POESIA DO FIM DO MUNDO
E nesse momento, só resta o Poeta com sua criatividade vendo a última poeira do mundo sendo destruída, e não porque a nossa Gigante Vermelha o engoliu, mas porque a humanidade não foi combatida. O Poeta do Fim do Mundo viu a humanidade e sua ganância destruírem florestas, habitats e o seu próprio lar. O Poeta viu o ser humano se perder na própria arrogância e viu que o ser humano tinha tanto poder, até pra se matar. O Poeta via tudo sem interferir, apenas um triste espectador de um jogo onde o ego não deixou sair nenhum vencedor. Uma tragédia que há muitos anos havia sido anunciada finalmente aconteceu e deu razão a todo esse temor. Deixamos a sede de poder nos vencer, finalmente. Era algo premeditado, mas ignorado pela nossa esperança. Mas aconteceu, entramos em guerras e conflitos tão pesados que não deu tempo de salvar as mulheres nem as crianças. O Poeta do Fim do Mundo viu tudo horrorizado. Ficava sem entender onde que tudo havia dado errado. Porque o mundo aparentemente tão perfeito pra se viver de repente não havia mais nada pra ser aproveitado. O Poeta do Fim do Mundo viu todo o ocorrido, desde a descoberta do fogo, até o último carro dirigido. Viu desde as primeiras palavras até o último livro. Viu cada pessoa desde o primeiro choro até o último sorriso. O Poeta do Fim do Mundo acompanhava tudo, cada passo. Ele sempre gostou da complexidade desse nosso ambiente. Tudo absurdamente difícil de entender, mas viver era fácil. E talvez isso tenha sido, pra ele, o fator mais deprimente. E agora se encontra solitário e completamente desolado. Tentando entender onde sua criação deu errado. O Poeta do Fim do Mundo anota o fim de sua criação com a mesma caneta que usou para tê-la criado.
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