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Tiago R. Alves

@Tih · desde 2018

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Humanidade

"Ser ou Não Ser"

Em toda nossa brevidade existencial, de homens e mulheres e hominídeos mais, fomos privilegiados em duas habilidades primordiais: observar e raciocinar. A segunda sendo continuidade da primeira, complemento teórico de seu objeto empírico, ilumina à fronte do sujeito, o verbo. Existe nas mãos dos Homens um paradoxo cultural que nos faz lutar constantemente por equilibro infinito enquanto sociedades humanas existirem - de um lado da balança temos um pouco de construção e do outro lado temos um pouco e 1/2 de destruição, ou vice-versa. Cultura é sinônimo de transformação do meio; transformação constante em toda nossa brevidade existencial de homens e mulheres e hominídeos mais, se equilibrando na corda bamba do "Ser ou Não Ser".

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Cansado de Poemas de Amor

Cansado de todos os poemas de amor. Mas afinal, o que porra é esse tal de amor? Será que esse amor tem nome? Ou será que é um pronome, um verbo, um sujeito? É perfeito ou imperfeito? Tem gente que só falta dizer: "é mais que perfeito" Depois chora, diz que tem defeito. É amor pra cá; é amor pra lá... Aff Cansado desses poemas de amor!

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Efemeridade (tal qual) do Ser

A vida é efêmera tal qual um sonho Difere em sua textura materialista Cronologicamente retilínea, espiral Organicamente organizacional Efêmera como um sonho, tal qual. O sonho, predominantemente surreal Disserta a vida numa linha atemporal Distorce sumariamente a memória Questiona a noção sensorialmente Efêmero como a vida, tal qual.

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Poema

Meu tempo

No meio da noite gigante É ensurdecedor o silêncio Exceto por algum instante Que no intercalar do badalo Se revela escondido o restante (Contraditório restante) No meio da noite gigante Quem se passa calado E vai marcando passado Calado, no intercalar do badalo Traz o futuro adiante Não vai adiante, fica parado Nem se atrasa, mas vive atrasado (Contraditório restante) Vive apressado No meio do dia ofegante Vive cansado, mas não se cansa Fica parado, mas avança (Continua...)

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(Amor)?

O amor pode ser confuso Tem ora que afaga, é sincero, Constrói; Mas tem ora que dói, se afasta, Se confunde... Se perde!

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A ressaca

Veja as nossas fotografias Na cabeceira da cama Não me esqueça Não chore esta noite Ou melhor, chore até que alivie Lembre do nosso cheiro no cobertor De nossas coisas que se misturam De nossas bagunças desapegadas E o apego de nossas mãos desenhadas Pintadas nas telas, Penduradas na parede. Acorde dos seus sonhos de dor e sinta Da luz que atravessa as cortinas A luz que não pede permissão E entra e toca na alma Deixe que a luz aqueça o coração Guarde as lembranças e viva. Eu sei, os copos e garrafas de vinho Ainda estão caídas no chão da sala A vontade foi esquecida, entrou o trauma O dor corrói até que não sobre lágrimas Então finalmente ela se devora E se devora até que não tenha sentido E os sentidos retornam depois da ressaca.

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Poema

Náufrago

Meus olhos que te seguem São como náufragos Enganados pelos faróis Do teu espírito vaidoso Que arde em meu espírito, Sem saber que existo. Me guardo onde insisto Então deixo que siga sem saber Porque assim prefiro E mergulho na tua insanidade E me perco em mar profundo Até que me afogo de fato. Sou náufrago do teu mundo.

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Palavras Certas

A lingua é um meio que a mente usa pra tocar a alma; Com as palavras certas a mente acalma, alcança a gente.

Looping

Parece que estou num looping. Estou dormindo, acordo. Levanto e sigo o próximo passo. Me deito, durmo, acordo, levanto e sigo. O próximo passo é sempre tentar romper a parede que me prende nesse looping. O próximo passo é sempre difícil; é imprevisível. Dar o próximo passo requer coragem. Mas o medo é o prelúdio da coragem. Sim! Todos passamos pelo medo antes de alcançar a coragem. Temos medo do desconhecido porque nunca experimentamos aquilo que estar por vir. Então decidimos como será a prospecção. Para os racionais é um pouco mais simples analisar, compreender e objetivar os movimentos; para os emocionados essas tarefas concluem um turbilhão de possibilidades todas a ponto de desencadear numa catástrofe, talvez seja por isso melhor deixar de lado as formalidades e avançar rumo ao desconhecido. Mas não tem jeito, chegando aqui todos têm que lidar com a terrível sensação de medo.

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Devoro-te

A noite é mais quente hoje em teus braços, A vontade que surge no olhar louco, O ar que alimenta o fogo pouco a pouco. Abraços calados, gemidos, suados, Amor gozado de tanto prazer, De tanto te ter. Entrelaçados os beijos fartos. Em teus peitos fartos À boca. Os lábios carnudos, sedentos Macios, desnudos, mudos, A carne molhada da boca babada. O toque das mãos que passeiam No vão das pernas embebidas De desejo. Te desejo. E ainda em meio ao transe do teu olhar Devoro-te sobre à mesa do jantar, Teu corpo insaciável. Ao som de Baco a noite dita a melodia Num ritmo quente, calor de aguardente, A dança traça a brincadeira até de dia.

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