Ainda existe uma criança
sentada sozinha no recreio
dentro de mim.
Ela olha para um grupo
e conta as pessoas.
Uma, duas, três...
Nunca ela.
Hoje existem novos nomes,
novas conversas,
novas mãos segurando celulares.
Mas o medo conhece o caminho de volta.
E eu continuo esperando
que alguém perceba
que deixaram uma cadeira vazia.
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Meu nome fica preso na garganta
quando alguém chama pelo nome
que não é meu.
Talvez por isso eu fale tanto:
para provar que ainda estou aqui.
Depois me arrependo do barulho
e desejo ser silêncio.
É estranho querer desaparecer
sem querer deixar de existir.
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Às vezes parece um sonho.
Não daqueles bonitos.
Um sonho em que
você conhece todos os lugares,
mas nenhum deles parece real.
Meu corpo está aqui.
Minha cabeça, em algum outro lugar.
E quando a ansiedade aperta,
eu lembro de uma antiga maneira
de desaparecer por algumas horas,
De sentir tudo aquilo.
Uma parte de mim sente saudade.
A outra parte
agradece por terem me tirado
daquilo que parecia conforto
quando, na verdade,
estava me apagando.
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Eu moro entre o ontem
e o que nunca aconteceu.
Chamo de sonho
tudo aquilo que não consigo esquecer.
Talvez eu esteja acordado.
Talvez apenas tenha aprendido
a sonhar de olhos abertos.
E, no fim,
não sei se quero voltar
ou ser encontrado.
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