amarelo
Sofá
Quarto
Vinho
Batom
Vermelho
Meu rosto no espelho
Cortina
Preta
Fumaça
Ar
Falta
Chão
Roupa
Quarto
Sala
Sofá
Água
Cabelo
Suor
Espelho
Eu
Nós teus braços
Um total de zero medo
Um total de mil segredos
Espelho
Elevador
Beijo
Um total de zero apego
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Escrevi teu nome
Não, não foi na areia
Escrevi com giz de cera
Numa folha pautada
Enquanto fazia o dever de casa
Pra ver se um dia a gente casa
Cê anda por onde ?
Odeio o tanto que se esconde
Mas amo mesmo chamar teu nome
Mas entendo que você seja discreto
Só que eu, não
Por isso, roubei
Até as letras do alfabeto
Pra soletrar seu nome
Pra sempre do jeito certo
Se seu nome é Marcelo, Roberto
Tá aí um grande mistério
E pra todo mundo
Falar o tempo todo de você
Coloquei seu nome no SPC
E nós créditos da tv
Por isso não estranha
Se a Ana Maria falar teu nome
No final do mais você
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Dentro da poesia cabe
Todas as minhas dores
Todas as dívidas, medos
Segredos, desejos, desapego
Dentro da poesia cabe
Toda busca por atenção
Todo sentimento de inadequacao
E que se danem as rimas, métricas
Gramática até uma tal de estilística
A poesia é maior que tudo
Na poesia, você pode tudo
Na poesia, você fazer o que quiser
Contrária até a estatística do IBGE
Na poesia cabe a criança, a mulher
Cabe a lembrança, o sonho
O passado, o certo e o errado
A piada, o protesto e o namorado
A roupa, a veste, o pudor e o pelado
Na poesia cabe, você, eu
Nós, todo mundo, o infinito
O segundo, o terceiro, o último
O primeiro e o derradeiro
O sono, a energia e a apatia
O cansaço, o sucesso, o fracasso
O pouco, o muito, um bocado
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Escrever sobre mim
Só sobre mim
É egoísmo?
Eu faria toneladas de poemas
Para me, mim, comigo
Praticando o que chamam
De amor, egoísmo, narcisismo
Vinicius de Moraes muito escrevia
Para todos amores que vivia
Não entenda mal, eu sou super
Super fácil de apaixonar
O problema é que
eu também tenho tdah
daí eu esqueço o amor
Antes mesmo de começar
Nesse momento, você tá lendo
Esse poema é fazendo haha
Eu amo o amor e amo amar
Mas ultimamente,
O amor próprio tem sido
Sei lá, um ópio
Eu acho que esse negócio
De poemas
talvez seja
No fim do dia
Um problema
No fim do dia,
O poema é esquecido.
Seja feito pra quem for
Seja feito numa página
De um caderno mesmo
Desses que você tem em casa
Ou se é feito para alguma página
Dessas da Internet, lugar onde
Você nada vê e tudo esquece
Aliás,
Você até vê, mas não enxerga
Você até lê, mas depois despreza
Então,
Fazer um poema já é um problema
Ser um poema é outro bem pior
Você pode até escrever sobre sei lá
Várias pessoas e pra sempre se sentir só
Então, entre todas as pessoas
Eu fico com a minha persona
Que as vezes me abandona
Mas sempre, sempre se encontra
Ou me encontra
Me encontra?
Me encontro perdida
De mim, dos outros
Da vida.
Me encontro nadando
Contra correnteza
Se você passar de barco
Me da uma carona, por gentileza?
Me encontro perdida
Mas quando se perde
Você encontra aquilo
Que nem sabia que estava procurando
Vem cá,
Com quem você acha que tá falando?
Me encontro perdida
Entre pessoas e personas
Personagens, pessimismo
Me encontro
Buscando sinal de celular
Dentro do abismo
Se estiver perto
Me busca
Porque também tô perdida
Na rua, no deserto
Na chuva, na fazenda
Tantos poemas
E ainda não há quem me entenda
Me, mim, comigo
Na rua, na chuva, no céu, no abismo
Tantos poemas e não há
Não há quem entenda
Tanta solidão
Com tantas vozes na cabeça
Tantos poemas e não há
Não há quem entenda
Que ser um poeta é um grande problema
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Chega um momento da vida
Em que você sabe que
Não importa o esforço investido
As coisas nunca voltarão
A ser o que eram
É aí que você percebe que relações
Não são apenas constituídas na meritocracia
Elas apenas são. E essa, meus amigos,
É uma das maiores dores da vida adulta.
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Fiz um poema
Pois não tinha crédito pra ligar
Isso é mais que um poema
É uma chamada a cobrar
Você
Por si só
Já e um gatilho
Você, eu, nós
Antes, agora e no pós
Você
Por si só
Já e um gatilho
Fico falando com você
Sobre você
Mesmo quando você
Não está mais aqui
Pra ouvir
Você, eu
A gente
Um belo trocadilho
Uma piada de mau gosto
Do que nunca foi
Mas poderia ter sido
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O amor é lá uma coisa tão bonita
Que mesmo quando
Beira a hipocrisia
Ainda assim,
Me lembra poesia
E você me disse
Que o trânsito
Te fazia querer voar
E eu te disse
Que as vezes escuto lorde
No fone de ouvido
Você me disse coisas
Que se eu escrevesse aqui
Seria proibido
Eu te contei
Meu medos
Meu trauma de infância
O medo do escuro
Você me disse
Que queria viajar o mundo
Nem que fosse
Conhecer cada país
Por um segundo
Eu te disse
Que aprendi inglês
Pra entender
As canções de amor
Você me disse
Que se fingir
De tonto
Era sua linguagem do amor
Agora já não importa
O que a gente se disse
Só que escuto músicas de amor
Enquanto repasso suas falas
Na minha cabeça
Você se esforça muito
Pra que eu sempre
Te esqueça
Eu luto contra essa
Amnésia forçada
Pensando em você
Todo dia
No caminho de volta pra casa
Relembrando
Tudo que você disse
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Labirintite
Rinite
Sinusite
Aproveitam o friozinho
Pra me atormentar
Ah, labirintite
Por que insistes
Em tentar fazer meu mundo
Girar
Eu já sou tonta
Tonta por natureza
Não preciso de você
Pra me atormentar
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