Ana Ellwanger @ana_ellwanger
Vida

Pessoas Reais

Hoje, enquanto volto do serviço de ônibus, vi pessoas reais. Cansadas, algumas com seus fones de ouvido e o celular na mão. Outras, inteiramente pensativas, observando outros semblantes passando pela roleta, e alguns suspirando forte, tentando consolar o corpo agitado. Esquecemos que todos nós, no final do dia, temos algo em comum: nenhuma vergonha de deixar à mostra o peso do mundo. O peso da rotina, daquela tarefa incompleta, da casa bagunçada, da conversa pendente com a pessoa amada. Das ligações da Claro, do rolê marcado sem ter desejado, dos pensamentos aflorados e, tampouco, acumulados. Daquela carne que fiquei de tirar do congelador, das conversas alheias carregadas de inveja e rancor, das piadas sem graça (mas preciso rir para não ser chata). Das horas que passam devagar ou rápido demais, do uniforme que não secou, do tempo que não volta mais. Todas as inconveniências do dia, por mais incômodas que sejam, fazem parte de algo maior. Que, sinceramente, não faço ideia do que possa ser! Sobrevivemos no automático, e isso me soa engraçado, porque, mesmo quando paramos, ainda assim estamos nos apressando em algo. Como, por exemplo, na última parada do ônibus, com todos se empurrando na intenção de sair na frente, quando, na verdade, as portas nem abertas estão. Imagino que dizer isso também é bonito, não? Mas é aquilo. Porque a vida é assim: Corremos, ficamos inquietos, depois encontramos consolo, um carinho, uma esperança e, no dia seguinte, um pouco de força para mais um dia.. .· Como deve ser o peso do mundo para cada um daquele vagão? E, enquanto escrevo e me pergunto isso, ele já esvaziou. Ass: Ana Ellwanger

Comentários · 1

  1. Anderson Chaider

    a realidade aí