Despedidas
Hoje, mais do que nos outros dias, eu senti saudades de alguém que eu mesma criei. Mas, apesar da saudade, já não tem mais amor. Há vários meses já não há mais amor; o que era um sentimento lindo se tornou apenas dor. Dizer que não sinto mais não significa que nunca senti, afinal, eu te amei — e muito. Te amei com tudo o que tinha, te amei até mesmo com toda a minha alma, como eu mesma costumava me declarar para você: “te amo com a minha alma”. E então o seu amor e a sua forma de amar me destruíram. Mesmo que eu não percebesse, aos poucos destruíram tudo o que ainda parecia ser “eu”. Me perdi, e o pior é saber que não foi por te amar, e sim por não me amar. Então farei o que tenho evitado: te deixarei ir, e dessa vez sem aceitar os jogos, as manipulações ou as promessas de mudança. Já tenho feito isso: são 9 meses sem você e 4 meses desde que eu realmente entendi que você não mudaria. Bastou uma carta no dia do meu aniversário, apenas uma carta, para que todo o meu mundo/corpo entendesse que ali já não havia mais motivos pelos quais lutar. Apenas um papel com palavras que eu precisava que me fossem ditas, palavras essas que vieram de uma amiga sua para que eu pudesse entender que eu estava apenas remando contra a maré, sozinha. Você está livre das promessas que me fez, do papel de “mãe” dos meus futuros filhos. Eu te deixo livre, livre de mim. Mas não faço isso por você; faço por mim, pelo que eu perdi. Eu preciso viver, preciso entender quem me tornei, o que sobrou de mim e, não menos importante, preciso saber como me reconstruir. Você não tem mais acesso a mim, e, no que depender de mim, não terá mais. Espero que fique bem, que se cure de tudo aquilo que precisa de cura. Que o amor te alcance e que você aprenda a melhor forma de amar alguém. No fim, eu estava certa: fui parte do processo para te preparar para outra pessoa, e tudo bem. Encerro dizendo que espero entender o que preciso entender, que eu me refaça e seja a minha melhor versão, e que eu jamais deixe de me escolher. O nosso final foi o começo de mim.
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