Quanta beleza há nos segredos ocultos da tua mente
Complexidade tamanha que desafia os sentidos
Navegar nestas águas aguça meu lado travesso
Querendo explorar espaços não permitidos
Com sua licença, deixe-me entrar
Trago comigo as mais diversas perguntas
Que te reviram, cutucam, estremecem
Mas organizam sem deixar bagunça
Me chame pelo nome que quiser
Apresento-me não como teu algoz
Sou aliada do caminho que traçares na vida
Adentro pela margem de maneira feroz
Há quem busque correntezas previsíveis
Para navegar sem medo ou desconforto
Digo que não me assutam marés ou penhascos
Mantenho-me firme, sem fazer esforço
Quando o caminho parecer confuso ou nublado
No alcance da tua a mão, sentirá a minha
Só te peço firmeza, segurança, como uma espinha
Que sustenta meu peito sem fazer estrago
Quem vence ou ganha nesta troca não é você
Não sou eu também, entenda
Um barco que se rema junto é jornada compartilhada
Cada movimento feito com atenção plena
Do princípio te digo, enquanto observamos o que vem
Independente das águas, vorazes ou calmas
Segura teu remo e coloca tua alma
Na cumplicidade achamos o ritmo que convém
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Por que você se defende de mim?
Da felicidade que estampa o sorriso?
Por que coloca teu amor tão distante?
Tão alto, na última estante
Por cima dos ombros o olhar captura
Mar bravo engolindo registros
Ferroz é a força do tempo vivido
Devorando momentos de outrora
Tem amor de sobra em cada troca
Sentido com atenção plena e presença
O ar carregado de intenção e história
O presente é o único lugar, é o agora
Não se mede valor pelo feito
Pelo excesso ou falta dele
O peito sente onde faz sentido estar
Onde é o lar que acolhe o peito
É mensurável o quanto se adora?
Em gramas, litros, contas, horas,
Qual medida você usa pra saber?
Quando a marca máxima extrapola?
Veja, hora se deixa ir, hora retorna
Vida real não é ampulheta
Não tem areia pra recomeçar a história
Somos feitos de milhares de agoras
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Já posso escrever para você?
Ou ainda é muito cedo?
Devo dar voz as palavras do coração?
Ou habitar sob o medo?
Já posso falar sobre como tudo flui?
Sobre como a inseguraça rui?
Escrever sobre como teu abraço me acolhe
Sobre como não ligo que essa chuva me molhe
Verdade é que sou poeta experiente
Já compus sobre muita vivência, muita gente
Capturei sentimentos como um pescador
Na minha rede já veio de angústia a amor
E, apesar de diversa a caminhada de quem se arrisca
É também bonita e excitante
Pois entre tantas nuances, me sinto ainda mais viva
Com um grande repetório, história ímpar
Lanço-me novamente? Ou já é tarde para perguntar?
Sinto que não há mais o que controlar, está feito
Você chegou e fez lar no meu peito
Perdi e ganhei a batalha quando te deixei entrar
Vou abrir nova página neste livro
Coloco a caneta e minhas certezas na tua mão
Torcendo, pedindo, desejando
Que tenhamos tinta, coragem e disposição
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Se você falasse de falta, de ausência
Eu seria presença
A âncora que te amarra no presente
Que te faz sentir conectado no agora
Se você falasse de tédio
Eu seria a vida da festa
Traçaria roteiros, programas, eventos
Momentos para te gerar prazer
Se você falasse de dor
Eu seria analgésico
O colo que acalenta
O retorno ao equilibrío
Se você falasse de compromisso
Eu seria elo
A ponte entre presente e nosso futuro
Consolidação dos planos e sonhos
Mas você falou de amor
Da falta dele
E aqui, eu não sou nada
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É triste pensar e perceber
Que você nem nos deu uma chance
Não pensou no que poderia ser
Me viu de cima, mas não quis descer
Mal sabia que eu estava no alto
Mas não em cima de um orgulhoso salto
Apenas na altivez da minha plenitude
Consciência de quem ama e não ilude
Você não quis construir nossa história
Não segurou o tijolo das possibilidades
Dos contos que seriam nossa base
Tudo ficou num grande quase
Me fala você, é medo ou despreparo? Imaturidade ou receio do desamparo? Alguém te feriu e atravessou o peito?
Não me sinto segura quando me deito
Teu colo é provocativo e agitado
Abraço tenso e confuso
Pareces querer, mas não desfruta o uso
Confunde o sentimento daquela que te quer
Crime de amor contra uma mulher
Ainda mais uma do meu calibre
Forte e com coração livre
Disposta a plantar, colher e dar vida
Você não quis que a nossa história fosse vivida
Preferiu sabotar e boicotar o que poderíamos ser
Foi pessimista quando viu a flor crescer Fechou a janela, não deixou o sol entrar
O que você queria fazer? Me ver murchar?
Você nem deu uma chance real pra gente
Preferiu tudo o que é artificial
Plástico em quermesse de um real
Sem sopro e estrutura vital
Aqui não tem chão, não tem onde pisar
Só tem matéria prima para fantasias
Teu sorriso e calor serão memórias frias
Que perderão força com o passar dos dias
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Você não me pediu licença
Chegou e tomou teu lugar na mesa
Afastou os demais assentos
Se fez único, no centro
Observei com cautela
Desenho brotando sob a tela
Um artista de audácia peculiar
Sem pincéis ou cores singelas
Colocou tua verdade pra fora
Disse ao que veio sem demora
Tentou impor termos e condições
Não mediu suas ações
Encontrou em mim canva fresco
Para desenhar o que bem quisesse
Mas não espera aspereza ou rugas
Proporcional a como vieste
Brotou de mim quadro singular
Grande, explosivo e lúdico
As cores reluzentes e místicas
Que te tirou do rumo
Mal sabia o novato
Que sua intenção faz brotar verdade
Se me pinta com suavidade ou raiva
Verás teu reflexo na arte
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Tal qual um pássaro voando
Vejo de longe e em plano privilegiado
Tramas, narrativas, histórias cruas
Ligadas pelo futuro e passado
Cada enredo uma saudade
Um sonho, uma ânsia
Desejos de adulto, ganância
Medos de uma criança
Vejo de fora mas sinto por dentro
Habilidade que aprendi com o tempo
Planar sobre os problemas é ouro
Poder ver sob o olhar do outro
Nos teus passos observo medo
Insegurança e muita vaidade
Vejo as mil formas como se esconde
E as outras mil como invade
Um jogo que sai caro para teu par
Injusto com quem se entrega na rota
Ao esbarrar contigo o único desfecho
É viver sem ouvir tuas reais notas
Cantas sobre amor e entrega
Sonha com utopia romântica
Mas vives como um soldado armado
Ataca aquele que te ama
Na calada da noite pouso novamente
E trago as memórias do que vi e vivi
Talvez seja um dom que desenvolvi
Ou maldição despercebida
Busquei colher mais sobre ti
Voltei arrependida
Antes ficasse guardada no solo
Sem cutucar essa ferida
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Se você voltasse hoje
Eu choraria como uma criança
Navegando entre deleite e insegurança
Se você voltasse hoje eu dançaria na chuva
Misturaria minhas lágrimas com a água pura
Celebraria o milagre da espera
Enquanto as nuvens pesadas se dispersam
Se você voltasse hoje
Eu diria sobre a ferida aberta do meu peito
Sobre os sentimentos com os quais me deito
Sobre como clamei pelo amor verdadeiro
Se você voltasse hoje
Eu precisaria me recompor
Porque tua partida me deixou com dor
Em cinza, insaturada, sem cor
Se você voltasse hoje
Eu teria que repensar meu caminho
Porque você mostrou que anda sozinho
E eu estaria sempre a sua sombra
Se você voltasse hoje eu falaria mil línguas
Explicaria em cada uma delas minhas feridas
E como tive que tratá-las sozinha
Se você voltasse hoje
Eu seria um fita de locadora, rebobinada
Precisando revisitar toda sua história de traz pra frente
Tentando entender se nesse conto, ainda cabe a gente
Se você voltasse hoje
Eu seria minuciosa e cirúrgica
Contendo a empolgação e a luxúria
O desejo de me ver novamente sua
Se você voltasse hoje
Ah, como eu queria
Um novo começo para nosso encontro
Um versão de você que valeria
Eu dançaria na chuva
Falaria línguas
Entregaria meu coração
Me lançaria
Se você voltasse hoje
Eu me perderia
Então mantenho a porta fechada
E apago a lamparina
Volte amanhã, forasteiro
Não use meu amor de travesseiro
Não descanse em mim do seu dia travesso
Sou ninho de amor e oferta
Sou solo que se planta e rega
Então só venha se houver entrega
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Ti vi saindo por cima do ombro
Da minha cama, pele e mente
Foi um despedida silenciosa
Assim como tudo que envolve a gente
Vi migalhas de afeto criando rastros
Lembrando a mim mesma o que aceitei
Um beijo frio, um meio abraço
Um carinho que em prestações parcelei
Conta cara a se pagar, meu bem
Saí no prejuízo no fim do dia
Jurei que tinha nas mãos o lucro
Me vi contando fichinhas
Tudo pra justificar o nosso amor
Que plantei, reguei e floresceu
Criou raiz no meu imaginário
Mas aqui fora tinha solo precário
Não regou, morreu
Foi junto tudo o que poderia ser
Restou o aroma da possibilidade
Que me serve de inspiração para escrever
Você me fez sentir viva
Contando os dias e horas pra te ver
Um coração pulando de excitação
Tido como brinquedo na tua mão
Criança rebelde você
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Eu vou amar cada sorriso trocado
Entre olhares de provocação e descaso
Vou habitar o silêncio matinal
Regado de presença e negação
Estarei te esperando na porta do desejo
Onde estamos secretamente nos encontrando
Sentirei o calor da tua pele macia
Enquanto protejo meu coração de mim
Calcularei quantas horas faltam pra te ver
Nem que seja só para olhar teu caminhar
Negarei que te quero cada vez mais
Embora não possa enganar o arrepio da pele
Sonharei com teu abraço de entrega
Pedindo que ele não termine tão logo
O aroma do teu beijo na minha boca
Enquanto me afasto num casual adeus
Fecharei os olhos essa noite
Criando os mil e um cenários onde isso daria certo
Escrevendo contos que apenas eu lerei
Para escoar do peito a fome de você
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