Estou com tanta vontade de voar,
mas eu não tenho asas.
Então,
eu crio elas na minha cabeça
para que assim eu consiga
sentir a sensação de voar.
Dentro do universo que vive em mim,
eu me transformo em um anjo
e consigo voar pelos cosmos.
Mas eu estou com tanta vontade de voar,
mas eu não tenho asas.
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Tomei um frasco azul
e agora estou viciada em azul.
Vejo azul em tudo.
Azul nos meus fios.
Azul no meu rosto.
Azul no meu corpo.
Azul nas veias.
Azul na alma.
Azul, Azul.
Azul.
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Sinto uma brisa fria
que atravessa minha carne
e abraça a minha alma.
É tão reconfortante.
Me sinto em paz
porque o frio azul me acolhe.
Mas será o frio?
Será o azul ou será seu azul?
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Estou a todo momento
tentando subir uma torre.
Mas antes de ter a chance
de apreciar a miragem,
eu caio e volto ao início —
é assim que me sinto ultimamente.
Eu caio.
Eu caio
e cada vez mais
meu azul fica mais
próximo de transbordar.
E então,
não sei se enxergarei
a vida sem a neblina do chão.
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Sou gentil como um anjo.
Sou alegre como um girassol,
mas só às vezes.
Sou bondosa como um beija-flor.
Mas tenha cuidado
ao tocar em mim.
Porque além de tudo,
eu também sou feita de azul —
e ele pode machucar.
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Estava caminhando.
Mas então,
eu parei e olhei
para um poste de luz —
e descobri que sua luz
é o que desejo encontrar.
Mas como faço para ela
acompanhar meu caminho?
Meu caminho anda tão escuro.
E eu não quero seguir em frente.
Então,
acho que vou
me acomodar um pouco mais.
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Perdida em meio a campos
de orquídeas brancas.
Aquela trágica borboleta
continua batendo suas asas.
A saída parece distante,
mas ela continua voando.
Ela voa,
ela voa,
ela voa.
E continua voando —
mas não consegue sair.
O destino das circunstâncias
a castiga e a condena a ser azul.
Sua felicidade,
sua vontade,
sua força,
sua beleza,
quem você é.
Tudo é tirado dela.
E então,
tudo o que resta é o azul —
o seu azul.
Suas asas azuis amaldiçoam
as orquídeas brancas a se tornarem azuis.
E aquela triste-azul borboleta
continua voando.
Mas dessa vez
sobre orquídeas azuis.
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Mas para me lembrar
que você está por perto
um beija-flor sobrevoa por mim
e me agracia com suas
lindas asas que batem
tão forte como vento.
Eu deixaria todos os meus
canteiros de pequenos morangos
para sobrevoar todas as montanhas
e todos os azuis meia-noite dos oceanos
apenas para ter a chance de encontrar
um pobre anjo expulso dos céus.
Eu daria minhas asas para que ele
pudesse voar livremente mais uma vez,
a ponto de sentir que o mundo
e os céus sempre foram seus.
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Por que eu costumo sumir?
Essa é uma característica
curiosa sobre mim.
Eu sumo de tudo —
das pessoas,
das conversas,
dos momentos,
e até do dia-a-dia.
Há dias,
mas também há vezes
que ela aparece de repente,
que a minha melancolia bate à porta.
Eu atendo
e a convido para entrar.
Então,
eu me afasto das pessoas,
fico quieta durante as conversas,
dissocio nos momentos
e me desligo ao dia-a-dia.
E isso também acontece
com a minha poesia.
Ela some e reaparece,
como uma estrela-cadente.
E acredito que faça parte
de quem eu sou.
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Há um mundo
onde chove
pétalas cor-de-rosa.
Ele tem cheiro de puro amor —
tem gotas de açúcar
que adoçam qualquer um.
Dentro dele
existe uma ilha,
uma pequena ilha do amor.
Lá mora:
desejos que gritam alto demais,
sonhos que inundam mundos,
vontades que anseiam por fogo,
delírios assustadoramente perigosos,
paixões impossíveis de viver
e outras fantasias de conto de fadas.
Muitas princesas e príncipes conhecem
e moram nessa pequena ilha do amor.
Menos a Princesa Não-Princesa.
Durante um tempo,
ela não queria entrar.
Mas quando se encontrou,
ela quis entrar —
mas não conseguiu,
às vezes sentia que não podia.
Porque é um mundo muito rosa
e ela ainda é muito azul.
Ela ainda é muito azul.
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