Íris
Capítulo 3 - Corda e Ilusão Os dias passaram, e nada mudou — talvez porque nenhum dos dois tivesse coragem de mudar. As palavras entre eles tornaram-se repetição, como um refrão gasto de uma canção antiga. Elias ainda dizia que estaria lá, que seria a luz dela, mas sua voz soava oca, quase automática. Lara ouvia, acenava com a cabeça, e o silêncio voltava a preencher o espaço entre os dois. A casa permanecia a mesma: organizada demais, fria demais. O cheiro do café, o som da chaleira, o toque dos corpos à noite — tudo seguia o mesmo roteiro, como se a rotina fosse a única forma de evitar o colapso. Nenhum deles acreditava mais nas promessas, mas continuavam a pronunciá-las, como se cada palavra fosse um feitiço que mantivesse o mundo de pé por mais um dia. Elias sabia que o amor havia secado, mas o medo do que viria depois o fazia permanecer. “Se eu for, o que resta?” — pensava, enquanto observava Lara se afastar em pensamento, mesmo estando ali. Ela, por sua vez, sentia o peso dessa permanência. Sabia que ele não era sua salvação, mas também não sabia o que fazer com o silêncio que viria depois. Havia algo cruel em tudo aquilo: o medo que os unia agora era mais forte que o amor que os juntou. Cada abraço era um pacto de sobrevivência, cada beijo, uma tentativa de adiar o fim. E assim, entre promessas vazias e olhares sem brilho, Elias e Lara continuavam lado a lado — não por quererem ficar, mas por temerem demais o que encontrariam sozinhos.
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