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Eu, apenas eu

@danirl17375 · desde 2019

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Amor

Razbliuto

Nada melhor para destruir nossas fantasias Do que a realidade. A realidade do tempo Da mudança Da flacidez De ser outro e não mais o mesmo. Então o sujeito percebe seus defeitos Seu armagô Vê que nada é como é e nem como foi Então o sujeito se decepciona Mas como se pode viver sem ter fantasias?

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Amor

(!)

Ela surge dos mortos mais uma vez Em um momento aleatório de um dia talvez Lembranças de uma época vem à tona. As coisas giram e retornam E retornam "Porque?" Se pergunta As coisas nunca tem fim. Olho para ela e me sinto um menino Carrego comigo o dia que nos conhecemos Lembro do dia que nos separamos. Ela retorna das sombras Há tudo em seus olhos Tão certo E tão errado. Ela caminha em minha direção Observo ela Sua boca Seus olhos. Nunca reparei na boca de uma mulher São sempre os olhos Sempre os olhos de qualquer um. Agora gravo cada detalhe de seu corpo O tempo passa Uma ruga surge aqui Outra ali. Beijo ela e tudo acontece Conexão como engrenagem numa fábrica de montagem. Passo por onde vivia todos os dias Não resta sombras Tudo se espiralou a um ponto. Já não somos mais os mesmos Eu mudo tanto Saio pela metade Pulo de grupo em grupo como se não me aceitassem Como se não fizesse parte.

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Lágrimas

Penitência

A luz do relógio iluminando a parede Minhas mãos ensanguentadas  Manchando Minha camisa verde Minhas pernas paralisadas Não consigo me acalmar Não consigo parar de pensar  Uma faca entra perfurando Você sente ela rasgando Sua vida passar em um minuto  Não sobra nem mais um segundo  19 anos no auge da juventude  E tudo se perder quando uma ideia te ilude Cheguei em casa sem saber onde pisava Não via nada, nem o olho piscava Na escada cambaleando  Como um acordar, como um bêbado andando  Sirenes em algum lugar  Tremia só de escutar.  Minha cabeça pesada 20 quilos nessa caminhada  Cena a cena retornava Uma mistura de ódio e violência que tira minha paciência. 5 da manhã o sangue grudado Tento tirar com um banho gelado Minha cabeça doi Sinto um frio na espinha E a sensação de que essa vida não é mais minha No sofá reclinando Sentia o olhar invisível dos meus pais me julgando. No bar com a minha mina e música rolando  Um cara na minha direção caminhando  Me esbarra querendo tirar satisfação  Penso "não, hoje não " Minha cabeça dói Não sei o que aconteceu  A mina caiu  E uma faca entrou em cima do quadril  Perdi o controle, meu sangue subiu  Encaro os olhos cerrando E 80 quilos desabando Você sai pra tomar um ar Com a esperança de alguma coisa melhorar Um dia tranquilo, uma noite calma Termina com a penitência da própria alma. Meus braços tremem incontrolávelmente Respiro, o ar não vem A fumaça do cigarro espiralando no espaço  Um momento  Um erro Um rumo sem volta Você comete Pela vida toda você se arrepende

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Morte

Incongruência

Se passaram 5 anos  10 anos E nada nunca esteve a caminho  Nada nunca fez sentido Observo sem saber o que olhar Caminho sem saber onde pisar. Tudo sombra de objetivos expirados  Tudo consequências de decisões mal tomadas. No fim das contas tudo é nada Oco Vazio  Uma armadura falsamente densa Escondendo um nada Um demônio que segue pelas sombras. Se tudo isso fosse diferente  Se tivesse escolhido o que deveria  Se tudo fosse como tudo deveria ser Um outro demônio com outros ohos Outra face E tão medonho quanto  Para tudo aquilo que seria se tudo fosse como devia.

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Uma corda sobre o absmo

Procuro em mim algum propósito  Algo que faça ter sentido E não encontro nada. Saio-me e vou procurar com a vista algum pensamento  Olhando sem olhar o céu noturno  Com o vazio da alma refletindo o vazio do universo. É fácil se perder É fácil encontrar uma resposta e fechar os olhos  Também é fácil ficar doente de uma doença irreal e sem antídoto. A metafísica das sensações mentais é transfomada nas físicas sensações de tormentos A mente transborda para o corpo  E o corpo treme em agonia. Nas escuras noites da madrugada  Os segundos do relógio ecoa pelo silêncio  Como grãos de areia em uma ampulheta  A colocar medo e sonho na caveira estampada. Solitário e inteiro  Inteiramente bem. A social e sentir falta  Falsamente em companhia. E um sentido em si nunca respondido.

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Agonia

Acordo e a primeira coisa que surge é uma ansiedade É um demônio que olha para mim Me recuso a abrir os olhos Me recuso a vê-lo. Tenho sono e não durmo Uma sensação indescrita corre pelo corpo Real Violenta Um murro de consequências.

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Sociedade

A visão de um politico

De baixo de um sol quente Sob um boné russo Um rosto marcado e sofrido expõe um sorriso. Seu corpo suado entrelaçando um político de sorriso amarelo No auge dos seus 40 mas aparentando ser mais velho Sorri para foto Implorando mais um voto. Por lugares não passados a anos Não frequentado a décadas Finge humildade Para uma platéia que espera credibilidade. De sapatos e paletó Discursa um sentimento de dó Nas mentiras No fingimento Na real Não possuem sentimento algum de lamento. Como uma deusa hindu Seis braços pendem de seu tronco Dois a vista em aperto de mão E quatro ocultos na corrupção.

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Um assassinato na rua

Um cara briga Acaba sendo esfaqueado No meio da rua seu pescoço jorra sangue Cambaleante e fraco tenta tapar a ferida Sua incapacidade é tanta que cai no chão Deitado ali tendo espasmos sua mente se afunila ao nada. Numa estória fictícia alguém correndo ia sair da multidão para ajudar Mesmo já estando morto. Mas é o espetáculo de uma TV hiper-realista Um teatro sem atores. Ninguém sai da multidão e carros passam sobre o sangue Seus celulares, antes de seus olhos, captam todo acontecimento. Na rua Nas manchetes Na internet Se aparecer Será apenas mais um corpo.

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Sociedade

Efêmero

Um tiroteio numa esquina Um assalto ao banco A morte de uma menina Uma guerra em algum canto Primeira página nos jornais semanais Vazio nas capas mensais Hoje algo novo que amanhã será velho

Nostalgia

Um dia destrui todas fotos que tinha Pra não ser atormentado pela agonia do tempo. Agora as imagens que sobreviveram trazem uma sensação inesperada. Agradável e vivaz De uma época que aparentemente É muito melhor que hoje.