Meu velho herói
Quando eu era pequeno, seu riso pagava o lanche, o café vinha com histórias e o tempo parecia infinito. O senhor era o dono das tardes, das moedas mágicas que viravam brinquedos, do “pode escolher o que quiser” que só os avôs sabem dizer. Hoje, vejo suas mãos tremerem mãos que já me guiaram com firmeza. Vejo seu olhar às vezes se perder, como quem tenta achar o menino que eu fui. E dói, vovô, dói saber que o tempo é ladrão e que talvez um dia o senhor não lembre mais do meu nome. Mas eu vou lembrar por nós dois. Vou lembrar do cheiro do café, do som da sua risada, do carinho escondido no “pega mais um pedaço”. O senhor foi e sempre será meu velho herói mesmo que um dia esqueça o caminho, meu coração saberá te encontrar.
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