Foto de Tormenta

Tormenta

@apenas_um_delirio · desde 2023

Me diga algum bom, real, motivo para viver, não pense demais. Pois, então, não será verdade. Sou apenas um delírio de caos e tempestade.

117 poemas 35 seguidores 12 seguindo

Seguir

Águas passadas

As águas que se mostram hoje, translúcidas: Revelam-se as verdades. 🌊 Águas passadas, nebulosas, que não se revelava nada. Se escondia. 🌫 Águas mortas, distante da esperança das águas vivas, que por mais que belas, matam. 🪼 Em todos mares. Te nadei. Mesmo sem saber nadar, o fiz. 🌀 Mas agora, tentando nadar para a nascente. Para o começo. Quando tudo era mais fácil.💧 Vejo que não dá para nadar para as águas passadas, pois essas já foram. 🌬 Nadando para trás.🌀 Tentando desesperadamente nadar para o topo de uma cachoeira. Que vive me derrubando. Será possível subir lá? Com tamanha correnteza e irrealidade. 🌊 Mas não quero me afogar.

Continuar lendo

Como eu me sinto

Nessa tarde, recebi um abraço de expectativa e saudade, deixando um gosto de quero mais. Um curto período de olhares. Apenas. Nada íntimo, nada superficial. Mas... nada. Foi? ​Agora, nessa noite, recebi um abraço de espinhos. Um suco de pregos enferrujados com berinjela crua. Por que a berinjela é tão amarga crua? É uma dúvida singela. E porque os pregos vão me enferrujar por dentro. É resposta? É como beber pedra. Respirar água. Comer pólvora. E constantemente pensar em quando vou explodir. ​Essa bomba de sentimentos é quem sou: confusão. Laranja exclamado que contrai a pele, no roxo sufoco que aperta cabeça e peito. Pegue o sino da minha voz e cutuque minha garganta. Incomoda, né? Desembaraça esse nó que se formou em mim. Desenrola o bolo de pensamentos confusos. ​Injure a loucura que digo e escrevo, ninguém entende o roxo e o laranja como entende o amargor da berinjela ruim. Injure meus pregos, plantados na minha fome constante, pregados a me destruir por dentro. Injure o entendimento. Injure como eu me sinto. Injure isso tudo. Só não injure o fato de que eu sinto. De fato. E se eu sinto, não injure meu sentimento. Por mais doloroso e confuso que seja.

Continuar lendo

Nem um dia

PIII Mas, onde estiveres, se não nos meus sonhos? Tu, meu querido, tens sido meus sonhos desde então? Um sonho tão impalpável, mas lúcido e tão sentido. Como que minha pele arde ao seu toque? Como que minha boca suspira em teu beijo? Tu és meu maior sonho, de fato sempre fora. Levanto-me quase arrastada pelo vento que segue em direção a janela e vou a ela, no parapeito, fico. Os céus parece brilhar ainda mais agora com lucidez. Cada estrela, cada respirar, cada nuvem que transborda no céu. Espero que seja tão tolo quanto eu, que assim como a mim agora - ardendo em saudades -, olhe para a estrela mais brilhante e converse com ela, deseje-a a mim. Assim como eu à tu. E digas do fundo do seu ser - já sem voz para dizer -, não durmas tão tarde. E eu o direis, querido, não se preocupes, nem um dia o farei, para que me venhas a sonhar - meu maior sonho. Tu.

Continuar lendo

Nem um dia

PII Mas se casar meu espírito ao teu, não poderás deixá-lo mais. Deixarias, tu, a mim? E quando vi, não havia dormido. Mas de repente sobe a mim o seu cheiro; E o seu gosto se faz presente; Enquanto no céu da boca, ausente. Tu estás. Quase como um pecado ter de dormir sozinha enquanto tu desejas que eu não vá dormir tarde, que eu tenha uma boa noite. Eu, deitada nua, a carne tão fria que arde de saudades - descoberta dos lençóis que prendem o seu cheiro, só. Sinto-o me abraçar por trás, beijando minha nuca. Agarra-me mais a ti, quase suplico; não me soltes. Seu calor basta para esquentar por esta noite, assim quem sabe, nos seus braços possa dormir bem. Assim terás a certeza de que não irei dormir mal. Quase como um delírio, ouço dizeres um "amo-te", soando como um sussurro preso a tua alma, como se soubesse que só aquilo bastaria para eu dormir. Tão suave como uma névoa, és a neblina, a garoa, a geada. És a calmaria que me vem após a tempestade - quase como intangível e intocável, transparente, quase uma ilusão aos meus olhos. Digo a ti, finalmente em resposta: Amo-te ainda mais. Ainda estás aqui comigo? E como resposta sinto-o me agarrar mais ainda. Não me deixes, digo. E tu me abraças ainda mais. Seu calor me afaga. Como se pudesse congelar o tempo e segundos fossem uma eternidade contigo, ao mesmo que passas tão depressa. Amor, quando dormires, sonharás comigo? Assim quem sabe, se sonhares verdadeiramente, sonharei com você também. Poderemos nos encontrar em vossos sonhos - e nesse encontro uma dança entre almas que se fundem. Quase clamo em seu nome. Sonhe comigo, assim dormirei bem. Não és o que desejas? Quase como um susto, acordo. Nem percebi quando cai a mim mesma. Você não está em meus lençóis, nunca esteve. Seu calor não fora nada além do que minhas lágrimas, em chamas, que escorriam sobre minha pele; Seu cheiro não fora nada além de sua memória que agarrei-me a não soltar mais; O segundos que se passaram sem tu, de fato foram uma eternidade, mas o tempo não congelou - e você não está aqui.

Continuar lendo

Nem um dia

PI Uma vez disse-me ele. Não durmas tão tarde! E bastou para tirar-me uma gargalhada, havia me desconcertado. Justo a minha pessoa? A dama da noite que repele os sonhos; Que, quando há de devanear, há também de vir uma névoa de pesadelos. Quem eras para dizer-me o que fazer? Logo pus a dizer. Não tenho mais sono, por quê dormiria, se sequer sonho? Virás salvar-me de meus próprios pesadelos? Imaginei por um breve momento, se és amável ao ponto de desejar-me um bom sono, poderias tu, garantir-lo? Poderias deitar-se com meu corpo nú sem antes deitar-se com minh'alma? Não. Não quero corrompê-la, se não ficares comigo não valerá a pena. De que adiantaria, dar meu corpo a ti sem dar a alma? Se dou-me a casca, e tu a corrompes, deixarás em mim uma ferida incurável - mas ao menos não terei entregue minh'alma à perdição absoluta. Porém, se dou-me o âmago, e tu o corrompes, deixarás a mim um vazio imensurável- não haverá, sequer, resquício tanto de minh'alma quanto de minha casca plena. Deixarás a mim tanto sem alma quanto sem corpo, e já não terei mais onde habitar. Mas, se não dou-me por completo, em corpo e alma, não amarei a ti por completo. O que farás? Então se me amas, aceitarás a mim, apesar dos meus defeitos? Aceitarás a mim por completo? Mesmo sabendo que minha casca é coberta por cicatrizes e minh'alma é impura e imperfeita. Se me amas mesmo, não esperarás de mim meu corpo e alma. Se me amas, espere por mim, não com desistência e pesar; mas com insistência por apenas querer estar. Se me amas sem esperar em troca; Se me provas esses amor, darei a ti três incontestáveis, que superam o corpo e a alma. "Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o amor". Pois elas, juntas, ultrapassam a necessidade de doar-me em terra. Se me amas - e este amor é verdadeiro -, terás a mim por espírito, em total completude. Se me amas, eu lhe amarei assim como ama a mim. E então, já não serei mais merecedora desse amor puro, pois serei falha demais perante a genuína pureza tua.

Continuar lendo

Um curto conto sobre a vida

A vida é o sopro do vento, o sol após o tormento. A morte é a queda e a tempestade, é o afogar-se na realidade. A vida? Bem... poderia dizer que é bela e efêmera. Conflituosa, mas, serena. Ah morte? Olha... não poderia dizer o que não pode-se ser dito. Pois a morte é um dia a ser vivido. E no final, a vida passou voando e a Morte me disse cantando: As estrelas brilham em seu pranto.

Continuar lendo

Feitiço

PII: Mesmo sem luz continuo a brilhar Sou a chama que arde em tua pele Sou o fogo que incendia mas repele Eu sou a brasa, mas não sei queimar Sou a tempestade a clamar Trago a tormenta em vento Causo um furacão por dentro Sou ventania, mas não tenho mais ar

Continuar lendo

Caldeirão

PI: Estou transbordando de ódio e confusão. Sinto raiva de mim, não sei a razão; Sinto falta de porquê Mas já não sei dizer. Estou sem motivos para desaguar. Mas, ainda sim, sou dilúvio a cantar; Sou maré descontrolada que afoga a alma Mas não sei nadar sem calma.

Continuar lendo

Silencio

Em seu silêncio, minhas desculpas. Mas você não pode me ouvir, não mais.

Silencio

Nem sempre o silêncio significa a calma.