Não acredito na salvação. Nem na vida e na morte. Não há encontro com Deus sem sacrifício. Mas não nestes termos já ditos. Pois não há vida ou morte além do agora. Quando digo sacrifício é encontrar a todo momento uma oportunidade para a própria dissolução, diminuição, destruição. O sacrifício de esperar o filho dormir mesmo estando com sono. Sorrir para o último cliente pois ele merece ser tratado como o primeiro. Ler um livro transformador. Arriscar uma nova rota, um outro motivo. A vida é a entrega da vida para a morte mas não no ato final. A todo o instante. Servir a verdade para que morra a mentira. Olheiras por dormir pouco. Varizes por trabalhar demais. Vida e morte juntas para que não haja um final. Para que vida e morte possam decretar nada. Julgar nada. Salvar nada. Oroboros. Dente, cauda, serpente. Infinito.
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Os caminhos
Por mais que feridos
E tortuosos
São nosso arrimo
Deus é o destino
Deus é o destino
Uma grama de diamante vale R$25.000
Uma grama de água vale R$ 0.0027
Nós?
Não valemos nada
Minha mente esquecida numa taça
Brisava coqueiros canções
Mal percebia que a noite chegara
E a princesa virara leões
Senti o violão escapando dos braços
O pulo de gato nas minhas pernas
A boca que me mordia como um soldado
Sedenta por uma cena de guerra
Tuas mãos me cobriam espalmadas
Arrancavam com as unhas seus gemidos
Esfregava até o osso sua genitália
Esperando até que o mastro esteja erguido
Como toda mulher que conhece esta hora
Sabe fazer seu barco um brinquedo
Guia a proa para que deslize lisa
E suba e desça nas ondas do desejo
De maré branda ela fez tempestade
E o barco torcia duro na rebentação
Até que o ultimo choque a fez espuma
E um silencio longo a fez sertão
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O olhar não me viu na janela
Olhou-me como fosse uma palavra
Feriu-me em dor de espelho
Olhando seu reflexo na água
A palavra não sei se afoga
A água num copo de água
Mas tráz sem bússola a esmola
Perfeita para um cego na estrada
"Djavan na vitrola
Você na escola
Eu no divã"