NĂŁo te espero mais
Conversei com o rio e descobri que quando a ĂĄgua da nascente vai ela nĂŁo volta, sĂł desagua no mar
Tudo o que resta Ă© saudade, saudade de verdade, saudade do amor e da simplicidade, do conhecido e do abrigo, do que foi ouvido e do que foi sentido, saudade de tudo aquilo que jĂĄ foi vivido
Quando a ĂĄgua vai, tudo isso desmancha como areia, ela leva tudo com tanta rapidez e fĂșria, tal qual a correnteza
Por isso eu optei por me transformar no mar
Tudo sempre desagua por lĂĄ e todo mundo sempre para pra ouvir as histĂłrias que ele tem pra contar
E olha que nem nossa lĂngua ele sabe falar
Mas ele mostra tudo o que ele sente por ele passar
Como posso nĂŁo me apaixonar? NĂŁo querer possuĂ-lo ou dentro de um pote guardar? Ou atĂ© mesmo nele me tornar
Queria poder guardar as memĂłrias como ele guarda
Ler e reler elas toda vez que eu as visse passar
Sentir cada conto como uma onda
Quando ela vai, leva tudo com ela e quando volta, trĂĄs a saudade do que foi embora
Mas no oceano infelizmente nĂŁo consigo me transformar
Por isso eu decidi que sempre estarei a caminho do mar...
-đha0sl!na
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Eu escrevi sobre vocĂȘ
Falei que tinha medo, que doĂa
Mas que por vocĂȘ eu tentaria
âMe veja mudar a cabeça deles amorâ
Era o que eu pensava, era o que eu cogitava fazer
E vocĂȘ me dizia que acreditava
Mas eu escrevi sobre vocĂȘ
E todo mundo sabe o que acontece quando um poeta escreve sobre alguém
Parece até nome de manchete, quem diria que eu seria o tal do pivete?
Logo eu que sou poeta e nĂŁo aprendi amar
Todo o amor que eu tenho serve somente pra me beneficiar
Mas vocĂȘ foi cair na minha lĂĄbia, amor eu nem sequer me importava
AĂ vocĂȘ me deu atenção e disse que nĂŁo se importava com a minha confusĂŁo
Que meu azul era o Ășnico no seu coração
Eu acreditei,
cantarolei e até recitei
Eu escrevi uma carta pra vocĂȘ nĂŁo se perder na minha confusĂŁo que havia de querer conhecer
Mas eu sou poeta e nĂŁo aprendi a amar
Acabei por me apaixonar, mesmo sabendo que eu nĂŁo deveria te amar
Mesmo fingindo que era tudo mentira,
eu decidi me colocar bem no meio da sua mira,
pra vocĂȘ ter certeza de que iria me acertar.
E vocĂȘ sempre foi bom em atirar, nĂ©?
Desculpa meu bem, mas Ă© que eu nĂŁo sei me controlarâŠ
Fiquei encantada e quando me encanto, sempre acabo obcecada
Por isso não me peça pra ficar se eu estiver na beira do abismo
Porque se eu decidir me jogar
VocĂȘ nĂŁo sabe qual vai ser o tamanho do prejuĂzo
Afinal, eu sou poeta e nĂŁo aprendi a amarâŠ
-đha0sl!na. đč
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Eu escrevo poemas pra pessoas que nunca os verĂŁo
Escrevi cartas que jamais serĂŁo entregues diretamente
Eu misturo os predicados, embaralho os versos, confundo os sujeitos e ainda dizem que tĂŽ fazendo poesia
UĂ©, onde serĂĄ que foi parar aquela maldita Carolina?
Poesia sem nome e sem plateia, Ă© o nome do meu primeiro show de aquarela
Devo ter me perdido tentando encontrar as demasiadas cartas que nĂŁo tive coragem de entregar
Mas nĂŁo se preocupe que eu sempre sei o caminho pra casa
Ă sĂł que eu ainda escrevo cartas pra sujeitos que sempre serĂŁo ocultos
Ocultos pela poetiza que nĂŁo soube assinar nem o prĂłprio tĂșmulo
Me perdoe por nĂŁo me apaixonar e por me apaixonar demais
Por fingir os sentimentos que enviei ou nĂŁo retribuir aqueles que desejei
Eu só tentando não me machucar sem ter que machucar ninguém também
Mesmo jogando palavras numa folha de papel quando me sinto fracassar
Mesmo que isso acabe por te afetar
Porque eu sĂł tĂŽ tentando nĂŁo me machucar e te fazendo enxergar o quanto vocĂȘ fez eu me calar enquanto eu tentava nos consertar
Carolina? Onde vocĂȘ foi parar?
-đha0sl!na đ»
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Se vivo da arte sou errada
Se não vivo parece que estou sendo torturada, amordaçada
Se vivo da arte, meu Deus eu vou morrer de fome
Mas se nĂŁo vivo, como poderei lutar contra a fome?
Se vivo da arte me dĂŁo risadas
Mas se nĂŁo vivo, parece que estĂŁo me dando facadas
Porque tantas facadas se estou fazendo o que eles querem?
No fundo eu ainda finjo que eles nĂŁo me ferem
Se vivo da arte, eu vivo
Se nĂŁo, sobrevivo enquanto ainda consigo
Tentando não enterrar meu próprio cérebro, mesmo fazendo ele rugir
Mas nem meu coração parece conseguir fugir
-đha0sl!na đ«đ§
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Eu sei onde o monstro tĂĄ
E toda vez, eu tenho vontade de deixar ele se soltar
Eu sei onde o monstro tĂĄ e eu dei as armas pra ele atirar
Eu sei o que ele pode fazer e eu sei que se ele sair, ele vai fazer. Era pra ele usar para me protegerâŠ
Mas agora ele se virou contra mim; e jĂĄ tem um tempo que ele tĂĄ assim
O monstro Ă© parecido demais comigo, mas sĂł eu consigo enxergar ele
O monstro é parecido demais comigo, só que ele usa uma måscara, pra ninguém reconhecer ele
O monstro é parecido demais comigo, só que ele se esconde embaixo da própria pele. E assim, ele rasga. Tudo dentro dele. O monstro é parecido demais comigo, mas o problema, é que eu e ele somos interligados, se ele sente, eu também sinto, porém ele não chora, não grita nem tenta fugir, porque ele não sente a pele rugir
Porque pra ele Ă© normal, pra ele Ă© uau.
Mas eu sinto, eu sinto minha pele arder e meu corpo todo tremer
O monstro sabe o que faz, e o monstro nĂŁo me deixa gritar; o monstro nĂŁo me deixa sangrar; mas ele pode me fazer sangrar, ele sabe me fazer sangrar e ele me faz,
Sangrar.
Ele sabe que eu me submeto a ele e se aproveita disso
Ele me rasga, me queima e me arranha, mas esconde tudo isso debaixo da lĂngua
Fingindo que engoliu o comprimido.
Eu tento gritar, chorar e correr pra outro lugar
Mas mĂŁe, esse monstro sou eu.
-đha0sl!na. đ§
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Oi, sĂł tĂŽ passando pra te dizer que eu ainda te amo, mas agora eu me amo mais do que eu amo vocĂȘ. E Ă© por isso que estou deixando todas essas cartas que um dia pensei em te entregar mas nĂŁo consegui, por aqui. Espero que quando vocĂȘ abra a caixa de correios, se espante com quantas elas sĂŁo, sabendo que nĂŁo tem nem 5 meses que nos apaixonamos, que eu me apaixonei nĂ©, porque pra vocĂȘ, pra vocĂȘ era sĂł um passatempo, mas tudo bem, eu sempre soube que nĂŁo ia dar certo. VocĂȘ me tratava com desdĂ©m e eu como o coyote, corria atrĂĄs de vocĂȘ incansavelmente, mas vocĂȘ era sempre mais rĂĄpido, ligeiro, racional, o que posso fazer se eu sou a mais sentimental? Eu cantava pra vocĂȘ "quem Ă© mais sentimental que eu" e vocĂȘ me dizia "sĂł eu". Eu acreditava, eu sabia que era mentira, mas eu me forçava a acreditar porque eu te amava. Eu achei que vocĂȘ tambĂ©m poderia me amar se eu me esforçasse, mas daĂ, eu acabei me esforçando demais e vocĂȘ me disse que estava se sentindo sufocado, apertado, sem espaço. IrĂŽnico nĂ©, logo vocĂȘ que se dizia ser mais sentimental que eu, logo vocĂȘ que me falava que de todos os tons, o meu azul era o seu preferido. Espero que perceba que meu amor nĂŁo Ă© brincadeira e que hoje eu nĂŁo me deixo mais na bandeja, para escolherem o que, como e quando querem que seja. -đha0sl!na. đ
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Lembra quando te contei q conhecia uma xĂcara?
Uma xĂcara que eu acabei me apegando e a melhor companheira virando?
Te contei tambĂ©m q haviam quebrado a borda dela, vocĂȘ se lembra?
Eu estava falando de nĂłs dois. VocĂȘ a quebrou. (Quebrou a mim)
Mas mesmo assim, mesmo com todos os rachados que vocĂȘ fez,
Eu nĂŁo me desapeguei Ă aquela xĂcara.
NĂŁo a joguei fora, nem tentar consertar eu tentei!
Muito pelo contrĂĄrio,
Na verdade eu sempre tentava usar ela,
Mesmo sabendo que cada pedaço daquela xĂcara cortaria mais e mais uma parte de mim.
E aquele rachado,
JĂĄ nĂŁo era mais a mesma coisa de quando a xĂcara estava inteira
VocĂȘ me disse uma vez, "vocĂȘ que escolheu ir embora"
Mas e se eu quisesse voltar?
Depois de tanto tempo sem nem te olhar
VocĂȘ me perdoaria?
Sem no fogo me colocar?
VocĂȘ se importaria?
De outra chance me dar?
Para que eu pelo menos
Pudesse me explicar?
Eu sinto sua falta amor. Eu te quero de volta.
Me perdoe por ter ido embora, mas vocĂȘ me deixou na bota,
Ou melhor deixou o chĂĄ escorrer pela rachadura de propĂłsito,
Para que eu me queimasse e sentisse o seu Ăłdio,
Aquela sua raiva, mesmo sabendo que no fundo vocĂȘ ainda me amava.
E tudo bem, se falou mal de mim;
Se me xingou ou me "odiou" temporariamente quando eu fui embora,
Eu tambĂ©m fiz isso contigo depois que vocĂȘ me deu um fora, mas a verdade Ă© que nĂłs dois tĂnhamos medo.
E afinal, todos os caminhos levam a Roma nĂŁo Ă© mesmo? Sempre seremos como o gelo,
Se segurar por tempo demais, ele vai acabar queimando.
-đha0sl!na. đ§
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Eu sou tĂŁo difĂcil assim?
TĂŁo insuportĂĄvel, tĂŁo exagerada?
TĂŁo depressiva ou melodramĂĄtica?
TĂŁo sensĂvel a ponto de nĂŁo me escolherem por saberem que o material nĂŁo Ă© tĂŁo resistente e tem risco de quebrar fĂĄcil fĂĄcil?
Tão sem sal que não tem possibilidade de me amarem até o final?
TĂŁo exigente que parece que nem me considero como gente?
O que eles tem que eu nĂŁo tenho?
Porque eles sĂŁo e eu nĂŁo?
Fiquei tanto tempo esperando alguém chegar como chama no meu pulmão, que me deixei levar pela solidão.
Acho que neguei tanta invenção que faziam na expectativa de uma casquinha de mim tirar, que fez com que decidissem parar de me incomodar.
Mas eu só queria alguém para me abraçar, sem tentar um pedaço de mim arrancar.
Como fizeram quando tentei me apaixonar, mas me esfaquearam sem nem ter compaixĂŁo.
Serå que por isso... Eu congelei meu coração?
- Sempre me disseram pra pensar fora da caixinha, mas depois disso eu nunca mais consegui voltar pra dentro dela.
_By: TormentA. đ« (Ou đha0sl!na)
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VocĂȘ disse que ninguĂ©m me machucaria
VocĂȘ disse que estaria lĂĄ se eu precisasse
Então porque parece que estão perfurando até a minha espinha?
VocĂȘ realmente sabe como me fazer chorar, porque deixou ele me levar?
Nunca quis ficar quieta
Nunca quis ser uma boneca
Ele brincou de casinha comigo, mas eu nĂŁo queria aquele brinquedo
Ele disse que a gente ia se "casar", mas não botou uma aliança no meu dedo
Disse que ninguém iria me querer, que tive sorte dele me escolher
Me disse que era sĂł eu ficar quieta e aceitar
E assim me amaria além do altar
Eu jå não conseguia mais gritar, não tinha forças pra chorar
(eu nunca escolhi isso)
O que diz? VocĂȘ se arrepende do que fez? mas nĂŁo foi vocĂȘ quem me mandou ceder? NĂŁo foi vocĂȘ quem me deixou sofrer? E o pior Ă© que acreditei em vocĂȘ, mas vocĂȘ sabia.
Sabia oq fariam, sabia que eu nĂŁo aguentaria, sabia que isso me DES-TRU-I-RIA
E se fechou totalmente pra mim, enquanto eu precisava da sua ajuda
enquanto me abriam mais e mais bem ali, no meio da rua
NĂŁo quero suas flores sujas
VocĂȘ nĂŁo me deu enquanto eu estava ao seu lado, nĂŁo me protegeu quando eu precisava do seu cuidado,
Agora nĂŁo adianta se preocupar com a terra onde pisa
Ela jĂĄ me cobre por inteira.
-TormentA. (đha0sl!na) đȘŠ
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Correndo contra o tempo, ainda nĂŁo cumpri meu papel aqui.
Na ilusão de um sonho em que ninguém me machucaria tentei gritar,
Porém não conseguia mais chorar, não havia tempo eles disseram,
Me chamaram de louca por sentir de mais, parecia um pesadelo.
Hoje eu me pergunto, eu fui honesta comigo mesma?
VocĂȘ me dizia para nĂŁo mentir para mim mesma. Deveria ter aceitado sua proposta?
De ficar de olhos fechados ao céu enquanto as chamas se espalham?
Eu me vi queimar. VocĂȘ nĂŁo ouviu meus conselhos e agora o passado estĂĄ de volta.
A criança que vive em mim iria amar brincar de voar,
Talvez ela devesse tentar e mostrar o quĂŁo pode ser boa
Isso te faria chorar?
-đha0sl!na. đïž
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