Bianca Melo @bibi_mel

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Onde o céu pesa feito carvão molhado, eu giro o dial do peito procurando um sinal que ainda não morreu. A cidade acende luzes mas não ilumina ninguém. No chiado do rádio eu encontro o que não sei dizer. Se o céu está negro de ódio, eu mudo a estação. Talvez exista uma vida entre duas interferências. Caminho sozinho mas não estou só — há uma música me ensinando a respirar no escuro. No concreto frio das ruas cansadas, eu invento um amanhecer com três acordes e um pouco de fé. Procuro outra vida, não em outro lugar — mas em outra frequência dentro de mim.

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