Nada
Seu desespero inútil trouxe exatamente o que você temia. Uma apatia entalhada na alma. Pior do que um incômodo: um absoluto nada. Se ao menos causasse tristeza. Se ao menos despertasse raiva. É como a criança que implora pelo olhar da mãe, Uma mãe que chora todos os dias de puro arrependimento. Até que as lágrimas secam. E ela passa a ignorar que ali, bem na sua frente, Repousa o fruto de seus próprios sonhos destruídos. Você morreu. Mas continua respirando, choramingando e zumbindo. Desesperado para causar alguma coisa, Para ser alguma coisa. Miserável em sua essência. Sozinho. Morto.
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