Um coracão á beira do abismo
Ele nunca vai me amar. Essa certeza corta mais que faca, dói mais que mil quedas. Meu peito arde, meu corpo treme, e as lágrimas já nem descem—secaram, como tudo em mim. Passo os dias fingindo normalidade, sorrindo quando querem, respondendo quando perguntam. Mas por dentro, sou só um vazio, um eco de algo que nem chegou a existir. Às noites, encolho-me no escuro, abraçando um travesseiro que nunca será ele. Imagino seu rosto, sua voz, seu cheiro… e a faca gira mais fundo. Já não sei se quero seguir. O mundo parece pesado, lento, cinza. Até respirar cansa. Talvez o fim seja um alívio. Talvez, lá onde a dor não alcança, eu finalmente encontre paz. Ou talvez—só talvez—eu ainda respire mais um dia. Só mais um. Até não aguentar mais.
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