Eu só queria sua sede
Sede do meu corpo
Sede do meu gosto
Sede do meu mel
Eu só queria que você me notasse
Que você me procurasse
Que minha renda te excitasse
E minha libido te provocasse
Eu queria você atravessando a cidade
Quarta-feira chuvosa
Pera se jogar entre minhas pernas
Se lambuzar do meu amor
Eu queria te deixar louco quando uso sua blusa
Ou quando atravesso o quarto toda nua
Mas seus olhos não estão mais em minha direção.
Eu queria você hipnotizado enquanto me visto
Não vidrado no celular.
Eu queria seu quadril me encoxando quando me deito
Não virado para outro lado, como se eu não estivesse mais lá.
Eu queria sua fome
Da minha carne
Da minha alma
Das minhas ideias
Mas hoje me sinto só um corpo mofado
Gordo, morto e estragado
Andando para todos os lados,
Deitado ao seu lado
Sem o mínimo valor ou agrado,
Que no máximo da cama, esquenta um lado.
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Quando eu percebi, nem sobre você eu escrevi.
Quando dei por mim, você nem estava mais aqui.
Desculpa, eu sei que você queria e muito ser capítulo dessa história.
Como nunca antes alguém quis.
Eu gostei disso... Gostei mais disso do que de todo o resto para ser sincera.
Alias, eu sempre fui sincera, de uma maneira que você não suportava.
E de tanta verdade dita, preferiu duvidar de todas elas para conseguir assimilar.
Não te culpo. Não te julgo. Não te entendo também.
Não é nada pessoal, não é com você e nem com seus moldes pré formatados de pessoa perfeita.
É comigo e a com a imensidão que desagua dentro de mim.
Ela te assustou na primeira gota. Você se perdeu na primeira curva. Você se afogou sem nem colocar os pés.
Você me fez vilã na minha própria tragédia.
Não teria dado certo, eu acho... Ou teria dado muito certo, tão certo, que só algo de errado poderia explicar.
Você não vai ler isso aqui e eu nem sei se vou publicar. Que irônico. É tão a gente, não?
Hoje ouvi sua playlist... Sim, você tinha uma e nem sabia. E me deu saudade de dançar e cantar com você.
Alguns minutos eram leves e divertidos com você. Eu contemplava uma tranquilidade desconhecida. Porém eram minutos e logo a chuva de expectativas, prazos, explicações e trovoadas nos roubava do agora, que hoje, já é ontem e ontem é nunca mais.
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Um dia eu rasgo tudo o que sei.
Um dia vomito tudo que engoli.
Um dia exponho tudo que escondi.
Um dia encaro o que me matou e ainda tive de seguir.
Um dia eu jogo na cara e no ventilador, para os quatro cantos do meu mundo o que me sufocou.
Um dia eu canso de ser tão polida, diplomática e gentil.
Um dia eu perco a cabeça e mando para puta que o pariu.
Um dia eu desço do salto, revelo as mentiras, eu grito bem alto.
Um dia eu provo que eu nunca menti, que não fui eu que feri, que culpa dos outros eu assumi.
Um dia eu sustento a tal solidão. Rompo as correntes, me encaro de frente e fujo da prisão.
Um dia eu perco toda a ilusão a qual me calcei e firmei o meu chão.
Um dia eu me encontro na imensidão, desse campo minado do meu coração.
Um dia eu estou aqui a sua disposição, no outro acordo e parto então...
Um dia eu vou e não volto mais não.
E desse dia em diante, meu bem, nem tambor ou oração.
Me trazem de volta para sua encenação.
Viva cercado da sua omissão, refaça o roteiro, comece outra relação.
Venda o seu peixe raro no mercado, só não conte a ninguém que logo morre no aquário
Por falta de água, amor e paixão.
Um dia me conta sobre sua nova atração.
Nesse dia tão longe estarei, que só restará saudade em vão.
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Você já se sentiu esvaziando?
Sinto como se cada gota do energia do meu corpo se esvaísse.
Eu estou apática, sentada diante da vida passando. Hora apressada, hora paralisada.
Mas ainda assim passando.
E eu, cá sentada.
Os planos já não fazem mais sentido. Os sonhos estão acinzentados. O tesão esfriou.
O frio na barriga esquentou. O medo afrouxou. E da coragem, pouco sobrou.
Tenho vontade de permanecer em silêncio. Olhos cerrados. Contemplando os dispostos.
É bonito assistir. É cansativo imaginar...
Ora, logo eu que sempre fui cheia de tudo. Agora me pego cheia de nadas.
Não me encaixo em canto algum. Não compreendo o que me dizem. Não sei me expressar.
Nem sei porque estou escrevendo. Você não vai ler e se ler, não vai entender.
E tá tudo bem. O problema está em mim e não em você.
Eu vou seguir aqui, esvaziando, enquanto meu café continua esfriando.
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✨SEGREDO✨
Vocês me acham uma mulher forte, dessas que sabem o que falar em qualquer situação. Eu sei que acham!
Ouço muito sobre a clareza do meu raciocino e a forma como organizo as ideias.
Eu vou contar um segredo pra vocês: Eu sou um caos fragmentado. Eu sou cheia de medos. De inseguranças. De traumas. De vícios.
Eu sou a contradição da minha própria direção. Sabe qual a minha diferença? É que pego todo meu lodo e organizo de forma poética. Apenas isso.
Eu tenho medo do abandono. Mais do que qualquer outro. E sabe o que eu faço muitas vezes? Abandono antes, pra não sofrer. Eu tenho medo de dependência emocional. Sou extremamente suscetível a algumas relações e trato isso em terapia. Eu luto contra um governo manipulador e me acabo manipulando pessoas ao meu redor. Eu falo sobre relacionamentos abusivos e toxicidade e me pego sendo tóxica em voz de veludo.
Eu luto pelo empoderamento das mulheres, mas ainda tenho vontade de chorar quando um homem grita comigo. Eu quebro tabus com meu corpo, mas me pego em sites de receitas da lua ou lendo sobre uma medicação nova para emagrecer. Eu prego empatia e as vezes só ouço minha própria dor. Eu escrevo sobre amor e não sei exatamente o que fazer com ele.
Esse é nosso segredo.
Eu travo constantemente uma luta com minhas trevas, ainda que alimente a dosagem que julgo ser necessária pra ser de verdade, eu sei exatamente o que e quem eu quero ser. Mas por vezes não sou. Por vezes, ao contrário.
Por inúmeras vezes, fracasso.
E é sobre isso... Sobre encarar de fronte e despida a própria alma e com ela suas mazelas. É sobre uma busca incessante - e dolorosa - pelo auto conhecimento.
Quanto mais mergulho em mim, mas eu descubro tesouros e entulho.
Hoje eu só queria ter a certeza que alguém no mundo não vai desistir de mim nunca. Em qualquer situação. Em qualquer circunstância. Com qualquer demônio que eu carregue.
Parte 1
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✨RETOMADA✨
maio 03, 2021
Há um ditado que diz,
Se a minha memória não falha,
Que quando algo é para ser
Ajuda até quem atrapalha.
Curiosa nossa história
Na gangorra dos limites
Dando a mão à palmatória,
De caos meros supérstites
Entre flores e vitórias.
Você foi sem querer ir.
Eu fiquei sem digerir.
Foi ai que entendemos
A importância do partir
Pois as vezes é só ele,
que nos permite reflorir.
Você voltou pro velho ninho.
Onde seu reino reside.
Ele tem nome e lugar
É seu porto e seu égide,
Lhes apresento: o meu carinho.
Laços desatados.
Agora estão mais enfeitados.
Sabores esquecidos.
Novamente apreciados.
Nossos corpos se conectam
Com chamar no liar.
Minha energia reverbera
A cada refastelar
Que sua língua úmida e quente
Descobre no meu corpo
Mais um trecho do te amar.
Os deuses escrevem cartas
E cândidos presunçosos que somos
Tentamos decifrá-las
Eles riem de nossa tolice
E nos sussurram aos ouvidos:
Despreocupem-se,
que já acatamos vossas súplices.
Então seguro sua mão
Com a certeza de não mais solta-la.
Pois minha alma já se fundiu a sua.
E prometeu para sempre ama-la.
Durma tranquilo nos meus braços,
Pois toda a treva já passou.
Onde havia dúvida e angústia,
Agora há certeza, segurança e muito amor.
Da janela, não importa se faz sol ou trovada.
Dentro de mim um Sol imenso resplandece
Na ternura dessa retomada.
Vital, V.
@vickvital
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✨INQUÉRITO ✨
Ela é maluca! - gritava a vizinhança.
Essa garota, nem tão garota, devia se tratar.
Veja os cantos das unhas roídos.
Veja!
Ela é pura ansiedade.
Mulheres de verdade são estáveis, comedidas e tranquilas.
Ela é pura insegurança.
Mulheres de verdade são resolutas e inteiras, não lhes falta nem um pedaço, nem uma lacuna ou chaga aberta.
Ela é puro desequilíbrio. Mulheres de verdade são discretas, sóbrias e circunspectas. Mantém a pose, o prumo, o salto...
Ela é pura concupiscência escorrendo pelas coxas num cio latente e constrangedor.
Mulher de verdade é recatada, é calada, comportada e doutrinada:
sensatez, mais uma vez
-frigidez.
Ela é toda ao contrário, do avesso, escrachada, barulhenta, desbocada, fanfarrona, farofada, topetuda, debochada, arredia, depravada, encrenqueira, afiada, maloqueira, engraçada, meio bruxa, meio fada, meio xucra, indomada, sobe morro, quebra a cara, se expõe, desce a vara, mete o pé, enfrenta os "cara", lê Balzac e a Aghata, escuta funk com Tim Maia, toca Gal e McCarney, rasga o rótulo, veste a capa, quebra o copo, mete a marra, rouba a cena, é furada, enfrenta os dogmas do tabloide mas tem medo de barata. É tão forte quanto Banner sob efeito do raio gama, não se assuste vizinhança, chora horrores quando vê propaganda da Natal e a família Doriana.
Da verdade desenhada sutilmente disfarçada de açúcar, mascarada, dia a dia enfiada pela goela arranhada.
Não importa minha moça se você não é prendada, se seus dedos calejados de caneta e estradas, não conhecem as tarefas femininas vislumbradas. Te dataram, te marcaram, validade mensurada por medidas engendradas nesse sistema marmelada.
Teus defeitos são teus feitos, tua insanidade a verdade, transparência em sentir, legitimam a liberdade.
é quem quer, porque é, não aceita o mal - me - quer.
Teu comando, tua garra atrelados a tua fé.
Não se justifique minha pequena, tu é linda, um poema, deixa pra lá esse dilema, tua grandeza é ser mulher.
novembro 16, 2017
Vital,V.
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✨DESPEDIDA✨
Os pés encharcados e as pernas só inchaço.
A alça da bolsa estourou e o cartão bloqueou.
O salário não caiu e estou na chuva com muito frio.
Meu afeto machucou logo quem ele mais amou.
A saúde me esmurra, me arrastando pela rua, me desmonta e me desnuda. Eu grito alto e me mantenho muda.
Em casa a janela está aberta, alagou e já não me afeta.
A paixão que me enforca, me enlouquece e sufoca é a única que me importa.
Ansiedade já nem se fale, me consome e não me cabe.
Eu sou meios, eu sou medos, num rompante que era inteiro.
Eu escrevo e nem sou lida, mas tanto faz, é despedida.
Eu cansei e estou falida,
Dos meus planos e dessa vida.
Enquanto teço esses versos,
Negocio com o universo,
Que em troca dessa mente,
Me leve embora pela tangente.
Vital, V.
@vickvital
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✨DOR ✨
Lembro como se fosse hoje, o dia que perdi meu avô. Ele era um pai pra mim. O pai que eu não tive. E a morte o levou. Julguei cedo demais, pra tanta falta que ele faz!
Senti ali que eu morreria junto. Que aquela dor que dilacera o peito e invade a alma nunca cessaria. Ao contrário, ela cresceria tento que eu me tornaria dor e não mais humana.
Te juro que por algum tempo foi isso! Eu era uma dor andando dentro de um jeans e sem pentear os cabelos.
Mas isso aliviou. Como?
Parece tão egoísta parar de doer.
Mas para. Transforma. Ressignifica.
E por que?
Porque a morte é inerente a nossa vontade. É a única certeza, depois que você está vivo.
Não teria sentido algum nada disso, se não fôssemos prontos para ela.
Já ouviu os gritos de uma mãe em trabalho de parto? Sim. É assustador.
Dizem que é a maior dor física do mundo. Eu realmente acredito... E mesmo assim suportamos.
Pois a dor de nascer e a dor de morrer são os pilares da nossa trajetória e estão intrinsecamente ligados ao nosso processo evolutivo.
Isso tudo pra dizer, que dói sim. Que dilacera sim. Mas você vai ficar bem, no tempo que o próprio tempo pede para isso, você vai ficar bem.
Vital, V.
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@vickvital
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O céu nunca esteve tão pulcro. O azul nunca foi tão capri, brincando de ser celeste.
A brisa que sopra na minha janela nunca pareceu tão límpida, vítrea.
O verde, que pouco consigo enxergar do nono andar do meu apartamento, parece mais vivo do que em qualquer outro momento dos meus quase 30 anos.
O som dos pássaros, que eu já não ouvia mais, agora me parecem intenso e desanuviados.
E as pessoas,essas me parecem tão mais especiais do que jamais foram pra mim.
Estou sentada de fronte ao meu horizonte delimitado em 1,20 x 2,00, chamado também de janela apreciando com um
jazz de fundo e uma taça elegante na mão: o fim do mundo.
Dói fundo, uma consternação a cada dia longe de quem amo. Lancina a conscientização da realidade.
Só torna ainda mais burlesco esse texto, em forma de prosa, a catástrofe pandêmica em que fomos arremessados e não conseguimos insurgir.
Mas qual barbárie não resulta em arte? Que dor não é transposta em versos?
Seja em papel ou na fisionomia que carregamos a duras penas; é arte.
A minha está aqui.
A cada palavra vomitada, uma gota de sangue escorre entre meus dedos. Sangue dos que sofrem, sangue derramado pelo despreparo de um governo genocida e irresponsável, sangue derramado pelo descaso e indiferença de uma população desinformada e egotista, sangue derramado com o abrir de porta, com abraços, com beijos e momentos compartilhados.
Esse sangue queima, reverbera e me envenena. Arde em mim uma esperança. Singelos atos heroicos que só vi em filme. Desperta na alma uma nova aurora, com novas cores e resgata um saudosismo dos tempos de outrora. Eu choro. Eu bebo. Eu enlouqueço.
Eu me refaço cada dia sem um novo pedaço.
Dentro da minha gaiola, trancada a sete chaves, eu luto para que você possa ser livre, meu amigo passarinho.
Liberdade essa, que virá logo após
o fim do mundo.
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