Borboleta azul
Ao céu voou,
E os olhos de um menino a enxergou.
O seu vazio olhar
O fez correr e a procurar,
Sozinho não queria mais ficar.
Por entre as árvores fugiu
Do seu olhar sumiu,
E lágrimas dos olhos emergiu.
Borboleta azul
Eu quero te encontrar,
Sozinho não consigo mais ficar.
Borboleta azul
Teu amigo quero ser
A solidão no interior me faz sofrer.
Borboleta azul
Todos correm sem porquê
Meu coração não para de doer.
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Isabela meu amor,
Tua bela atitude
De entoar um louvor,
Aos anjos que nos cercam
E nos protegem do terror,
Daqueles que pela maldade
Atentam contra nosso amor,
Anima a meu pobre espírito.
Ergueram-se os muros do destino,
Dias depois daquela noite,
Na areia da praia, conosco ao luar,
Onde damos o primeiro beijo,
Bem em frente ao mar.
E se puseram as paredes entre nós,
A fim de nos separar,
Quem sabe se para nos testar.
E o destino nos dividiu,
Como folhas que se separam de seus galhos,
Ao caírem, mergulhando até o chão,
Numa tarde tranquila de outono.
Sem alarde estamos agora,
Separados mundo afora,
Na esperança de nos encontrar.
Sem novos amores, sem romances,
Para não haver de um ao outro machucar.
O destino separa para depois ajuntar,
E sabemos que nossos caminhos,
Hão de se acharem frente ao mar.
Quando a lua tocar as ondas
Nossas trilhas irão se encontrar.
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Mulher que baila à praia.
Não conheço donde vens,
Que poder este que me lanças?
Que exerce sobre mim,
Feitiço enquanto danças.
Mui encanto-me do jeito,
Que teu corpo balança,
Como as ondas desse mar.
Medo tenho de me apaixonar.
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Se poder e riqueza
Forem os sonhos de muitos,
A minha maior aspiração
É estar com você,
Sob os raios de sol,
Diante das águas do mar,
Ao som do cântico dos pássaros.
Minha adorável flor de lótus,
Ainda que eu tivesse
A posse de todo o mundo,
Eu seria o mais pobre
Dentre os homens desta terra,
Se o destino me guiasse,
A um caminho que não leva
Para perto de tua presença.
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O controle do destino
É a ilusão do homem.
Quiçá consigamos
Ter as rédeas de pelo menos
Uma pequena parte dele.
Mas muito mal controlamos
Nossos vícios e emoções.
Seria fácil domar o destino?
Ele é um cavalo rebelde.
Se recusa a ser dominado,
E ninguém consegue montá-lo,
Na certeza de que vai dizer
Se vai por esta ou aquela trilha.
Ainda assim nos foi permitido,
Pelo menos alguns rabiscos
Em uma folha de papel,
Que não está em branco,
Mas também não é
Um desenho completo.
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Tuas palavras
Carregadas de mentira,
Trazem uma verdade:
A de que não é capaz de amar.
Se no amor houver inverdade,
Ele se estilhaça em pedaços;
Ajuntá-los torna-se difícil.
Se o elo rompe, nos separamos
Como os cacos de um vaso.
Um pedaço aqui, outro ali...
Nem sempre ele quebra de vez.
Cada mentira, uma pequena rachadura.
E numerosas rachaduras juntas
Unem forças para fragmentar
Até o mais resistente dos vasos.
Se a Letra Divina diz que o homem
se separa de seus pais e une-se à mulher,
E assim tornam-se um, a letra da mentira
diz que o elo se enfraquece, até despedaçarem.
E ao invés de um, tornam-se vários cacos.
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Por você vou ao mar,
Contra as bestas lutar.
Por você vou sofrer,
Quais feridas vou ter?
Com você quis fugir,
Mas eu vi-te partir.
Por você sofro a dor,
Por mentir-me amor.
Que ferida vou ter?
A que faz-me doer,
Ao ver-te partir,
E da vista sumir,
E deixar-me o rancor,
De sofrer por amor.
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Momentos são como nossas sombras.
Ainda que pela luz do dia,
Ou sob o brilho da lua,
Elas se enraízam em nós,
E prevalecem sem cessar.
Na noite tão negra e lúgubre,
Sem luar e estrelas no céu,
As sombras se associam ao negrume,
E desvanecem por completo,
Tornando-se uma só com ele.
Até parece que se foram à inexistência,
Quando de repente ressurgem
A qualquer mero brilho de luz.
E não são os momentos
As sombras em nossas rememorações?
E não são os mais marcantes
Como aquelas mais fortes?
Algumas das mais intensas
Nos refrescam no calor,
E outras, tão obscuras,
Nos envolvem pelo medo.
Os momentos criam laços,
E são visitados nas lembranças.
Não amamos ou odiamos alguém,
Senão por causa dos próprios momentos?
As recordações criadas por eles
São o que nos traz saudade,
O que nos faz querer distância
Ou o que nos faz sorrir e chorar.
As memórias são de momentos.
Aquele que não vive momentos,
Não tem sobre o que recordar.
A maior prova sobre isto:
Se te fosse concedido o poder
De apagar a todas as lembranças,
Todos os teus amados e odiados,
Não seriam senão aqueles desconhecidos,
De quem não temos nenhum laço de amor,
E também nenhum laço de ódio?
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Brilhe, ó, Sol
Neste mesmo lugar.
Meus olhos estão
A chorar.
Sempre me aqueça,
Quero o seu calor.
Meus olhos só sangram
De dor.
Brilhe, ó, Sol
Estou tão sozinho.
Meus pés pisam só
Em espinhos.
Quero sorrir...
Mesmo que alguém
Me traga tristeza
Também.
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A vida começa como pedra solta.
Inicia-se a partida a rolar do alto
Da montanha que nos permite olhar
Toda vista de uma bela paisagem.
Ao soltar-se, um primeiro movimento.
De repente um toque numa parte de rocha
Muda todo caminhar e, se ia para um lado,
Agora vai a outro, imprevisivelmente.
E zanzana lá e cá...
Que surpresa, não? Um caótico ziguezague.
Bate aqui, bate ali... Onde vai parar?
Qual o propósito da vida de uma pedra
Que não sabe se quer este ou aquele caminho?
De tanto ricochete, esta pedra
Encontra o fim de sua história,
O impiedoso chão não perdoa.
E lá ela encerra o seu destino,
Como encontra toda pedra solta,
A rolar ladeira abaixo.
Como encontra toda vida à morte
Ao final de sua história.
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