Carta de desculpas
Por que eu te julgo tanto, se sou eu quem compartilha o travesseiro das tuas noites insones? Por que te cobro tanto, se sou o único que conhece teus silêncios? Por que faço questão de te humilhar, mesmo sabendo o quanto você só queria ser amado? Por que fecho os olhos para tuas conquistas, como se teus passos nunca fossem largos o suficiente? Por que ignoro teus pequenos milagres? Teus feitos, tuas quedas superadas, teus esforços invisíveis? Por que eu nunca te vejo inteiro? Por que olho apenas as cicatrizes e não os lugares que ainda florescem? Eu sou hipócrita. Sou aquele que finge te proteger, mas te sabota. Eu sou abusivo. Sou quem levanta a voz dentro da tua mente. Sou tóxico. Sou o veneno que derrama em ti a dúvida do teu próprio valor. E mesmo assim, sou eu quem acorda contigo. Sou o primeiro a te olhar no espelho. Sou tua voz interna — e por vezes, teu carrasco. Mas hoje eu reconheço. Então… me perdoa. Sei que perdão não apaga, mas abre a porta de onde o sol entra. E por mais que eu tenha sido cruel, mudar por você é a única revolução sem volta. É a única redenção que vale a pena. Você merece um mundo onde a sua própria voz te abrace ao invés de te afogar. Você merece um lar dentro de si. De: eu Para: eu
Comentários · 0
Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.