Existe um tipo de emoção que flui. Aquela que encaixa, passeia, encanta.
Quando você sente a presença dela, talvez a primeira intenção seja tentar capturá-la. Mas quando você menos espera, ela some das suas mãos, como poeira brilhante.
Nesses pequenos momentos, o que resta são os fragmentos que ela espalhou no corpo e essa sensação de "quero mais".
Dormimos com a esperança que a emoção volte amanhã, mas talvez o amanhã nunca venha.
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Felicidade. Irmã da alegria, prima da euforia.
Se ela fosse água, os ambiciosos a privatizaram para ter acesso irrestrito à ela. Se ela fosse mais simples, talvez não houvesse tantas sessões de terapia em busca dela.
Mas o que é a felicidade, por si só?
É um óculos que muda nossa percepção?
Um bombeamento de sangue para um órgão específico?
Uma ideia inatingível?
Ela é o oposto da tristeza? Isso significaria que, onde as lágrimas acabam, a tristeza floresce?
Talvez a felicidade não seja, talvez ela só esteja. Esteja ali, nos emails finalmente enviados, na busca da compreensão sobre "porque eu fui feito?" e nas cantigas folclóricas que invadem minha cabeça à noite.
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eu sinto sua falta, mais do que eu realmente quero admitir
porém existe um grande espaço dividindo o "sinto sua falta" e "quero voltar", porque dentro dele existe as noites que dormi chorando, as manhãs que eu esperei ansiosamente uma mensagem sua e o choro que eu derramei pensando em problemas banais
ainda não tive gasolina suficiente pra banhar as memórias e retratos, mas me pergunto se realmente preciso fazer isso, e sei que eu preciso. sem isso, ainda viverei com as algemas da culpa, e acredito que eu não deva segurar elas sozinho.
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tive que esquecer do meu vinho favorito
meu álbum predileto
minhas poesias intrigantes
minhas roupas confortáveis
meu sorriso mais confiante
e meu choro mais sincero, porque eu tinha associado tudo à você.
você tinha outros cabelos mais bonitos em mente, com músicas novas e uma coisa que eu não podia te proporcionar: a realidade.
eu posso me acostumar com os pesos da algema da minha culpa, mas na minha consciência você também veste uma.
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naquela rua, 02:02 da manhã, foi um momento único fumar com você e conversar sobre a mente humana.
você ter 25 e pertencer à uma classe que eu nem poderia sonhar em participar eram indicativos de que eu iria cair em um poço com um fundo pontiagudo, mas no fundo, acredito que ainda consegui segurar na minha razão.
ainda vou ficar encantado pensando em como foi bom não ter entrado naquela festa pra te encontrar do outro lado da cidade, mas também vou precisar ser mais cruel comigo mesmo para não deixar as expectativas fora da jaula.
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acredito que além da solidão, deva haver uma macieira vermelha e fresca, com um gramado verde e felicidade abundante.
acredito que além do sentir solitário há uma ideia onde eu sou suficiente pra mim, mas que além de uma ideia abstrata seja um fato fisiológico.
acredito que além das tentativas amorosas falhas existe um lugar onde há aceitação sem a procura de respostas (que geralmente não vêm)
acredito que tudo tem um propósito, um ângulo correto, uma minutagem perfeita e um enquadramento perfeito, mesmo que eu não acredite fielmente em um Deus católico (porque acho que ele não gostaria de mim)
acredito que eu acredito muito. acredito que muitas das coisas que acredito são, na verdade, coisas que eu gostaria de fazer, mas não tenho coragem.
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Weber cita um "desencantamento social", sendo como uma espécie de racionalização do mundo real, enquanto Durkheim cita "anomia" como a perda do interesse da vida.
Pulo da fase anômica para becos desencantados constantemente, uma vez que não existem mais aulas no período da noite, mensagens até meia noite, viagens inesperadas e a felicidade de tentar algo novo.
Tudo que restou foi uma esfera triste e invisível, do tamanho de um elefante, que ocupa todo os meus pensamentos e se esconde no meu quarto. Não existe mais aquela euforia de conhecer alguém novo, de fazer dietas e ver a evolução corporal ou escrever um poema e se orgulhar disso.
Mesmo depois de ter participado de uma lista enorme de erros ou tentativas frustadas, ainda me lembro de tudo muito bem. E acredito que a anomia vêm dado espaço para o niilismo.
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quanto você pagaria para ouvir conselhos de alguém que está desmontando?
você ao menos ouviria?
aquela pessoa que nem anda mais, só vaga
que dança com a vibração de tornados
que vai até o precipício pra pintar as unhas
que envia mensagens sem esperar mais respostas.
meus conselhos ainda seriam válidos se eu te contasse que atrás dos meus olhos não existe mais um universo expandido, mas sim um pedaço de carne pessimista?
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em qual parte da sua narrativa heróica eu estava?
a mocinha indefesa em apuros,
o personagem terciário insensível
ou o anti-herói que traz adrenalina pra história?
mesmo você já tendo escrito seu final e nunca ter me mostrado, você foi feliz durante o "nosso" enredo?
porque eu ainda sonho com você caminhando até mim e sendo tudo que minhas expectativas sussurraram
mas quando eu acordo, eu imagino você ao meu lado
me dizendo "você nunca vai saber o que me fez ir embora. lide com esse fardo ou deixe-o te engolir"
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diante dos escombros,
meu inconsciente sussurra:
"quem te derrubou desse jeito?"
porém, o mais interessante é que o meu consciente grita
"porque mesmo diante de tanta poeira e cimento você não se sente cheio?"
e, talvez
quando toda essa sujeira for limpa
eu realmente descubra a face da pessoa que tanto me assombra
(quem sabe, aparecerá uma foto minha)
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