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Samanta

@Sam23 · desde 2018

Gosto da lua.

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21 vezes em que eu nasci

Eu nunca pensei que chegaria aos 21 anos tão melancólica, talvez seja a ideia de não ter nada concluído, talvez sejam as comparações do meu subconsciente com pessoas da minha idade ou mais novas do que eu conquistando o mundo. Como o ditado dizia 'não ter onde cair morto', se encaixa um tanto comigo. Um sentimento de não pertencimento, bom quando este era adormecido, era mais fácil não ter ideias, e não questionar a minha mísera existência. Quando eu penso no macro me alivío por todos nós irmos para o mesmo lugar ao fim da vida. Será este um genuíno sentimento de inveja? A inveja em alguns pontos deveria ser aceitável, já que é de magnitude a hipocrisia de quem diz nunca ter tido. A questão é que no futuro não seremos lembrados, não terá um nós e nem os nossos vestígios, seremos esquecidos em memórias que também se foram, mas a diferença é as oportunidades de ter sensações e sentimentos que talvez a monótona infelicidade da minha vida não permitirá sentir e usufruir e isso me faz ter inveja. Talvez eu só tenha que parar de pensar, afinal eu tenho apenas 21.

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Eu posso estar cometendo um erro

No fim você tem que está disposto a mudar, Não porque é uma obrigação,  Mas ameniza o fato de você ir contra àquelas  mudanças. Estamos mudando, somos mudanças Quem dera eu me congelar numa cena feliz Que pena de mim se acontecesse Tudo seria reduzido à uma única experiência,  único ponto de vista, à uma única eu. Seria mais fácil saber lhe dar no automático que eu viveria Seria mais fácil tá previsto os altos e baixos como um livro que já reli pra lá de 10 vezes Mais fácil nem sempre é a opção Como mudança nem sempre é pra o melhor, Porém, o que é o melhor? Senão a subjetividade de conforto A mudança desconforta, te tira de forma Te faz entender que o diferente pode agradar e que existe. Você pensa diferente,  sente diferente e segue um rumo diferente No fim você tem que está disposto a mudar.

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Infância

Com um lápis qualquer eu desenho um sol amarelo.

Quando criança eu gostava de correr, mas sem rumo Eu via o mundo em vultos Sentia o vento na cara Sentia o ar em meus pulmões no seu vai e vêm Eu gostava de pular pra ver se tocava a lua Eu achava que com escadas eu poderia chegar Achava que ela sempre me seguia Achava que ela era minha amiga Eu gostava da sensação de adrenalina no pique esconde De ficar atrás de um poste qualquer ouvindo o contar alto de quem batia E ria alto, mesmo quando eu perdia Quando eu era criança achava que o mundo todo era o lugar onde eu vivia Tinha um mapa do mundo na sala de casa, E pensava que era tudo perto dali Quando eu era criança eu não parava de falar Inventava histórias, inventava piadas, Falava do dia, falava o que eu queria fazer Falava de tudo, Até do que não podia falar Eu queria ser grande, Queria poder escrever de caneta no caderno, Poder sair sozinha, Meus olhos brilhavam com a adultice E foi a maior idiotice, Deixar isso tudo pra trás Sem a preocupação de quem cresce Sem um amor que te deixa e adoece E não tem quem discorde que a melhor fase é a infância Sem dor de não ter esperança, Quando adulto eu gostava de ser criança.

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Teatro

Fim de festa

Você tem necessidade de ser vista, Mas não só ser vista, De ser vista bem, De ser vista feliz São fotos de baladas São noites viradas São viagens que talvez você nem tenha realmente aproveitado, Porém pela lente é perfeito Capturas de momentos que parecem surreais E que na verdade foram vazios, foram forçados Você não foi você, Será que é medo de não aproveitar o máximo da vida? Felicidade forçada conta como viver? Você se encaixa no quebra-cabeça, mas não completa a figura Você só quer estar no palco Risos falsos, Aventuras comuns, Pessoas que nem sabem realmente seu nome, Mas talvez saibam seu @ Não sei se você, menina, pensa que se regar a rosa de plástico um dia ganhará vida No entanto, Sei te de dizer que se você olhar para um espelho e conseguir ver você como é E estiver satisfeita com isso, Ser vista pelos outros, será somente um detalhe.

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Dust in the wind

Então eu paro diante o mar, Ele está mais calmo Vejo nele o reflexo das nuvens Uma gaivota paira Por perto pescadores, Um deles acena Eu não consigo pensar em nada além daquele momento, Minha mente repousa O vento do litoral me traz na boca um salgado diferente Tento memorizar em minha mente os detalhes Sei que não vou me lembrar de tudo Mas sentirei uma saudade boa Dos sons ao redor, Da paz, Momentos que o sobrenatural urge perante os olhos As emoções são pautadas por gratidão e esperança Quem sabe um dia eu vire um pescador? E eu pare todas as manhãs cara a cara com mar Ele me seduza com suas ondas E eu entre nele Apreciando sua eterna magia Seria um eterno aprendiz Eu viveria essa imagem Eu emanaria felicidade Olharia pra areia e teria alguém parando diante o mar Eu só acenaria com a cabeça e compreenderia sua vontade em virar pescador.

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Livre são os nossos sonhos

Soltem os cavalos! -gritaram ao longe. E saíram selvagens E eles galoparam com velocidade. Pisoteando tudo o que havia E pareciam infinitos cavalos Sem darem importância Suas patas eram pesadas, talvez bem mais que toneladas Eles encontraram o mais verde vale Um verde de esperança, Mas não pararam por nada, Pisotearam-no também Se viram sem onde pastar continuaram com seus galopes Já ao anoitecer amedrontados ficaram Sentiram-se só, apesar de juntos Viram que saíram rápidos demais Viram que saíram ríspidos demais Viram que saíram sem rumo Nem ao menos a preocupação do que viria a seguir Estavam presos em suas liberdades Agora, eles à toa Andando devagar Sem pressa pra chegar, porque destino não havia Aproveitando a estrada Eles são parte dessa estrada No rastreio de onde permanecer De um lugar no qual pertencer ----------------------------------------------------------- (O erro de todos foram apreciar somente o amanhã, pobres cavalos!)

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Política

Meritocracia

Nasceu a flor da árvore da dor Quando a raiz fincou Na amargura do ator Que todo dia se desdobrou Pra fingir está bem Mesmo sem um vintém Nem mesmo um olhar De calmaria tem pra dar Ator de vida Finge que está vivendo Finge que é feliz Finge até mesmo o bom dia que diz Ator sem palcos Ator sem nem mesmo atos Discorre a cena infeliz Desabrochou a flor Foi onde a lágrima brotou E o rosto molhou A fome pairou A alma gritou No fundo ficou Vivendo de migalhas Aplausos ao vento do seu sofrimento Dizendo ser trabalhador Honesto deveria ser orgulho, Mas sabe que não há orgulho na miséria Nem na derrota Nem na mazela Porém o modo com que fazem parecer digno o faz levar a diante e sem questionar Que é a vida que Deus lhe deu A vida que mereceu.

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Fantasia

À tona

Estou no banho vagueando minha mente Olhar perdido, automático Minha cara deve estar meio pálida Não tem nada na minha mente E o sentimento único de que estou sendo minha expectadora Não pareço estar em mim Foco na água Sinto a água Estou aqui. O meu Eu volta à tona Vagueio minha mente com uma certeza em mim de que encontraria algo triste Lembro de um festival onde ri muito e sentia o ar entrando nos pulmões Um ar renovado, ar de noite de festa Eu pisco. Volto ao banheiro, me sinto estranha, Estou feliz. São pequenas coisas Pequenas coisas que me faz continuar viva Sinto graça da palavra viver Termino meu banho Visto minha roupa Toca a campainha e ouço gritar meu nome Abro a porta E é a expectativa, Ela diz que eu estou tomando o rumo certo, ela vai continuar a falar ouço uma explosão vindo da boca dela. Eu pisco. Estou no banho vagueando minha mente.

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