Deitado na cama
Sem ninguém que te ama
Sinto um vazio em mim
Não sei bem o que é
Se é a falta de Ana
Só sei que vem de repente assim
E não tem mais lugar para fugir
Penso em procurar algo para comer
Qualquer coisa para eu ingerir
Alguma solução
Alguma coisa que tampe
Esse vazio que emana
De dentro do meu coração.
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Eu cheguei a uma conclusão
O futuro ele não existe
Demorei muito tempo pensando nisso
E me dei conta que aquilo que eu nomeava futuro
Era um teatro criado pela minha mente
Que mentia para mim
Como todo bom espetáculo
Existe os atores, atrizes e cenário
As cortinas se levantam
E o narrador começa a falar
O enredo é envolvente
Porque foi construído para ser
Em poucos segundos, está comovido
Com o jovem herói, que finalmente encontrou a garota perfeita
No alto de uma torre onde ela se encontrava
Mas, claro, teve que tira-la das mãos de um terrível vilão
Que nunca entendeu seu coração
Em uma luta de espadas
Mostrou sua coragem
Como é valente
Esforçado
Tudo que um homem precisa ter
Para conquistar uma bela dama
Após vencer o embate muito acirrado
O apunhalou no peito
Se admirou pelo próprio feito
E subiu a escadaria atrás daquilo que iria finalmente lhe deixar satisfeito
Quando chegou lá, caiu em uma armadilha
A cama estava vazia
Se encontrou sozinho e pela janela viu a maresia
Tudo não passou de uma fantasia
O herói, ferido
Percebeu que quem apunhalou não era seu mal feitor
Foi o próprio peito
E naquele leito em sua frente desabou
Para morrer na cama em que sua amada
Um dia foi imaginada.
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Um dia qualquer no trabalho
Um tec tec tec infernal no fundo
A garota da terceira fileira
Parece que vai quebrar o teclado
Riso, risadinhas
Será que o trabalho
Virou diversão?
A paz do mundo
É somente uma visão
Muito chata de como se ver a vida
No fundo toda paz é uma prisão
Todo governo preza o sossego
Todo chefe quer ver seus funcionários pacíficos
Olha só aquela garota
Arrumou uma namorada
No ambiente trabalhístico
Ela trabalhava, trabalhava muito e era feliz
Até que um dia veio a demissão
E tirou sua querida amiga
de Ação
e do seu alcance de interação
Olha que funcionária exemplar
Não fala mais nada
É o exemplo da operação!
Agora ela trabalha, trabalha muito
e é
infeliz
.
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Ela é dona de um sorriso angelical
Eu sou dono de um olhar todo bobo
Sua fé é algo grandioso
E eu sou pequeno como uma formiga
Caminho ao seu lado
Mesmo que calado
E nessa noite maravilhosa
Ouço suas histórias malucas
Elas caem como uma luva
Junto a esses pingos de chuva
E me fazem pensar
O quanto eu gostaria de me molhar em um abraço seu
Por uns minutos a mais
Mesmo que eu perca o meu ônibus
E o próximo
E aquele que vem depois do próximo.
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O filme rola na tela
As mãos avançam timidas
Para tocar a pele
No desejo que sede
E pede por um pouco de afeto
Os dois pombinhos
Se olham sem jeito
O ar puxa do peito
Tentando alcançar o feito
De finalmente um beijo ser aceito
As bocas se tocam
O mundo inteiro pipoca
Fogos de artifício
Naquilo que vai se tornar um vicio
E pode te levar direto pro hospício.
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E desfila
Pela passarela da mente
O pensamento egocêntrico
Clicks e flashs
Se exibe ele
Para a câmera
Gosta do palco
Ama a fama
Pinta as unhas
Corta o cabelo
Quer ser rei
Quer ser top moddel
Logo atrás
Vem o pensamento depressivo
Cabeça baixa
Olhos vazios
Clicks e flashs
Quer se esconder
Quer se perder
Invés de atravessar a passarela
Se jogou de cima do palco.
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Imagino um mundo
Onde meu espírito criativo vive livre
Longe de tabus
Da necessidade de elogios
E das preocupações do dia a dia.
Lá ele não tem hora de trabalhar
Nem de estudar
Vive a vida como quer
E sofre sem sofrer de verdade
Só pela diversão de se expressar.
Se for assim mesmo
Eu até entendo
Quando minha criatividade some
E demora pra somar.
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Nem todo sono
Tem a mesma função
Tem uns que vem
Não pra descansar
Mas para se livrar
Do simples acordar
Como se dormir
Fosse sumir
Sem se assumir.
No mundo invertido
Dos sonâmbulos diurnos
O sol nasce a noite
E a lua surge ao amanhecer.
O corpo levanta
Mas a alma permanece deitada
Perdida num eterno sonhar
E nossa carcaça sem rumo
Se move zumbi
Cheia de desejos
Mas vazia em essência
Nessa falsa permanência.
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Tão ruim é se perder
Você olha sem querer ver
Sente sem se sentir
Segue sem prosseguir
Até estar exausto
De tanto não-tentar
De ver a sua chance chegar
E deixar uma onda carregar.