A MEDIDA DE UM HOMEM
Não confundas a posição que ocupas com o valor que possuis. O mundo distribui honrarias, concede autoridade e se inclina diante de certos nomes, mas nenhuma dessas coisas torna alguém melhor por natureza. O verdadeiro exame começa quando tens poder para decidir e precisas escolher entre a conveniência e a justiça; quando encontras alguém de quem nada esperas receber e ainda assim lhe reconheces a dignidade; quando poderias agir de maneira desonesta sem que ninguém jamais viesse a saber. É fácil defender virtudes diante dos outros. Difícil é não as abandonar quando a vantagem pessoal parece justificar o contrário. Não podes exigir que o mundo seja justo, nem determinar o caráter daqueles com quem convives. Podes, contudo, vigiar as próprias escolhas e impedir que a conduta alheia se torne uma desculpa para rebaixares a tua. Que os títulos pertençam aos registros, as honrarias à memória e o poder às circunstâncias. A ti, cabe algo mais essencial: agir com justiça, conservar a integridade e não permitir que a posição que ocupas seja maior do que a pessoa que te tornaste. Porque nenhuma conquista exterior compensa a derrota de quem abandona o próprio caráter.
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