer me conheceu
Que vocĂȘ Ă© sĂł um cara sem graça
Assim como qualquer outro
E fui eu quem te fiz
O cara mais interessante do mundo
đđš đŠđđź đŠđźđ§đđš
~đ±đœ
Continuar lendo
Sozinha me criei
Sou bixo solto
Compartilho a mesma opiniĂŁo do louco
E fui bem educada
Sou onça braba
Tenho minhas prĂłprias teorias
Estudo muito
Nasci e cresci na mata
Interpreto o mundo do meu jeito
Sou esforçada
Com minha força subo a årvore
Observo tudo
Grito o que estĂĄ entalado no peito de muita gente
Devoro minha comida
Tento equilibrar o mundo em minhas costas
Fui feita pra ser forte
Ser selvagem
Carregar tudo em meus braços
Pareço måquina
Mas sou imprevisĂvel
Ago nĂŁo sĂł com o instinto
Mas também com a cabeça
Ninguém me para
Corro feito leopardo
Viro as pĂĄginas deste livro muito rĂĄpido
Ninguém me cala
Exclamo e faço escùndalo
Escrevo um parĂĄgrafo
Ou outro
~đ±đœ
Continuar lendo
NĂŁo Ă© o silĂȘncio que me incomoda
SĂŁo os pensamentos que ocoam sobre ele
Que me assustam
~đ±đœ
Quando quero gritar um nome
Ă o seu
Que me vem na ponta da lĂngua
Quando quero sussurrar
Sussurro seu nome
Num gemido de prazer
Seu nome Ă© que me escapa
Quando quis deixar outro enciumado
Imagino vocĂȘ ao meu lado
Quando um cara me trata mal
Gosto de te imaginar me defendendo
Penso em que palavras usaria
Para te ver sem chĂŁo
Sobre meus pés
NĂŁo me imagino em tantas aventuras
Com mais ninguém
Além de ti
Ah a arte da imaginação!
Foi mal
hoje a nostalgia me bateu forte
Vejo o exemplo de um amigo meu
NĂŁo supera uma garota que amou
E toda vez que olho pra ele
Lembro de sua situação
Lembro da minha
Lembro da gente
Lembro que nunca teve a gente
SĂł teve eu e vocĂȘ
~đ±đœ
Continuar lendo