Querida amiga,
Mais uma vez corro em ti
Todo o meu desespero
Toda minha agonia.
Depois de tanto tempo
Alguns anos,
Uns acontecimentos.
Aquela mesma ferida ainda dói
Não cicatriza
E rasga
E sangra
E por hora melhora
E o tempo vai passando
Tudo vai mudando
E mesmo assim...
Querida amiga,
Mais uma vez corro em ti.
Em teu corpo limpo
Derramo gotas de uma dor de tanto tempo
Mesmo após o amadurecimento.
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Nesse balaio cheio
Nada desenrola
É saudade batendo no peito
É o tempo que corre e não olha
É a solidão, velha inimiga
Sentada ao lado do querer
É o desejo que nunca se cansa
De insistir em você
É uma briga antiga
Entre o que sinto e o que sei
É o silêncio gritando alto
Tudo aquilo que calei
E castiga…
Castiga devagar
Como quem sabe que a dor
Não tem pressa de passar
Nesse balaio cheio
Guardo o que não falei
E quanto mais tento esquecer
Mais lembro do que amei
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O quão ela é?
Tão doce
Tão dura,
Como pode ser ela?
Ser tão ela
Tão triste
Tão carente,
Deprimente.
Tão bruta
Como pode ?
Antes era
Mocinha,
Agora
Vilã de novela,
Mas quem é ela ?
Não sou eu não.
Eu sou eu
Ela é ela.
Confusa
Sensata
Maluca
Ao ver de longe
O quão ela é
O quanto é?!
Mas o que é isso que me diz ?
O que é?
...
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Fecho os meus olhos e vejo nossos poucos anos
Meses, dias, horas
O amor que ensinou, transbordou
E na metade do caminho, só
Nos deixou.
Junto as lágrimas que correm
Se vai o homem menino
O tudo que já não era nada
As falsas promessas
Um fim na pequena estrada.
No desprezo a clareza
Sinais de onde não existia amor
A absoluta certeza.
Abro os meus olhos
Vejo toda nossa história
O que ficou aqui,
Resumida
O início no fim
Duas pequenas princesas.
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Deitada na areia
Com o olhar acompanho as palhas do coqueiro.
Me acalmando ainda
Tristes lágrimas correm aos meus ouvidos
Mas sigo hipnotizada.
Sinto a presença do puro espírito;
Enquanto minha mente me deixa miúda
Tudo vai ficando cada vez mais distante,
E as palhas do coqueiro acalmam o lugar
Entoando junto ao vento uma doce melodia.
Balançando pra lá e pra cá
Dançam comigo e me libertam
E me acalmam
E me anestisiam,
Não consigo me mover
Sinto meu corpo adormecer,
Minha alma se acalmar.
Minhas lágrimas são agora de felicidade
Não há mais nada que eu queira
Se não ficar eternamente nesse lugar.
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Quem são vocês,
Desconhecidos que do outro lado do mundo
Ferem minha alma, me matam, me despedaçam,
Me deixam arrasada com uma sensação de falha.
Desistentes da vida
Que partem para outro plano
E levam consigo parte de mim;
Deixam comigo uma sensação ruim.
Quem são vocês,
Amigos que não conheci,
Mas mesmo assim suas dores pude sentir
Quando soube que decidiram partir.
Desconhecidos por quem choro e oro
Quando vão embora depressa
Me deixando sozinha nessa terra
Lutando contra ela.
Quem são vocês,
Que do além me contam tristes histórias
E angustiados
Dizem que se foram antes da hora.
Desolada,
Os guardo em meu coração.
Insistindo em viver
Sigo pedindo paz para todos nós em oração.
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Ah...
O velho bairro...
Pista esburacada, meio fio quebrado...
O cheiro aqui é de mato queimado.
- Olha! olha! -
É mais uma queimada ali do lado.
O verde ficando preto
A vida perdendo pra morte.
- E aquela árvore forte ? -
De anos,
Hoje é só um tronco servindo de banco.
São quase cinco da tarde
Já as crianças saem da escola
E passam a correr por aqui,
Levando a vida na brincadeira
Se divertem brincando de pique bandeira.
- Quem vem lá ? virando a esquina... -
É a garota chutando a lata.
Chamando atenção pela sua cabeleira negra,
Parece até que está de chapéu preto na cabeça.
- Vem vindo ou vai indo ? -
Não dá pra saber
Parece estar longe daqui
Não se importa com olhares,
Sorrindo pra lata
A chuta com graça.
- O que será que pensa aquela alí ? -
Não sei, sempre passa por aqui assim,
Sonhando acordada.
- Ou será que está desacordada ? -
...
A vida e toda sua desgraça
Parece não afetar
A garota que chuta lata.
03 de Agosto, 2019.
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Em um deserto só
Dentro da selva de pedra
Se vê
A casinha e o homem.
Antigamente
Andava no escuro,
No tato, pela casa miudinha
Esbarrava no que não queria ver.
No deserto se vê só, a casinha e o homem.
Quando decidido a enxergar
Levantou-se da caminha velha
À procura da claridade.
Sonolento, pé no barro; chão gelado.
Abriu a janela
Chamou a luz para dentro,
Mas só se viu escuridão.
De joelhos na terra escura clamou por salvação,
Prostrado diante de Yeshua Hamashia,
Entregou sua alma
E o pediu para não deixar o mal entrar.
O homem enxergando,
Sorrindo,
Descansa sem medo
Enquanto a vela o fogo queima;
Enquanto a casa acesa
Resplandece para o homem de barro,
Lhe foi dito, enquanto a vela procurar fogo
O fogo queimará.
31 de Julho, 2019.
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Passando por mim
Os anos levaram pequenos amores
E deixaram uma ferida que estica
Em meu coração dolorido.
Tudo congela
Quando penso na parte de mim que não conheço,
E sinto essa falta inflamar minhas feridas
Cada vez que penso em não tê-lo perto.
Procurando
Já viajei para alguns lugares,
Conheci muitas pessoas,
Mas tudo continua desconhecido
E cada vez mais vazio.
Nas palmas das minhas mãos
Há linhas que indicam vários caminhos,
Mas aquele que me leva em sua direção
Escapa por meus dedos,
Descendo da minha mão
E crescendo cada vez mais
Quando o sigo tentando encontrá-lo.
Minha parte no outro extremo desse fio
O quão distante está de mim ?
Assim como o vermelho das rosas
Que simbolizam amor e paixão,
Somos conectados pelo fio vermelho;
Será apenas uma ligação irônica da vida ?
É doloroso não poder saber.
Onde o procurar ?
É doloroso não o ter.
Resta apenas seguir e esperar
Afinal,
Independente da distância,
Dos nós e do emaranhamento dos fios
Ele nunca se partirá,
E um dia finalmente iremos nos encontrar.
04 de Junho, 2019.
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Acredito que sou
A santa e a prostituta
A pureza e a impureza
A virgem e a puta
O sol e a lua;
Acredito que sou agora
O cometa e o planeta
O verão e o inverno
A terra e o oceano
O céu e o inferno;
Ainda não, talvez eu seja
O ar e a falta de fôlego
O anjo e o demônio
O extraterrestre e o humano;
Sou ?
A luz e a escuridão
O amor e a dor
Minha e sua ?...
No fim, sou nada e ninguém.
21 de Maio, 2019.
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