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ivo di castro

@ivodicastro · desde 2018

Eu sou assim, escrevo sobre tudo. Tudo o que faço é deixar fluir. Improviso e erro. As vezes sai coisa boa. Numa boa! Sou bom assim.

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chuva paulista

São Paulo chove Mas não sabe mais garoa A chuva paulista É tempestiva Na cidade sempre alerta. Trava o trânsito Trava o elevador Travam as vistas de guarda-chuvas. A chuva enxagua o chão E enluta a família A chuva humilha E tira a casa E os pertences. A chuva não tem tempo A perder

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licao de morte

No último ato Em seu último suspiro Tombou de cara Sobre o livro. Leu o que lia Antes da dor que ria. A família chorou em Côro Ele o homem de ouro Morreu pobre Com desdém.

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Sinceridade

Curtidas em vão

Leiam-me se puderes Se não puderes, leiam assim mesmo. Não tão rápido. Não tão sem tempo. Faço questão que gostem, Ou não. As vezes curtem em vão. Eu não! Curto se gosto, Se vale a pena curtir Ou se vale a pena MENTIR

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A duras penas

Vou escrever a pena. A tinta que tinta o papel Tem tom encarnado. Poema dolorido Dita as poucas últimas palavras. Poema inacabado. Na assinatura uma mancha Mais vermelha que diz: meu fim!

provisorio

Mudando de assunto Qualquer tema eu vou fluir Não posso embarcar Nessa tristeza, A fuga dos problemas Não será solução. Inflamou aqui Isso não é nada. Siga a sua estrada Que o pior já passou. Gripe passa. Resfriado também. Catapora, caxumba, febre Amarela,lepra, Barriga d'água, alcoolismo E o caralho a quatro. A farmácia lhe aguardando Dia sim, dia não, Remédio está nas alturas. Espirrei irmão! Corre então pra benzedeira Aceita um cházinho de ervas, Ela te conserva Se fé houver será curado no ato. Tem fé para tudo. Salvação as vezes nao

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Brasil Revolta

Saudai essa maluca maloca Minha desvairada patota Gente beirando o caos. Aqui olhando de cima o Brasil Sinto esse clima hostil Ainda aqui a cachaça É barata e da boa, Só bebendo a tristeza vai passar! A saúde, que saúde?, anda triste A cura ando a procura insana Seja gripe, catapora, Febre amarela, Hospitais superlotados né irmão. Nos corredores camas pelo chão, Remédios não tem não. Médicos cubanos descubram Onde estão, Estão trocando nossa nação, Deixando a míngua tantas Cidades daqui. Mas não é deles a culpa disso não. De quem é, diga de quem é entao Eu sei mas vou far vazão Não temos aqui educação A qualidade despenca para o chão, Professores mal pagos, Mais um trago no meu baseado. Transporte tão caro, que porre! Nos socorre Senhor da nação. Corrupto aqui é mato Ingrata brota do chão. Indústria, comércio, e serviços, Os vícios de tanta vileza Olha nos aí, indo para a pobreza, Riquezas são pra poucos No malfadado país dos loucos Brasil hospício. Brasil refugo. Ame-o ou deixe-o, É a deixa, deixa o Brasil te deixar.

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Grito ao pais

Os filhos do Brasil Estão de viagem marcada Não será só passeio, Não será so diversão, Vão se daqui não para um turismo De verão, Os filhos do Brasil Vão-se para se livrarem da corrupção, Dos desmandos, da escassez do trabalho, Da incerteza de tudo. Esse povo heróico e retumbante Que tomba no chacoalhar Da revolta, Tomara ainda retornem Se o sol da liberdade For para todos. Há muito o céu da pátria Está sem brilho, E o penhor da liberdade Conquistada em braços fortes, Agora desfalece tão covarde. Pátria amada por nós. Pátria que não nos ama. Quanta vergonha E desonra temos nós A maioria empobrecida Pela ganância dessa casta corrupta. Que deitaram em berço esplêndido E nos fizeram estrangeiro. Quem sabe voltemos Através da terra ou do mar, Quem sabe desfaldramos Nossa bandeira Pela revoga tragédia, Pela correção dos abusos, Da justiça, da igualdade. Só peço, as mãos de Deus Sobre a nossa nação.

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Entendo o mar

Eu fui ao mar Eu fui primeiro Na areia Depois nas primeiras ondas. Depois de entender o mar Pulei seguidas ondas E aí o mar foi me entendendo Deitei no manso E rolei empurrado pelas águas. Senti-me um peixe Inerte, sem vida, Sugando a energia do mar Veio bravo o mar Veio bufante e revolto Derrubou-me tanto Eu que sempre estive em queda Aprendi a lição do mar Que triste chorou tuas águas Lágrimas que são minhas Quem sabe eu chorarei um mar.

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Eu e a Novela

A cama me suporta. O quarto me coloca em cela. Lá fora a luz, O sonho, a liberdade. Tudo o que eu não quero mais ver. Assim adormeço E assim desperto Não importa a cara Do amanhã. Se me sorri Eu não vejo. Tédio.Tédio. Não quero o remédio Dos aconselhamentos E sei que me pesa A roupa que não troco O banho que não tomo Os livros que não leio Por favor, Autores de ficção A minha lição é Morrer no primeiro capítulo.

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para uma pessoa

Depois do instante triste O tempo nos cuida. A dor nos abraça E nos acolhe como se fôssemos Grandes amigos. Choramos e jorramos Lágrimas tantas Tudo se parece impossível Não tem volta. A se fosse eu Em teu lugar! Frio e mudo. Mansamente, Lentamente, Tão lento que não sentimos O vento riscar a face Agora até rio Pois tive um sonho Que guardei nos olhos Antes de tudo acontecer.

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