Tenho um pouco de preguiça
Das pessoas superficiais
Parecem casos mal contados
De uma noite e nada mais
Vivem jogando com o desapego
Brincando com suas emoções
Reclamando de não serem notados
Querem o centro das atenções
Com seus relacionamentos abertos
Seus trejeitos de espertos
Se esgueirando entre desculpas
Com sua pose de corretos
Refugiam-se em esquemas
Para não terem problemas
Rodeando cenários distintos
São variações de um mesmo tema.
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Antes de dormir
Sempre me vem ao pensamento
A loucura de ter-te aqui
Nem que seja por um momento
Os fios do teu cabelo
Tocando a superfície do meu peito
Os seus olhos me encarando
Como se quisessem me deixar sem jeito
O coração disparando como arma
O desejo indo e vindo como carma
A saudade encarando sem licença
Se convidando, se esquivando
Mesmo estando em sua presença
As estrelas brilhando
Fazendo o céu de letreiro
Nos beijos mais intensos
Nem se sabe quem ficou inteiro
Ambos se devorando
Se rendendo
Sempre querendo mais
Minhas mãos em seu cabelo
Lhe enfeitando
Como o mar e seus corais
No calor dos movimentos
Sua maquiagem já não vejo
Se revela na escuridão
A beleza que tanto almejo
Tua alma me vestindo
Como o mais elegante terno
A tua sombra se despindo
Como folhas de um caderno
Mesmo sendo só momento
Poderia ser eterno.
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Vi você por trás da tela
Numa foto muito bela
Mas, fiquei mais curioso
Com o que teu ser revela
Tua forma é mais singela
Quando todo adorno some
Contrastando com teus gestos
E a doçura de teu nome
Não lhe pedi o telefone
Pois, isto a pressionaria
Mas, sabia que de fato
Por simpatia o ganharia
Sei que sempre por nobreza
És bondosa à todo mundo
E isto faz-me interessado
Em querer-te mais profundo.
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Sou a raiva de Bukowski direcionada contra o amor
Sou discurso incompleto, inalterado contra a dor
Mais complexo que Pessoa no "Livro do Desassossego"
Sou o romantismo de Vinicius e Jobim em "Todo Amor"
Certamente, uma loucura que Focault não estudou
Uma espécie de teoria que Darwin não analisou
Provavelmente, uma época que Nostradamus não previu
Aparentemente, já fui algo que Aristóteles duvidou
Sou a calma de Cristo brotando no coração
A violência de Khan sendo domada pela razão
As palavras de King sobre a miscigenação
Sou eterna fita demo sem limite de gravação
Sou a luta diária entre as mulheres e o machismo
Minha própria hipótese, evidência, certeza e achismo
A busca sedenta dos antigos por conhecimento
Sou a soma de tudo o que penso e sinto num só momento.
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Solidão é grande porto
Quando o tempo é quase morto
É descanso e calmaria
De se estar onde estaria
É também quase querer
E ao mesmo instante não querer nada
Seu presságio reflexivo
Traz um brilho pela estrada
Pode ser uma saudade
Ou tristeza de estar só
Escuridão entre os dias
Dos males o melhor
São espasmos benéficos
Excessos maléficos
Silêncios autênticos
Companheiros genéricos
Um bálsamo pra dor
Uma tristeza pro amor
Sanidade pra loucura
Desejo sem censura
Um adoçante pro café
Um bom prato sem colher
Desespero pros perdidos
É a prece sem pedidos.
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Era pretérito imperfeito
Verbo bem conjugado
Quando encontrei-me infinitivo
Estando quase do seu lado
De singular fui à plural
Seria até condicional
Pra caber em algum verso
Infinitivo pessoal
Afirmativo ou negativo
Imperativo, indicativo
Não me importa conjugar-te
Por acaso ou sem motivo
De simples fui à composto
Um hífen entre nós foi posto
Era tão substantiva
A imagem do teu rosto.
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Você tem um brilho no olhar
Um jeito de me fazer ficar
Te olhando, te observando
E mesmo com o rosto timidamente virando
Sua presença continua me puxando
Beleza poética, magnética
Frenética em meus pensamentos
Simpatia que se integra
Que me alegra
O rosto, o corpo, a alma
Que me atrai o gosto,
me desespera e acalma
Por minutos lhe fitando
Por horas me afogando
Em meus próprios pensamentos
Calmos, rápidos ou lentos
Fragmentos, momentos, sentimentos
Que nem sei como explicar ou expressar.
Queria me perder entre seus cabelos
Como quem se perde em floresta densa
Fazer de teu carinho a cura
E de teus beijos minha única doença
Fazer de morada seus braços
Perder-me de vista entre seus laços
Até que meus olhos
Não consigam enxergar os teus passos
Me libertar de suas asas
Como pássaros no ninho
E voltar a te ver
Como quem já sabe o caminho
Ter a sua companhia entrelinhas
Entre olhos e lábios
Entre os leigos, aprendizes ou sábios
Entre o bem e o mal
Sem vírgulas, reticências ou ponto final.
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A paz que todos querem
Não se encontra nos jornais
Não se encontra nas revistas
Não se vende em manuais
A paz que todos querem
Mora no sorriso amigo
Que mesmo em meio à guerra
Aparece para nos dar abrigo.
A paz que todos querem
Não se encontra no dinheiro
Por mais que todas as pessoas
Vivam atrás dele o dia inteiro.
A paz que todos querem
Está em fazer o bem
Sem pedir alguma coisa em troca
Sem precisar mostrar nada à ninguém.
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Sua presença atingiu-me feito flecha
Brecha aberta dentro do peito
Sempre distante dos seus olhos
Mostro-me sem jeito
Mas, se somente me destes um sorriso
Torto ou preciso,
Já me daria por satisfeito
Ao mesmo tempo em que lhe quero
Por segundos, minutos e horas lhe espero
Por momento, por instante
Por contínuo, por constante
Por sempre, por talvez
Por agora ou todo mês
Por último, por primeiro
Por metade e também por inteiro
Tento fugir
Sabendo que vou cair
Torcendo até
Querendo enfim
Me render
Me perder
E na curva dos teus lábios me prender
Tão certo quanto a própria certeza
É a simplicidade de sua beleza
Clara, rara, radiante
Plena, fina, elegante
Sua atitude franca
Sua pele branca
Seus gostos, rostos e expressões
Laços, passos, emoções
Anseio por ouvir-te em cada pedaço
Ponto, vírgula, traço
Sem invadir qualquer parte de seu espaço
Sem eu, sem nós,
Apenas olhares e o som da sua voz
Seus lindos cabelos longos
Deslizando como onda
Captando minha atenção
Como frequências de uma sonda
Seus lindos cabelos longos
Se mexendo com o vento
Mudando de direção
Sem ritmo ou movimento
Deslizando na superfície de meus medos
Único lugar onde anseiam tocar meus dedos
Seu lindo rosto se desenha
Sobre meus tímidos pensamentos
Se esvaem na sombra, na luz
Na vagarosidade de meus momentos
Não consigo
Querer-te, deixar-te
E um pouco de mim entregar-te
Ainda que se acabem os tempos.
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Às vezes não me encaixo
Me procuro e não me acho
Me olho e não me vejo
Me amo, mas, não me desejo
Me vou, mas, não me venho
Me dou, mas, não me tenho
Me sinto, mas, me contenho
Me fujo, mas, me detenho
Me ouço, mas, não escuto
Me falo, mas, não discuto
Me quero, mas, não luto
Me espero, mas, me adianto
Me toco, mas, não me canto
Me encorajo, mas, sinto medo
Me demoro, mas, chego cedo
Me devoro, mas, sinto fome
Me conheço, mas, não me reconheço
Me lembro apenas de ter um nome.
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