Quando os demônios guerreiam
Estou triste, sozinha, No escuro. Há negro em toda minha volta Não há luz, não há salvação Estou dentro de um furacão Dentro do meu próprio ser. Estou só, tão solitária Mas isso não é coisa rara Ninguém nunca está aqui Estão todos a minha volta Mas no fim, estou sozinha Abandonada, jogada ao leu Só há pessoas de papel, Não há singularidade, Não há pessoas de verdade São cópias repetitivas. Essas pessoas não estão vivas Só existem para o desprazer. Você me olha e vê loucura, Mas estou sã, assim mesmo, sem lucidez Talvez seja sua sanidade a sua própria desgraça, sua alienação. Permaneço sozinha na escuridão Sem paz, sem equilíbrio. Há demônios por dentro, Eles gritam e guerreiam Lutam o tempo inteiro E não me deixam só Estou cheia de agonia, há tantas coisas vazias. Há tantas pessoas sem dó. Estou solitária, Mas não estou sozinha. Os vultos me fazem companhia Meus demônios não fazem silêncio E no peito há um nó De dor, de dissolução A melodia dessa canção É repetitiva e dolorosa Mas juro, parece tão amistosa É difícil abandona-la sem piedade Sei que não sentirei saudades Mas é a minha solidão Como abandonar essa canção que socorre meus sentimentos? Venha, apareça aqui Estenda a mão para mim Deixe-me agarra- lá e não a solte Me deixe confiar em você, Mas não me quebre em pedaços Já viraram pó, os meus cacos De tantos tentarem se refazer. Venha, é só você Ilumine este casebre, Que já não aguenta tanta guerra e escuridão. Torne-se uma bela canção Arranque o que me há por dentro Renasça a minha aurora Torne meu céu estrelado Não seja uma lua vazia Me ilumine, me faça companhia. Há um lindo mar ao meu lado É tão escuro e profundo Mas parece me acolher Diga-me o que fazer Não sei se quero me afogar. Mas é tão lindo este mar. Parece calmo e sereno, É tão lindo este veneno, Acho que não sei nadar.
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