É tarde demais?
E se eu estiver me perdendo nessa rotina que engole, nessa pressa que nunca me leva pra onde meu coração quer ir? E se eu estiver esquecendo como era me encantar com o simples, como era rir sem precisar merecer? Será que ainda dá tempo de voltar pra mim? De reencontrar aquele olhar curioso que via mágica nas formigas, aventura nas nuvens, e paz no colo de quem apenas ouvia? Eu não sei mais onde deixei essa parte de mim. Talvez numa gaveta junto com um caderno velho, ou na memória de um cheiro que não sinto há anos. Mas eu sinto falta. E essa saudade não grita. Ela cala. E pesa. Hoje, tudo pesa um pouco mais. Até existir. Mas se eu fechar os olhos bem forte, às vezes ainda escuto meu eu pequeno me chamando de volta.
W
esse poema é como uma sensação que tenho, é como se eu sentisse o cheiro da minha infância inteira em segundos e depois ela some