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Vinicius dos Santos

@Vinicius_dos_Santos · desde 2021

Meu Instagram @viniciusdossantosoriginal Autor do livro Está escuro aqui... aqui dentro.

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Onerando o presente

Não existe um ponto de equilíbrio: A marca deixada pela decadência Arde, exige respeito, cobra caros Impostos da consciência. O destino corre por uma trilha Obscura, o tempo se mostra severo, A dor não é mais combustível Para escrevinhar algum verso. O passado impõe um medo atroz Onerando o presente cuja vassalagem É homérica e não há como pedir Socorro através de mensagem.

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Lugar pedregoso

Estou angustiado, ferido Entre os caminhos da perdição. Não suporto mais tanto atrito De estar sempre em vil submissão. Estou nalgum lugar pedregoso Chorando um choro sufocado. Tenho um sentimento maldoso E que me deixa amordaçado. Tenho em mim toda a suspeição De um tempo que não mais voltará. Sinto a febre duma infecção Hipocondríaca que surgirá…

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Forças exíguas

A escuridão diurna se tornou meu lar. O passado ainda arde meu peito e Mostra-me imagens que eu quis destruir. As batalhas se intensificam e perco As esperanças de vencê-las. O medo E o pânico não somem, tampouco fica Mais fácil conviver… Estou cada vez mais acuado, isolado, Abandonado, amordaçado. O sol não Mais aparecerá – a aurora não muda Mais a cor do horizonte e nem ao menos Tenho o poder de me despedir: minhas Forças são exíguas diante, diante, diante Das coisas que não consigo ver. Não me resta mais tempo para Desculpar-me com meus irmãos de armas E apenas o meu orgulho permanecerá Registrado nas lembranças…

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Cativo da própria humanidade

Numa parte do tempo não sinto Nada, noutra parte sinto aversão – Aversão a mim mesmo – nas Noites sem substância é quando Percebo o eco dessa situação. Invejo os marçanos, os loucos (Esses são livres), sou cativo Da minha própria humanidade E que tenta escrevinhar em troca Da alforria e poder viver do Jeito que me der na telha. Já não tenho os arroubos De idealista, o cansaço Sempre me vence, o cansaço Que não sei donde vem; todavia Ele vem e me joga contra as cordas, Um cansaço que percorre o abismo Da minha alma cega e aflita.

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Pesada e negativa

Sem ponto de partida nem de chegada, Uma ideia lúgubre, vil e chagada Aparece e perturba a calada Alma. Cada caminho dessa jornada Bate sem dó na mente amordaçada, Humilhada, temerosa e ilhada. O desejo de morte é lancinante, As perdas se acumulam no instante Em que o pensamento é um tratante. A vida é pesada e negativa, O passado é uma grande chama viva Que se alimenta de forma festiva Da falha, do medo, da dor, da tentativa.

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Nas entranhas da mente

Não, o passado ainda não passou E defronte ao novo presente, O cansaço é vil e pesado. A esperança um dia se calou, Perdeu-se nas entranhas da mente Num pequeno momento ilhado. A dor é constante, nunca falha, É tangível e tão verdadeira Quanto um sonho sem um sentido. A vida corta feito navalha, Acaba-se da mesma maneira: Com todo sentimento ferido.

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Comodismo banal

Domingo chuvoso, cruel, pleno em tédio. O mundo mostra o peso das suas ações, Das suas escolhas sem nenhum remédio, Das existências sem paixões. Os pensamentos estão nublados, O tempo é deveras escasso, Os sentimentos estão ilhados E cada escolha é um erro crasso. Não há mais muitas possibilidades, O spleen bate forte no espírito E os olhos veem só as calamidades Que surgem com um fúnebre rito. Sente-se abalar toda fé Nesse mundo debochado, desincerto, É sempre difícil de se manter em pé E deixar a esperança por perto. Até parece um comodismo banal, Um desejo ingênuo e servil De se acostumar com o factual Por mais que seja algo vil. A consciência pesa por um delito Não cometido, por um drama Perigoso, inflamado e maldito Que só cresce em sua fama.

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Onírico abstrato

Não consigo me ver no futuro, É como um sonho abstrato, impossível De ser decifrado, delineado numa Simetria horrível e intransferível. É um abismo obscurecido onde O céu não alcança – abandonado Por Deus e por todos, perdido Nos mapas e por vezes amordaçado. Cada desejo horrendo nasce, cresce e Torce cada fibra viva do coração: É tal qual estar na horrenda fornalha E não ter mais fé nem razão.

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Nalgum castelo

Nada muda, mas tudo permanece: As coisas marcham numa procissão Interrupta, fúnebre, calada E sua essência mostra roxidão. Não existe mais nenhum retorno: A dor é algo que vai e que vem Sem destino certo, sofre-se com... Com as escolhas que estão além… O espírito tortura-se sem Saber qual cicatriz penetrante É a que deveras doí – a febre Domina o nervo delirante. Nada muda, mas tudo permanece E no crepúsculo amarelo, A solidão se achega, vive E se esconde nalgum castelo.

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Complicada condição

Alta madrugada, nada é seguro, Apura-se o perpétuo sofrimento, A agonia afronta o pensamento, O passado parece com o futuro. O gosto na boca é como veneno, Cada ato feito é um ato desumano A corromper sem piedade o humano Coração seco, calado e pequeno. É uma verdadeira loucura racional, É uma expressão Ardente da podridão Da vida, é uma complicada condição Das mais pura sanidade irracional. Tudo permanece na desconfiança, Na rouca ingratidão que conspira Em si, no olhar que reflete tanta ira, No atroz castigo que vem sem tardança.

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