Eu nunca pensei que chegaria aos 21 anos tão melancólica, talvez seja a ideia de não ter nada concluído, talvez sejam as comparações do meu subconsciente com pessoas da minha idade ou mais novas do que eu conquistando o mundo.
Como o ditado dizia 'não ter onde cair morto', se encaixa um tanto comigo.
Um sentimento de não pertencimento, bom quando este era adormecido, era mais fácil não ter ideias, e não questionar a minha mísera existência. Quando eu penso no macro me alivío por todos nós irmos para o mesmo lugar ao fim da vida. Será este um genuíno sentimento de inveja?
A inveja em alguns pontos deveria ser aceitável, já que é de magnitude a hipocrisia de quem diz nunca ter tido.
A questão é que no futuro não seremos lembrados, não terá um nós e nem os nossos vestígios, seremos esquecidos em memórias que também se foram, mas a diferença é as oportunidades de ter sensações e sentimentos que talvez a monótona infelicidade da minha vida não permitirá sentir e usufruir e isso me faz ter inveja.
Talvez eu só tenha que parar de pensar, afinal eu tenho apenas 21.
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No fim você tem que está disposto a mudar,
Não porque é uma obrigação,
Mas ameniza o fato de você ir contra àquelas mudanças.
Estamos mudando, somos mudanças
Quem dera eu me congelar numa cena feliz
Que pena de mim se acontecesse
Tudo seria reduzido à uma única experiência, único ponto de vista, à uma única eu.
Seria mais fácil saber lhe dar no automático que eu viveria
Seria mais fácil tá previsto os altos e baixos como um livro que já reli pra lá de 10 vezes
Mais fácil nem sempre é a opção
Como mudança nem sempre é pra o melhor,
Porém, o que é o melhor?
Senão a subjetividade de conforto
A mudança desconforta, te tira de forma
Te faz entender que o diferente pode agradar e que existe.
Você pensa diferente, sente diferente e segue um rumo diferente
No fim você tem que está disposto a mudar.
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Quando criança eu gostava de correr, mas sem rumo
Eu via o mundo em vultos
Sentia o vento na cara
Sentia o ar em meus pulmões no seu vai e vêm
Eu gostava de pular pra ver se tocava a lua
Eu achava que com escadas eu poderia chegar
Achava que ela sempre me seguia
Achava que ela era minha amiga
Eu gostava da sensação de adrenalina no pique esconde
De ficar atrás de um poste qualquer ouvindo o contar alto de quem batia
E ria alto, mesmo quando eu perdia
Quando eu era criança achava que o mundo todo era o lugar onde eu vivia
Tinha um mapa do mundo na sala de casa,
E pensava que era tudo perto dali
Quando eu era criança eu não parava de falar
Inventava histórias, inventava piadas,
Falava do dia, falava o que eu queria fazer
Falava de tudo,
Até do que não podia falar
Eu queria ser grande,
Queria poder escrever de caneta no caderno,
Poder sair sozinha,
Meus olhos brilhavam com a adultice
E foi a maior idiotice,
Deixar isso tudo pra trás
Sem a preocupação de quem cresce
Sem um amor que te deixa e adoece
E não tem quem discorde que a melhor fase é a infância
Sem dor de não ter esperança,
Quando adulto eu gostava de ser criança.
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Você tem necessidade de ser vista,
Mas não só ser vista,
De ser vista bem,
De ser vista feliz
São fotos de baladas
São noites viradas
São viagens que talvez você nem tenha realmente aproveitado,
Porém pela lente é perfeito
Capturas de momentos que parecem surreais
E que na verdade foram vazios, foram forçados
Você não foi você,
Será que é medo de não aproveitar o máximo da vida?
Felicidade forçada conta como viver?
Você se encaixa no quebra-cabeça, mas não completa a figura
Você só quer estar no palco
Risos falsos,
Aventuras comuns,
Pessoas que nem sabem realmente seu nome,
Mas talvez saibam seu @
Não sei se você, menina, pensa que se regar a rosa de plástico um dia ganhará vida
No entanto,
Sei te de dizer que se você olhar para um espelho e conseguir ver você como é
E estiver satisfeita com isso,
Ser vista pelos outros, será somente um detalhe.
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Então eu paro diante o mar,
Ele está mais calmo
Vejo nele o reflexo das nuvens
Uma gaivota paira
Por perto pescadores,
Um deles acena
Eu não consigo pensar em nada além daquele momento,
Minha mente repousa
O vento do litoral me traz na boca um salgado diferente
Tento memorizar em minha mente os detalhes
Sei que não vou me lembrar de tudo
Mas sentirei uma saudade boa
Dos sons ao redor,
Da paz,
Momentos que o sobrenatural urge perante os olhos
As emoções são pautadas por gratidão e esperança
Quem sabe um dia eu vire um pescador?
E eu pare todas as manhãs cara a cara com mar
Ele me seduza com suas ondas
E eu entre nele
Apreciando sua eterna magia
Seria um eterno aprendiz
Eu viveria essa imagem
Eu emanaria felicidade
Olharia pra areia e teria alguém parando diante o mar
Eu só acenaria com a cabeça e compreenderia sua vontade em virar pescador.
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Soltem os cavalos! -gritaram ao longe.
E saíram selvagens
E eles galoparam com velocidade.
Pisoteando tudo o que havia
E pareciam infinitos cavalos
Sem darem importância
Suas patas eram pesadas, talvez bem mais que toneladas
Eles encontraram o mais verde vale
Um verde de esperança,
Mas não pararam por nada,
Pisotearam-no também
Se viram sem onde pastar
continuaram com seus galopes
Já ao anoitecer amedrontados ficaram
Sentiram-se só, apesar de juntos
Viram que saíram rápidos demais
Viram que saíram ríspidos demais
Viram que saíram sem rumo
Nem ao menos a preocupação do que viria a seguir
Estavam presos em suas liberdades
Agora, eles à toa
Andando devagar
Sem pressa pra chegar, porque destino não havia
Aproveitando a estrada
Eles são parte dessa estrada
No rastreio de onde permanecer
De um lugar no qual pertencer
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(O erro de todos foram apreciar somente o amanhã, pobres cavalos!)
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Nasceu a flor da árvore da dor
Quando a raiz fincou
Na amargura do ator
Que todo dia se desdobrou
Pra fingir está bem
Mesmo sem um vintém
Nem mesmo um olhar
De calmaria tem pra dar
Ator de vida
Finge que está vivendo
Finge que é feliz
Finge até mesmo o bom dia que diz
Ator sem palcos
Ator sem nem mesmo atos
Discorre a cena infeliz
Desabrochou a flor
Foi onde a lágrima brotou
E o rosto molhou
A fome pairou
A alma gritou
No fundo ficou
Vivendo de migalhas
Aplausos ao vento do seu sofrimento
Dizendo ser trabalhador
Honesto deveria ser orgulho,
Mas sabe que não há orgulho na miséria
Nem na derrota
Nem na mazela
Porém o modo com que fazem parecer digno o faz levar a diante e sem questionar
Que é a vida que Deus lhe deu
A vida que mereceu.
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Expectadores = expectativa de dores
Estou no banho vagueando minha mente
Olhar perdido, automático
Minha cara deve estar meio pálida
Não tem nada na minha mente
E o sentimento único de que estou sendo minha expectadora
Não pareço estar em mim
Foco na água
Sinto a água
Estou aqui.
O meu Eu volta à tona
Vagueio minha mente com uma certeza em mim de que encontraria algo triste
Lembro de um festival onde ri muito e sentia o ar entrando nos pulmões
Um ar renovado, ar de noite de festa Eu pisco.
Volto ao banheiro, me sinto estranha,
Estou feliz.
São pequenas coisas
Pequenas coisas que me faz continuar viva
Sinto graça da palavra viver
Termino meu banho
Visto minha roupa
Toca a campainha e ouço gritar meu nome
Abro a porta
E é a expectativa,
Ela diz que eu estou tomando o rumo certo, ela vai continuar a falar ouço uma explosão vindo da boca dela.
Eu pisco.
Estou no banho vagueando minha mente.
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