Denise Fissan
@denisefissan · desde 2024
Poeta, escritora do livro de poesias "Retalhos na Memória" (ed. Folheando).
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6 poemas
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Bocas do mundo todo,
Quanto peso carregais
Em vossa saliva,
Que as palavras,
Cada uma e a seu tempo,
Possuem no espaço a sua medida:
O peso dos dramas,
O peso das mágoas,
O peso dos gritos ensandecidos pela coragem de ser,
O peso de serem ouvidas
Por quem não soube apreciá-las,
O peso de morrer no silêncio
De quem não soube dizê-las,
O peso de ser alheia música
A quem não teve canção.
Denise Fissan
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Do melaço no beijo,
Sede que resta.
Por entre os meus dedos
O fel d’um instante.
Minhas mãos tateiam
A ausência dos seus lábios,
Buscam seus traços
Noutros semblantes.
O prazer fere.
E é sem efeito prolongado
O êxtase analgésico.
O infinito é efêmero
– Pálido relâmpago –
Quando o que somos
É hipotético.
Denise Fissan
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Em rotas frias,
Encontrei sua estrada,
Fez-se calor do meio-dia
Em plena madrugada.
Dois olhos embriagados
Ante a espinha dorsal
Do tempo curvado
Entre o etéreo e o carnal;
Duas linhas interpostas,
No mesmo dia e espaço,
Aceitaram a proposta
E estreitaram-se num laço.
Desde então há um nós
Imprimindo paisagens,
Desaguando na foz
De humanas viagens.
(Denise Fissan)
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No silêncio do beijo
Duas línguas conjugam
O mesmo idioma.
Denise Fissan
Sopro cálido,
Um célere beijo
No teu rosto...
O amor desbota
Como o verão
Nos braços do inverno.
Tudo o quanto vale a pena é pouco
Nas vastas terras do efêmero.
Denise Fissan
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Poesia que desbrava
O abismo do teu olhar,
Navega então serena
Sob as tempestades
Às quais vejo e temo
Naufragar.