MAIS UM POEMA
Era uma vez um garoto que começou a escrever do nada, por obrigação, com oito anos num trabalho bobo de escola. Seu poema tinha quatro rimas, escrito em cinco minutos, no desespero por ter esquecido e no medo de ficar sem nota. Cinco anos depois, numa gincana de dia das mães, sem vontade alguma, foi obrigado a escrever pra competição. Mas quando começou a escrever, algo nele ascendeu, escreveu o melhor poema eleito pra fazer apresentação. Dois anos depois, tinha quinze anos e maus pensamentos. Começou a escutar RAP, se inspirou e partiu pras suas letras. Ainda era bem ruim nisso, mas servia pra desabafar usando anotações no celular ou um papel e uma caneta. Em 2018, agora com dezessete, a poesia lhe daria um teste. O pior ano de sua vida, a mente corroída na poesia aparece. 2019, prometeu que acabaria, sem pensar no que promete. Novamente tudo dava errado, e poemas viraram suas preces. Os anos se passaram, nunca perdeu o costume de escrever. Começou a escrever sobre pensamentos, ideias sobre viver. Mas às vezes as coisas saem do controle e ela tá lá, pronta pra ser transformada em tudo que ele quer dizer. Talvez um dia chegue sua última poesia, sua última carta. Talvez um dia ele pare de colocar sentimentos em letras. Talvez um dia ele não precise mais dela pra se sentir melhor. Mas até lá, continuará escrevendo linhas e gastando canetas. Até lá, vai continuar colocando ideias num papel, e que ela o afaste do seu encontro ao mausoléu. Que elas o tirem do inferno e o levem pro céu. Que elas salvem, quem na própria mente, já se tornou réu.
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