Quando chegares e eu te vir chorando
De tanto te esperar, que te direi?
E da angústia de amar-te, te esperando reencontrada, como te amarei?
Que beijo teu de lágrima terei
Para esquecer o que vivi lembrando
E que farei da antiga mágoa quando não puder te dizer por que chorei?
Como ocultar a sombra em mim suspensa pelo martírio da memória imensa que a distância criou
Imagem tua que eu compus serena atenta ao meu apelo e à minha pena e que quisera nunca mais perdida
- Vinícius de Moraes
Abra seus olhos
E me diga o que você vê
Estou entre os esquecidos?
Por favor, diga que você se lembra de mim
Em uma sala onde as luzes se escondem atrás das cortinas
Em uma cama, onde você está perdida em um sonho
Em um tempo em que o mundo está cheio de escuridão
Em uma casa que não convém um silencio maior que este
Nós sabemos que você está aí, em algum lugar aí dentro
Eu lhe falo uma oração para você sorrir
Abra seus olhos e diga olá
Abra sua mente e apenas deixe ir
Diga-me para pegar o controle remoto
Para que você possa assistir seu show favorito e bagunçar meu cabelo e dizer que está feio
E me diga que há um chocolate na sua bolsa
E diga-me o quanto eu cresci
E deixe-me saber que não estou sozinho
Pai. Você sempre liga sem ter nada de especial a dizer. Você pergunta o que estou fazendo ou onde estou e se o silêncio entre nós se estende por uma vida dou um jeito de encontrar perguntas que façam a conversa continuar. O que eu queria mesmo dizer é. Eu sei que o mundo te despedaçou. Foi com tudo pra cima de você. Não te culpo por não saber ser delicado comigo. Às vezes fico acordada pensando em todos os machucados que você tem e nunca vai dizer. Eu venho do mesmo sangue dolorido. Do mesmo osso tão sedento por atenção que desabo em mim mesma. Eu sou sua filha. Eu sei que a conversa-fiada é o único jeito que você conhece de dizer que me ama. Porque é o único jeito que eu conheço.
Você me diz para ficar quieta porque minhas opiniões me deixam menos bonita, mas não fui feita com incêndio na barriga para que pudessem me apagar, não fui feita com leveza na língua para que fosse fácil de engolir, fui feita pesada. Metade lâmina, metade seda. Difícil de esquecer e não tão fácil de entender.
- Rupi Kaur