Marcelo @celo
Vida

Eu escolhi

Às vezes, sinto falta dos dias de sossego. A solitude que escolho acaba me trazendo o abraço dolorido da solidão. Procuro motivos para continuar e, para falar a verdade, apenas um já seria suficiente. Não desisti de viver, mas desisti de morrer todos os dias. Afinal de contas, não pertenço a este mundo, e nem ele me pertence. Filipenses 1:21 resume a essência da vida com Cristo e da morte: Se vivo, é por Ele; e se morro, O verei face a face. No meu coração, sinto os efeitos dos dias que me escoro pelas paredes da vida, enquanto observo o sol da inquietude aquecer meus passos. Um dia pensei que a felicidade poderia estar ao lado de alguém. Entreguei meu coração e minha alma, mas ela foi embora e os levou consigo. Não perdi você porque você se foi, mas porque nunca tive você. Você partiu por você, e eu, finalmente, me reencontrei. Estar com você foi por um tempo; estar comigo é pra eternidade. Assim, caminho com passos que ecoam no silêncio, tentando encontrar em mim aquilo que perdi com você. As lembranças se tornam sombras que me acompanham e parecem mais vivas do que os próprios dias que ainda vivo. Mesmo na ausência, descubro que há uma presença maior, invisível aos olhos, mas palpável pelas mãos do meu espírito. Cristo é meu refúgio, e nas Suas promessas encontro o alívio que o mundo não pode me dar — muito menos você ou qualquer outra pessoa. Ele recolhe minhas lágrimas como sementes e delas faz nascer a árvore da esperança. Ainda que a saudade de mim mesmo, de outras versões minhas, me visite, sigo sozinho, porque os passos e o caminho são meus e o vazio que ficou é suportável e não é maior do que o amor próprio, aquele que me faz pensar em mim e me impulsiona em direção ao alvo. Estar entre pessoas é, muitas vezes, como estar sozinho. Seus vazios não se preenchem por si mesmos e trazem algo do seu próprio abismo, tentando completar o meu. Assim sigo, entre fins e começos, erros e acertos, lutas e vitórias e no fim, a solidão doída que me abraça é minha verdadeira companhia, porque sei que ela é minha.

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