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O Acumulador de livros

@TsundokuSan · desde 2019

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Por que você faz o que faz?

Já parou pra pensar Que faz o que faz Talvez não seja por amar Buscamos aprovação como loucos Somente para ego alimentar.

Dante

Passado, não existe mais. Futuro, sequer já existe. Existe o hoje. Faz sentindo tentar buscar, como Dante dizia, o momento em que , no meio do caminho da vida, o poeta entrava em uma floresta escura? Relembrem: o passado não existe. Mas Dante tem seu perdão, tamanha a sua genialidade. Me permitam ser incoerente — mas busco o ponto da minha vida onde me perdi na mesma floresta em que o poeta. E não tenho Virgílio para me acompanhar. Sei que também passei por um vestíbulo, mas sem virtuosos. "No meio do caminho da minha vida" sigo eu, círculo por círculo. Esperando não ter de ver o que o poeta viu e sofreu . Só, em meio a meus pensamentos mas de todo — creio — não abandonado pela Providencia.

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Não seria pedir muito

Tudo mundo é feliz Tudo é por vaidade Qual é a força motriz Por de trás do seu ideal de felicidade? * A única janela que me deram Tem menos de cinco polegadas Espero, dentro de alguns anos, nem lembrar quem eram Aqueles que tanto critiquei da minha deprimente sacada * Aliás, quem me dera, no futuro, não lembrar de nada Um canto quieto, uma pequena na quantia no bolso Por algum bosque, eu e minha amada em uma caminhada * Se Deus permitir, Suécia ou Dinamarca Mas pra não empinar muito o nariz Serve um rolê em Jericoacoara * E , de preferência, não estar mais por aqui Tudo resolvido, seguir e partir com dignidade Longe dessas fotos de família perfeita E dessas lorotas de subcelebridade.

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Ouroboros

Café, Banho, Pílulas da Matrix, Virgínia Woolf, Uma ou outra irrelevância alimentando o olho que tudo vê; Mais Virgínia; Meio dia. Os pensamentos se fundem como basalto em superfície vulcânica; Avançam os ponteiros; Mais Virgínia e a digna Sra. Dollaway; O calor escalda. A conversa via whatsapp com a pessoa que está no cômodo imediatamente ao lado do meu; Mágoas e ressentimentos - expostos de maneira bem humorada - a respeito de vigários e esquizofrênicos. 16:00. No streaming, de Piazzolla a Sepultura. Passando por alguma música pop banal, mas bem produzida. Já são pelo menos 5 horas no sofá. Retornam os amados ao lar. Banho, Pílulas... Lá se vão as luzes e se iniciam as cenas mais inusitadas. 7:30. Banho, café e pílulas.

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Esperança

Interessante ver que tem dias em que Conseguimos acorrentar, como cães raivosos nossos próprios fantasmas. Com o perdão da palavra, demônios são, sim, dignos de correntes, não os pobres animais. Mas tem dias que aquele aperto no peito, Aquele sorriso amarelo, Aquela resposta sem jeito, Denunciam o quanto nossas feras interiores Estão a solta, nos devorando, ora vorazmente, Ora lenta e sadicamente. "Esperança, minha amada esperança..." A lembrança de dias ruins que hoje consideramos que eram, na verdade, bons. Ou dada a presente desesperança, fazemos Parecer com que fossem bons. E agora, se me permitem, vou continuar a trabalhar. Enquanto isso, vou deixando minhas feras presas e morrendo por inanição. Se enfraquecendo o bastante para não romperem as correntes e virem em minha direção. Nunca se sabe quando o cão que ladra irá morder... Novamente.

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Um diálogo que nunca existiu

Em que ponto nossa fotografia de vida perfeita começou a amarelar? "Garoto, senta aí. Vamos conversar" "Você traçou planos mas não sabe se deles conta irá dar" "É importante você aprender isso agora, para, lá na frente, não amarelar" "Viver custa caro. E você é responsável por aqueles que decidir amar."

Semitopia

O lugar onde todos podem conversar Sem se matar Sem debater Sem degladiar Onde o concreto dá lugar a natureza E o subjetivo substitui o concreto Em silêncio, observando formas de pura beleza Ainda também onde se possa ficar sozinho Sabendo que não se está só Onde reina o que é belo E já não importa mais o que está destinado ao pó Um dia o conheceremos Não será exatamente assim Para você ou pra mim Ninguém estará mais só Quando à terra formos deitados ao pó.

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