quando se deixa de viver
a vida vira isso, um peso insuportável
quando se deixa de ser
a vida vira isso, um sistema, uma produção
quando as coisas saem do natural
a vida vira isso, um entrar e sair da cidade
viver e a vida, colegas que se odeiam
não sou um guerreiro
que guarda sua atenção
não tive a sorte de nascer
para te servir - ou para parasitar
nem para ser seu Deus - ou seu verme
mas,
os ciúmes, esses poucos e rasteiros que se escondem numa rotina
despertam-me para um sonho herculano
de combate contra inimigos mais ou menos fortes
para grandes aventuras
e em dado tempo, num livro de Bertrand Russel ou numa consciência minha
o ciúme bobo se desfaz, dar ar a minha identidade
e agora?
sou guerreiro ou sou eu?
e o que significa hoje ser guerreiro ou ser eu?
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A Rosa está pegando fogo
A brasa que consome tem 14 mil metros
E devora a terra, o céu e o meu dia
Que dureza é cultivar rosas
Plantei para buquês
Colhi para coroa
Dançam a velha dança
Dançam a nova dança
A dança suporta o passado, presente e futuro
Suporta o tempo e os deuses
Dançam as mulheres
Numa cigana ordem
Organizada-Desorganizada
Minhas mulheres que dançam eternamente
No palco que eu construí
Dança eterna
Continuará depois que eu me for
Esse teatro não para
É para a eternidade
É para mim
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Às vezes
E isso é segredo
A paixão sai do meu corpo
Desabita a minha mente
E se vai da minha alma
E quando tudo é frio
Eu me consolo sabendo que às vezes
As cortinas do teatro se fecham
E a paixão retorna
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Mas não se preocupe
Definirei a tua forma pela minha vista
Um belo vulto negro que esconde a parte mais linda do teu corpo
O coração? A alma? O seio?
Ao delírio da plateia
Trago amargor
Um desafio à honra dos que esperam
Amor no seu tempo
R
Que pássaro lindo
Que me põe na gaiola
Que me obriga a cantar
Que pássaro lindo
Te observo de longe
Teu canto é segredo
Tuas ações segredos
Quem te toca degredo
Te observo de longe
Na loucura de quem observa atentamente
Quebre
Grite
Crise
Sou indiferente
Se teu canto é segredo
Tuas ações segredos
Quem te toca degredo
Eu apareço
Te observo de longe
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As nascentes germinam
Meu corpo adoece
A vila cresce
O que era suplício
É paraíso
É a comunhão
De Deus e Canaã
Não deixam
Não deixam e não deixarão
Os canhões e seus homens mandados
As baionetas, as costuras
Não deixam e não deixarão
O cantar alegre de uma terra antiga e mágica
Deixaram escombros para lembrar
Que não deixam e não deixarão
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