A cabeça e o ombro unidos numa só dor
noite insone, as horas escorrendo
como rastro de caracol
Ombros doloridos e rígidos
como mármore
Paciência, nenhuma!
Inquietação, no plural!
Olheiras em sulco, só não se encontram
por causa do nariz, esse intrometido
Monitor acesso, ainda que não haja
nada a ser visto
Livros abertos, ainda que a concentração
esteja de todo ausente
Café bebido, ainda que só piore tudo
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O alargamento da noite,
a opressão, o calor, a dor de cabeça que vem pelo dia
a sensação sisífeana do eterno retorno
a hiperatenção a qualquer inútil detalhe
o revirar- se sem sono e sem paz
o ler desesperadamente desejando cair no sono
o mal pensar sobre tudo
o sondar do vazio, do horror cósmico
a náusea do nada querer
o estar sempre em vigília por uma única divindade:
o sono
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Desaparecer de si, uma manobra sutil
Despir-se dos interesses, um a um
Desejar? Apenas a cama, comida e o que ler
Labor? Apenas plantar e colher
Subtrair- se do zumbido cotidiano
Até o derradeiro dia
Burgueses põem seus funcionários como sabujos
Obedientes, a difamarem todos insurgentes
Cortam, editam e maquiam toda manifestação
Contrária a ordem
Alquimistas, transmutam vidraças
em seres vivos
seres vivos em cacos de vidro
Ilusionistas, vendem a privatização
como panacéia social
Mestres- escola, põem o exército a desfilar
Alegando pacificar
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Várias tentativas de escrever
em vão, uma e outra vez
Suor e angústia caem sobre o papel
Mas nada de tinta
Nada de versos
A mão, como que fossilizada
se nega a escrever um epigrama sequer
São ilhas, de areia marrom, rosa ou amarelada
Com linhas parecidas com anéis de Saturno
Despontando em cada delas um farol
Ora discreto, pra intumescido