Isabelle Gonçalves
@isaUUU · desde 2021
sei lá, cara. Estou tão confusa quanto você.
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Quando você chorar,
feche a porta do teu quarto.
Tente não demorar!
Descarregue seu coração pesado.
Quando seus pés
começarem a dar passos tortos,
Não pense duas vezes.
Pare, sente e descanse.
Dê vazão aos sentimentos remotos.
Não se afogue!
Entre e molhe os pés.
Sinta a água.
Permita que o dia melhore
baixando a guarda.
A vida é muito curta.
Ela não se sustenta
com poses ou caretas.
Abra um baita sorriso
que ligue orelha a orelha.
Morra,
mas com muita força
renasça de novo.
Faça tantas vezes
até que te chamem de louco.
Dê o último suspiro
com uma baita vontade.
Sabendo que fez o que pode.
não permita sobrar saudades.
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Quando você se der conta,
talvez tenha se passado
18 anos em vão.
O mundo está meio doido mesmo;
e todo mundo meio doído.
Botas de couro
reluzem como ferro.
Não voltes, peço.
Entre poetas e poesias,
todos algum dia
já tiveram
suas dores refletidas
num pedaço de papel alheio.
Era uma tarde de domingo.
O Sol brilhava intensamente sob suas peles nuas.
Ali estão dois corpos estirados em uma cama bagunçada.
Tudo aconteceu como um pulo.
Olhares viraram risos bobos;
risos bobos se tornaram beijinhos;
de beijinhos foram a toques sutis com a polpa dos dedos trêmulos.
Dentre risadinhas e flertes infantis o desejo amadureceu.
Apareceu a oportunidade dos dois brincarem de serem adultos.
Talvez de fato
devessem deixar os devaneios irreais
e partissem para a tal concretização.
A mente é enganadora.
Lugar de prazeres ideais
e das dores mais penosas.
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O azul do mar
me transborda no peito
e vira amar.
Tirou seus calçados,
As meias
E logo depois
A máscara.
Chegando ao corredor
Percebeu seu andar
Ansioso, pesado.
Respiração ofegante.
Abriu a porta de seu quarto
E se assustou com a organização.
Tudo se mostrava em seu devido lugar.
Logo se sentiu melhor.
Seus movimentos se acalmaram.
Sua cabeça ficou tranquila.
Mas mal sabia ela que a bagunça
Sempre estivera nas gavetas.
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Um corpo frio deitado
no concreto pesado
descansa.
Pernas atrasadas
andam pelos calçadões
para seus devidos destinos.
Nunca ninguém ao menos
prestou atenção
na maestria com que
o pedaço de pele e carne
revoava sobre os carros e prédios,
direto para o bruto
chão de pedra.
Era tão divino
que parecia uma ave,
só faltava as asas.
Nem uma viva alma
deu conta
de seu último suspiro.
Não quiseram nem saber
seu nome,
idade,
da onde vinha.
Sua história.
Nem mesmo cogitaram
se desligarem
de suas rotas automáticas.
Perceberam sua queda
da mesma forma
que uma fruta cai de uma árvore.
Ali,
no calçadão frio e indiferente,
jaz mais uma vítima
da vida moderna.
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