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História

Íris

Capítulo 2 - As Cores do Começo O sol nascia sobre o cais quando Elias a viu pela primeira vez. Lara estava sentada diante da tela em branco, o pincel suspenso, como se o mar falasse com ela em silêncio. Ele tocava violão perto dali, e a melodia fez com que ela erguesse os olhos. O olhar que trocaram pareceu prender o tempo. Nos dias seguintes, ele voltou ao mesmo lugar, sempre com uma nova canção. Ela ria, dizia que ele “roubava” o brilho do mar. Ele se sentia fora de linha quando ela sorria, como se tudo ao redor perdesse sentido. Quando sua boca tocou a dela pela primeira vez, sentiu que o mundo parava. Mas até o amor mais puro carrega um eco de medo. Elias percebia algo em Lara — uma sombra por trás dos olhos serenos. Queria se lançar ao silêncio dela, mas temia o que encontraria lá dentro. Ele se doava, tentando ser lapidado por aquele amor, moldar-se para caber em algo maior que ele. Ainda assim, havia uma distância invisível, um passo que nunca conseguiam dar. — Demorei uma vida só para chegar aqui — sussurrou, tocando o rosto dela. Lara respondeu com um sorriso que escondia dúvidas. — Então fique. Elias acreditava na força daquele encontro, nas cores que ela trazia à sua vida cinza. Quando a via pintar, sentia que nada poderia ser mais verdadeiro. “Você é tão bela quando se revela”, disse uma vez. Ela apenas riu, tímida. Naquele instante, tudo parecia possível: um amor de ida, sem volta. Elias acreditava que, se esperasse o bastante, o amor curaria as dores de ambos. Mas o tempo mostraria que algumas cores, por mais belas que sejam, também desbotam quando expostas demais ao sol.

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