São Paulo chove
Mas não sabe mais garoa
A chuva paulista
É tempestiva
Na cidade sempre alerta.
Trava o trânsito
Trava o elevador
Travam as vistas
de guarda-chuvas.
A chuva enxagua o chão
E enluta a família
A chuva humilha
E tira a casa
E os pertences.
A chuva não tem tempo
A perder
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No último ato
Em seu último suspiro
Tombou de cara
Sobre o livro.
Leu o que lia
Antes da dor que ria.
A família chorou em Côro
Ele o homem de ouro
Morreu pobre
Com desdém.
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Leiam-me se puderes
Se não puderes,
leiam assim mesmo.
Não tão rápido.
Não tão sem tempo.
Faço questão que gostem,
Ou não.
As vezes curtem em vão.
Eu não!
Curto se gosto,
Se vale a pena curtir
Ou se vale a pena
MENTIR
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Vou escrever a pena.
A tinta que tinta o papel
Tem tom encarnado.
Poema dolorido
Dita as poucas últimas palavras.
Poema inacabado.
Na assinatura uma mancha
Mais vermelha que diz: meu fim!
Mudando de assunto
Qualquer tema eu vou fluir
Não posso embarcar
Nessa tristeza,
A fuga dos problemas
Não será solução.
Inflamou aqui
Isso não é nada.
Siga a sua estrada
Que o pior já passou.
Gripe passa.
Resfriado também.
Catapora, caxumba, febre
Amarela,lepra,
Barriga d'água, alcoolismo
E o caralho a quatro.
A farmácia lhe aguardando
Dia sim, dia não,
Remédio está nas alturas.
Espirrei irmão!
Corre então pra benzedeira
Aceita um cházinho de ervas,
Ela te conserva
Se fé houver
será curado no ato.
Tem fé para tudo.
Salvação as vezes nao
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Saudai essa maluca maloca
Minha desvairada patota
Gente beirando o caos.
Aqui olhando de cima o Brasil
Sinto esse clima hostil
Ainda aqui a cachaça
É barata e da boa,
Só bebendo a tristeza vai passar!
A saúde, que saúde?, anda triste
A cura ando a procura insana
Seja gripe, catapora,
Febre amarela,
Hospitais superlotados né irmão.
Nos corredores camas pelo chão,
Remédios não tem não.
Médicos cubanos descubram
Onde estão,
Estão trocando nossa nação,
Deixando a míngua tantas
Cidades daqui.
Mas não é deles a culpa disso não.
De quem é, diga de quem é entao
Eu sei mas vou far vazão
Não temos aqui educação
A qualidade despenca para o chão,
Professores mal pagos,
Mais um trago no meu baseado.
Transporte tão caro, que porre!
Nos socorre Senhor da nação.
Corrupto aqui é mato
Ingrata brota do chão.
Indústria, comércio, e serviços,
Os vícios de tanta vileza
Olha nos aí, indo para a pobreza,
Riquezas são pra poucos
No malfadado país dos loucos
Brasil hospício.
Brasil refugo.
Ame-o ou deixe-o,
É a deixa, deixa o Brasil te deixar.
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Os filhos do Brasil
Estão de viagem marcada
Não será só passeio,
Não será so diversão,
Vão se daqui não para um turismo
De verão,
Os filhos do Brasil
Vão-se para se livrarem
da corrupção,
Dos desmandos,
da escassez do trabalho,
Da incerteza de tudo.
Esse povo heróico e retumbante
Que tomba no chacoalhar
Da revolta,
Tomara ainda retornem
Se o sol da liberdade
For para todos.
Há muito o céu da pátria
Está sem brilho,
E o penhor da liberdade
Conquistada em braços fortes,
Agora desfalece tão covarde.
Pátria amada por nós.
Pátria que não nos ama.
Quanta vergonha
E desonra temos nós
A maioria empobrecida
Pela ganância dessa casta corrupta.
Que deitaram em berço esplêndido
E nos fizeram estrangeiro.
Quem sabe voltemos
Através da terra ou do mar,
Quem sabe desfaldramos
Nossa bandeira
Pela revoga tragédia,
Pela correção dos abusos,
Da justiça, da igualdade.
Só peço, as mãos de Deus
Sobre a nossa nação.
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Eu fui ao mar
Eu fui primeiro
Na areia
Depois nas primeiras ondas.
Depois de entender o mar
Pulei seguidas ondas
E aí o mar foi me entendendo
Deitei no manso
E rolei empurrado pelas águas.
Senti-me um peixe
Inerte, sem vida,
Sugando a energia do mar
Veio bravo o mar
Veio bufante e revolto
Derrubou-me tanto
Eu que sempre estive em queda
Aprendi a lição do mar
Que triste chorou tuas águas
Lágrimas que são minhas
Quem sabe eu chorarei um mar.
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A cama me suporta.
O quarto me coloca em cela.
Lá fora a luz,
O sonho, a liberdade.
Tudo o que eu não quero mais ver.
Assim adormeço
E assim desperto
Não importa a cara
Do amanhã.
Se me sorri
Eu não vejo.
Tédio.Tédio.
Não quero o remédio
Dos aconselhamentos
E sei que me pesa
A roupa que não troco
O banho que não tomo
Os livros que não leio
Por favor,
Autores de ficção
A minha lição é
Morrer no primeiro capítulo.
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Depois do instante triste
O tempo nos cuida.
A dor nos abraça
E nos acolhe como se fôssemos
Grandes amigos.
Choramos e jorramos
Lágrimas tantas
Tudo se parece impossível
Não tem volta.
A se fosse eu
Em teu lugar!
Frio e mudo.
Mansamente,
Lentamente,
Tão lento que não sentimos
O vento riscar a face
Agora até rio
Pois tive um sonho
Que guardei nos olhos
Antes de tudo acontecer.
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