Foto de Arthur Xavier

Arthur Xavier

@arthxvrr · desde 2022

Apenas repostando coisas que escrevi há alguns dias ou anos atrás.

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Superficiais

Tenho um pouco de preguiça Das pessoas superficiais Parecem casos mal contados De uma noite e nada mais Vivem jogando com o desapego Brincando com suas emoções Reclamando de não serem notados Querem o centro das atenções Com seus relacionamentos abertos Seus trejeitos de espertos Se esgueirando entre desculpas Com sua pose de corretos Refugiam-se em esquemas Para não terem problemas Rodeando cenários distintos São variações de um mesmo tema.

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XVI

Antes de dormir Sempre me vem ao pensamento A loucura de ter-te aqui Nem que seja por um momento Os fios do teu cabelo Tocando a superfície do meu peito Os seus olhos me encarando Como se quisessem me deixar sem jeito O coração disparando como arma O desejo indo e vindo como carma A saudade encarando sem licença Se convidando, se esquivando Mesmo estando em sua presença As estrelas brilhando Fazendo o céu de letreiro Nos beijos mais intensos Nem se sabe quem ficou inteiro Ambos se devorando Se rendendo Sempre querendo mais Minhas mãos em seu cabelo Lhe enfeitando Como o mar e seus corais No calor dos movimentos Sua maquiagem já não vejo Se revela na escuridão A beleza que tanto almejo Tua alma me vestindo Como o mais elegante terno A tua sombra se despindo Como folhas de um caderno Mesmo sendo só momento Poderia ser eterno.

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Soneto VI

Vi você por trás da tela Numa foto muito bela Mas, fiquei mais curioso Com o que teu ser revela Tua forma é mais singela Quando todo adorno some Contrastando com teus gestos E a doçura de teu nome Não lhe pedi o telefone Pois, isto a pressionaria Mas, sabia que de fato Por simpatia o ganharia Sei que sempre por nobreza És bondosa à todo mundo E isto faz-me interessado Em querer-te mais profundo.

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Ser

Sou a raiva de Bukowski direcionada contra o amor Sou discurso incompleto, inalterado contra a dor Mais complexo que Pessoa no "Livro do Desassossego" Sou o romantismo de Vinicius e Jobim em "Todo Amor" Certamente, uma loucura que Focault não estudou Uma espécie de teoria que Darwin não analisou Provavelmente, uma época que Nostradamus não previu Aparentemente, já fui algo que Aristóteles duvidou Sou a calma de Cristo brotando no coração A violência de Khan sendo domada pela razão As palavras de King sobre a miscigenação Sou eterna fita demo sem limite de gravação Sou a luta diária entre as mulheres e o machismo Minha própria hipótese, evidência, certeza e achismo A busca sedenta dos antigos por conhecimento Sou a soma de tudo o que penso e sinto num só momento.

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Solidão

Solidão é grande porto Quando o tempo é quase morto É descanso e calmaria De se estar onde estaria É também quase querer E ao mesmo instante não querer nada Seu presságio reflexivo Traz um brilho pela estrada Pode ser uma saudade Ou tristeza de estar só Escuridão entre os dias Dos males o melhor São espasmos benéficos Excessos maléficos Silêncios autênticos Companheiros genéricos Um bálsamo pra dor Uma tristeza pro amor Sanidade pra loucura Desejo sem censura Um adoçante pro café Um bom prato sem colher Desespero pros perdidos É a prece sem pedidos.

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Tempos

Era pretérito imperfeito Verbo bem conjugado Quando encontrei-me infinitivo Estando quase do seu lado De singular fui à plural Seria até condicional Pra caber em algum verso Infinitivo pessoal Afirmativo ou negativo Imperativo, indicativo Não me importa conjugar-te Por acaso ou sem motivo De simples fui à composto Um hífen entre nós foi posto Era tão substantiva A imagem do teu rosto.

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Você

Você tem um brilho no olhar Um jeito de me fazer ficar Te olhando, te observando E mesmo com o rosto timidamente virando Sua presença continua me puxando Beleza poética, magnética Frenética em meus pensamentos Simpatia que se integra Que me alegra O rosto, o corpo, a alma Que me atrai o gosto, me desespera e acalma Por minutos lhe fitando Por horas me afogando Em meus próprios pensamentos Calmos, rápidos ou lentos Fragmentos, momentos, sentimentos Que nem sei como explicar ou expressar. Queria me perder entre seus cabelos Como quem se perde em floresta densa Fazer de teu carinho a cura E de teus beijos minha única doença Fazer de morada seus braços Perder-me de vista entre seus laços Até que meus olhos Não consigam enxergar os teus passos Me libertar de suas asas Como pássaros no ninho E voltar a te ver Como quem já sabe o caminho Ter a sua companhia entrelinhas Entre olhos e lábios Entre os leigos, aprendizes ou sábios Entre o bem e o mal Sem vírgulas, reticências ou ponto final.

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Poema Sobre Paz

A paz que todos querem Não se encontra nos jornais Não se encontra nas revistas Não se vende em manuais A paz que todos querem Mora no sorriso amigo Que mesmo em meio à guerra Aparece para nos dar abrigo. A paz que todos querem Não se encontra no dinheiro Por mais que todas as pessoas Vivam atrás dele o dia inteiro. A paz que todos querem Está em fazer o bem Sem pedir alguma coisa em troca Sem precisar mostrar nada à ninguém.

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Presença

Sua presença atingiu-me feito flecha Brecha aberta dentro do peito Sempre distante dos seus olhos Mostro-me sem jeito Mas, se somente me destes um sorriso Torto ou preciso, Já me daria por satisfeito Ao mesmo tempo em que lhe quero Por segundos, minutos e horas lhe espero Por momento, por instante Por contínuo, por constante Por sempre, por talvez Por agora ou todo mês Por último, por primeiro Por metade e também por inteiro Tento fugir Sabendo que vou cair Torcendo até Querendo enfim Me render Me perder E na curva dos teus lábios me prender Tão certo quanto a própria certeza É a simplicidade de sua beleza Clara, rara, radiante Plena, fina, elegante Sua atitude franca Sua pele branca Seus gostos, rostos e expressões Laços, passos, emoções Anseio por ouvir-te em cada pedaço Ponto, vírgula, traço Sem invadir qualquer parte de seu espaço Sem eu, sem nós, Apenas olhares e o som da sua voz Seus lindos cabelos longos Deslizando como onda Captando minha atenção Como frequências de uma sonda Seus lindos cabelos longos Se mexendo com o vento Mudando de direção Sem ritmo ou movimento Deslizando na superfície de meus medos Único lugar onde anseiam tocar meus dedos Seu lindo rosto se desenha Sobre meus tímidos pensamentos Se esvaem na sombra, na luz Na vagarosidade de meus momentos Não consigo Querer-te, deixar-te E um pouco de mim entregar-te Ainda que se acabem os tempos.

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Às vezes

Às vezes não me encaixo Me procuro e não me acho Me olho e não me vejo Me amo, mas, não me desejo Me vou, mas, não me venho Me dou, mas, não me tenho Me sinto, mas, me contenho Me fujo, mas, me detenho Me ouço, mas, não escuto Me falo, mas, não discuto Me quero, mas, não luto Me espero, mas, me adianto Me toco, mas, não me canto Me encorajo, mas, sinto medo Me demoro, mas, chego cedo Me devoro, mas, sinto fome Me conheço, mas, não me reconheço Me lembro apenas de ter um nome.

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