AFLIGIMENTO
Naquele tempo, mais especificamente naquele momento, cada minuto demorava a passar. Me encontrava entorpecida no pior cenário que eu poderia me imaginar. Eu não me sentia viva, e naquela época, eu queria não estar. Meu corpo, sempre se encontrava rígido, eu não conseguia relaxar, sempre esperava pelo pior. Eu estava caindo em um vazio cada vez mais profundo, eu nunca consegui definir muito bem em palavras o que eu sentia. O que mais me irritava, é que ninguém era capaz de entender. Ainda dói. Dói saber que a qualquer momento eu posso sentir algo semelhante, eu nunca pensei que entenderia o inferno da noite para o dia. A minha cabeça era tomada por turbilhões de pensamentos que não me deixavam descansar, e até hoje eu preciso lutar contra eles. Não é algo fácil. Todas as vezes que as minhas crises foram externalizadas, mesmo não sendo nada agradável, de certa forma fui grata. Grata por perceber que eu estava viva. Afinal, eu estava muito tempo sem expressar emoções, eu ainda tinha esperança de ser um pesadelo. Apesar de cicatriz ser um ótimo tema para poesia, na realidade, é algo que ninguém se orgulha em mostrar. E a minha não está totalmente cicatrizada. E como em machucado não cicatrizado até carinho machuca, eu prefiro deixar a minha quieta, tento fingir que nunca existiu mesmo sendo algo impossível. Ainda não acabou, eu preciso continuar dia após dia tentando ficar bem. A ansiedade acabou com uma parte de mim e da minha vida. Eu espero um dia olhar pra essa parte da história e sentir orgulho, saber que eu fui capaz. Mas esse dia ainda não chegou. Transtornos psicológicos, emocionais...você nos fode da forma mais dolorosa possível. -Ana Júlia Carvalho
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