Há sempre uma melodia
Dona das profundezas da minh'alma
A responsável pela chave
Dos cantos mais inacessíveis
Certeiras notas entoadas
Em acordes se transformando
Com ritmos bem demarcados
A bela harmonia se ajustando
Há sempre uma melodia
Para ativar as alavancas certas
Transbordar, temer, suportar
Amar, viver, se alegrar
Viver sem trilha sonora
É como buscar vida em Marte
É como Liz sem Thiago
Como o eu lírico sem a arte
Necessária é sua existência
Para as profundezas do eu traduzir
Pois quando há a sua ausência
Difícil tarefa é outra vez emergir
Thalyta M. T. Machado
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Ah, a Arte...
O Ideal mais belo
Um presente do Eterno
O suspiro da alma
O respiro que acalma
A emoção traduzida
A liberdade assentida
Do amante, a consorte
A Vida além da morte
Me dói, amada Arte,
Avistar almas ardilosas
Tentando moldá-la para si
Formatá-la ao seu modo
Ou impedí-la de existir
Oh, querida Arte,
Te peço, por favor,
Não se deixe abalar
Com tamanho impudor
Eles até podem tentar
Mas nunca poderão lhe calar!
Brilhe, cintile, resplandeça
Não limite sua expressão
Pois Aquele que te gerou
É o Autor da imensidão.
Thalyta Machado
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Quando tudo acabou
Pedi de volta o que era meu
Mas se eu ainda estou lá
Ele não me devolveu?
Thalyta M. T. Machado
Minha fé abalada está
Fazendo meu interior ruir
Eu sei para onde andar
Mas do lugar não consigo sair
Existe uma grande cratera
Separando-me do Eterno
E dela ouço claramente
As vozes do Inferno
Enquanto um modo de atravessar
Eu tentava encontrar
O chão desabou sob os meus pés
E minha alma começou a gritar
Mas vendo que ninguém vinha socorrer
Olhei para trás e corri
Me deparando com o passado
O lugar de onde outrora fugi
Como chegar do outro lado
Sem no abismo sucumbir?
Não vejo caminho ou ponte
Por onde eu possa prosseguir
E por que sair do lugar
Abandonando o passado enfim?
Pois mesmo me ferindo tanto
Ainda encontro segurança ali
Por mais que não pareça
Eu quero muito avançar
Vencer os meus "demônios"
E do outro lado O abraçar
Mas se Ele não vier até mim
Certamente não sairei do lugar
Pois meus pés estão vacilantes
Com medo de outra vez tropeçar
Thalyta M. T. Machado
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Escrever...
Escrever...
VOCÊ PRECISA ESCREVER!
...mas escrever o quê?
Só quero que as palavras saiam
Que sumam da minha mente
Quero expô-las ao ponto
Que dissipem o que por dentro se sente
"Pense a respeito" - eles dizem
"O que elas querem te dizer?
Por que ainda estão aqui?
O que ainda precisa entender?"
Elas são tão pesadas
Que é difícil entendê-las
E não quero guardá-las
Muito menos escondê-las
Mas também não quero as traduzir
Quero que desapareçam!
Se nada preenchem aqui
Devem ir antes que eu enlouqueça...
Pensar...
Pensar...
VOCÊ PRECISA PENSAR!
...mas pensar sobre o quê?
Eu preciso sentir
E colocar para fora
O que dói por dentro
O que já devia ter ido embora
"Resgate a memória
Pare de fugir do que está faltando
Será que você não está
Apenas se autossabotando?"
Se há dor ao lembrar,
Por que não posso apenas esquecer?
Mas se também dói esquecer,
Que motivo há para entender?
Sou um abismo de indagações
E questões mal resolvidas
Histórias sem conclusões
E lembranças destrutivas
Então, por quê?
Para que tentar?
O que ganho com isso?
Se nada irá mudar...
(e tudo se repete)
Thalyta M. T. Machado
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Estou bem -
E ouso dizer melhor do que nunca!
Muitas coisas se passaram
Muitas coisas mudaram
Dores cicatrizaram
E novos sonhos se formaram
O que antes era morto
Surpreendentemente reviveu
E o que já foi uma barreira
Hoje em impulso se tornou
Cresci
Amadureci
Evoluí
Mas não cheguei ao fim
Ainda não é a linha de chegada
Pois Ele me prometeu
Infinitamente mais
Do que posso visualizar
Do que posso imaginar
É um novo capítulo
E há uma nova jornada à frente -
Isso dá sim um frio na barriga,
Mas tendo Ele como guia
Simplesmente não tem como dar errado!
Thalyta M. T. Machado
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Quem nunca brincou de "Vai e Vem"?
A brincadeira da minha infância
Simples, prática e rápida
E tudo o que precisava era barbante e garrafa
Dizem que as brincadeiras
Refletem a vida adulta inconscientemente
Pois é, hoje eu entendo
O reflexo do "Vai e Vem" na minha mente
Parece que não posso fugir
Da realidade em questão
Quando acho que superei
Volto a mesma posição
Parece que alguém está brincando
Mas dessa vez não com um brinquedo
Brincando com minha vida
Testando em que ponto eu cedo
Medo, passado, choro e terapia novamente
E tentando fingir estar tudo bem
Mas a verdade é que cansei
Desse eterno "Vai e Vem"
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Por que escrevo?
Desabafo
Cura
Medo
Ou fuga?
Entrega
Solidão
Alegria
Ou gratidão?
Não tem um motivo específico
Todos os motivos são válidos
Mas sempre há um motivo
Nenhuma escrita é em vão
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Ela se olha no espelho
Mas não vê quem ela é hoje
Pelo menos não agora
Não essa semana
Talvez e só talvez
O passado ainda lhe atraia
Não a parte ruim
[pelo menos é o que acha]
Talvez o que lhe prenda
É o que está inacabado
Ou que foi acabado
De um jeito errado
Existem muitas vírgulas
Ao invés de pontos finais
E a sujeira debaixo do tapete
Tomou uma proporção grande demais
Não dá mais para esconder
Nem ao menos mascarar
Talvez seja a hora
De o tapete da sala arrancar
O problema é que ela tem medo
Do que escondido ali está
Faz tanto tempo
[tempo até demais]
Ela já tinha aprendido a viver com isso
Tinha decidido seguir assim
Mas não agora
Agora é diferente
Ela está cansada
Sabe que carrega mais do que precisa
E sabe que chegou a hora da faxina
O desapego do que foi acumulado
Talvez
E só talvez
Ela tenha medo
De libertar algo indesejado
E mesmo sabendo que é necessário
Ela está assustada
Então, ela se olha novamente no espelho
Mas dessa vez vê uma garotinha
Indefesa e intocada
Sim, ela se vê antes de tudo
E agora entende que é a hora
Pode não ser por quem ela é hoje
Mas por aquela criança ela cria forças
Pela inocência um dia roubada
Que ninguém lutou para recuperar
Então ela se olha outra vez no espelho
Mas dessa vez decidida a tirar a poeira
Para que de fato possa se encontrar
Para que de fato possa enxergar
Quem realmente ela é.
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Acima do chão
Os meus pés estão
Flutuam por aí
Não sabendo a direção
Apenas se deixam
Se deixam levar
Mesmo tendo um objetivo
Nele não sabem chegar
Então o vento os guia
Mas ele não diz nada
Apenas o silêncio
Se mantém pela estrada
Não há um mapa
Ou qualquer informação
Mas sabem que confiando
Um dia a ele chegarão
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