Giulia Padilha★ @Yxzgiuh
Vida

refúgio nas madrugadas

eu adoro o silêncio das madrugadas as madrugadas são como telas em branco prontas para serem pintadas da maneira que eu quiser posso fazer um belo quadro sobre a alegria e o conforto da vida. ou posso simplesmente fazer um retrato de minha melancolia. a partir dai, tudo se torna relativo. eu estou no comando de tudo. nada me distrai, tenho total liberdade para pensar no que quiser, no que eu achar que me convém. pode ser brisa, assim como também pode ser poesia. quem sou eu para definir isso? sou só mais uma pessoa nas 8 bilhões de pessoas existentes no mundo, sou irrelevante como um grão de areia na praia, sou incapaz de definir meu próprio padrão de vida. mas nas madrugadas, não. eu sinto que talvez as madrugadas sejam o momento que eu mais me permita sentir, me liberte dessa sensação de ser sempre menor. nas madrugadas, sinto tudo ao extremo. e eu tenho a extrema liberdade de decidir qual sentimento irá ser levado ao extremo. posso me afundar em tristeza, me aprofundar no conforto da minha cama e apenas dissociar, ou posso refletir sobre as alegrias de minha vida e o que me faz sentir que eu vivo, e não apenas sobrevivo. as madrugadas fogem da monotonia do dia, as coisas deixam de ser iguais. me sinto livre para ser eu e pensar o que eu quiser. sem anúncios, sem bets, sem influenciadores, sem problemas, longe desse mundo digital, onde até fora da Internet, eu persigo um padrão de vida inalcançável. ninguém gritando, paz infinita, sem crianças chorando. a única criança chorando que eu talvez possa ouvir de madrugada, é a minha eu que ficou para trás, ou as versões crianças incompreendidas de pessoas que compartilham a vida comigo. me perco nessa escuridão, mas ao mesmo tempo, me encontro. claridade nunca foi sinônimo de luz, as vezes, eu encontro a luz no fim do túnel em uma madrugada melancólica e pensativa. onde em meio a escuridão, posso pensar com claridade. e esse é meu papo reto, falo com sinceridade. esse é o desabafo de uma moradora das madrugadas que durante o dia, age igual covarde. GIULIA PADILHA

Comentários · 1

  1. Giulia Padilha★

    esse "poema" saiu da minha zona de conforto. escrevi ele baseado numa reflexão que tive agora, na madrugada (duas e pouco da manhã) do dia 13 de julho de 2026. o texto está bem extenso, mas é porque eu fui escrevendo tudo que vinha na minha cabeça. vocês+

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    1. Giulia Padilha★

      podem ter percebido a ausência de rimas, mas isso foi proposital. não escrevi pensando em rimar, só queria relatar do meu jeito algo que eu penso há bastante tempo