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Ric Luiz

@Ricluiz · desde 2021

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Não busquem a Perfeição, a Harmonia ou a Paz

Eu não busco a perfeição, a harmonia ou a paz! Busco apenas a sinceridade profunda! Profunda na estética, profunda no ritmo, profunda nas ideias e sensações! O que é uma péssima obra de arte senão algo que mente sobre os sentimentos, desejos e essência do artista? Achas que fostes sinceramente profundo e a tua obra ainda é feia? Tivestes realmente essa coragem? Ser sincero consigo é como entrar com uma tocha numa mina de carvão à procura de diamantes! É certo que um incêndio vai te fazer arder com ou sem dor. Mas fique feliz! É mais luz para a busca. (Não fui sádico, apenas otimista.) Tudo bem! Achas que ela ainda pode ser sincera e perfeita! Perfeição ou as perfeições, meu caro, são vários mafiosos lutando por poder e cobrando taxas cada vez mais caras de proteção para que não entres em atrito com os julgamentos alheios! E eu também quero o atrito. Aquele fenômeno físico (e aqui metafísico) oriundo das pequenas imperfeições nos corpos que os mantém juntos. Corpos sem atrito, sem imperfeições, simplesmente não se tocam, não se comunicam nem para se apoiarem para um movimento! Ademais, a Perfeição é mãe de todos os tiranos. Todas as ditaduras mataram em prol de um mundo "perfeito". Já a Harmonia e a Paz? Que tirano também não aprecia ouvi-las? Orquestras ficam mais harmoniosas quando estão em silêncio e ainda mais silenciosas e em paz quando estão mortas!

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Renúncias (Decomposição)

Grande Sol que conduz! Fala aqui, minha matéria. Renuncio a tua luz, Quero cores funéreas De vernizes tão crus Quanto as minhas artérias. Céu que já alegrou Com azul que sufoca. A sua aurora estuprou Minha veia já morta Que, em espasmos, o rubor, Sem esperança, aborta! Primavera sem fim... Do vale da perdição Esquaterjasse o jardim Que era o meu coração, Com o sangue carmesim Regou nefasto florão! Horizonte sedutor Com suas “curvas” etéreas Comeste a lascívia e o sabor De minha carne em miséria Com uma razão sem pudor De uma doença venérea! Poente acolhedor Que, em raios, vem violento Seu sorriso é o pavor De meus ossos sarnentosl Moídos em grande estupor Dum espectral linchamento. ... E agora, são poeira ao vento! ... .. . Noite sem o luar E também sem estrelas! Em seus ares, vou estar Como uma sombria abelha E, no seu negrume, enterrar Esta última centelha! “E aqui jaz uma abelha que se encantou com as raízes.”

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Morte

Funeral a Última Flor Sincera.

A bela flor despedaçada que tu erguestes No alto da mais íngreme montanha distante, com pétalas caídas, espinhos secos e hesitante verde, Não será a flor de um jardim delirante. ... Antes fosse e como outras não sofresse! Será a flor plantada no realístico cemitério. Renascerá morta, porém sempre existente. Findará com negro todos os seus mistérios. Não será rótulo a alguma mente reluzente. ... Nem mártir de causa que não conhecesse. Antes, será lembrada por aqueles que já perecem. Num ponto em comum vivo, mas não ardente. Pois os que muito ardem não pressentem que nada brilha eternamente. (O único poema que sobreviveu da minha adolescência.)

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Reflexo Interior

Espelho invertido És amigo ou inimigo? Ou só um peito partido Em busca de redenção? Espelho quebrado Nunca foste calado. Grita cada estilhaço Meus anos de solidão! Espelho mutante Uma dor a cada instante! Somente fica como antes O sangue em minhas mãos. Espelho mutilado És um quadro pintado Com os pedaços rasgados De m'alma em perdição No segredo refletido Não há saber ou bem coletivo Porque se for arguiído Seu propósito e razão. Há apenas o reflexo infinito "Hidra em forma de Mefisto" Devorando a olhos vistos Meu corpo e meu coração!

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Flor do Quipá. (Só uma poesia não basta)

Flor do Quipá! Adorável despertas. Vinda em um véu vibrante Com as cores cantantes Que na aurora regressa. No chão, o riso resgatas E, sobre o mel de tuas matas, Trazes céus de promessas. Flor do Quipá, Donde vem tua energia? De um augusto segredo De quem vive sem medo De florir com alegria? Ou da fé que procura Ver em cada criatura Sua própria magia? Flor do Quipá! És rochedo em carinho. Tão altiva te elevas Contra a seiva das trevas Dos espúrios espinhos. De teus dedos, o cetim Traz o gentil jardim Que já dócil me aninho. Uma divina vereda Onde o desejo enseja Encontrar seu caminho. Mas dentre almas agrestes Que de vida tu vestes Sou mais um passarinho. Oh Flor do Quipá! Tão distante tu ficas! Mais que flor és estrela Que, numa simples centelha, Todo o cosmo cativa. Tão além dos meus olhos E em celestes abrolhos Que só o peito te fita. Mas tens o toque astral Como o bem universal Que, a minha alma, edifica. E finalmente... Oh Flor do Quipá! Sua inquebrável leveza de ser Erigiu fortaleza Onde a tua beleza Tem o pátrio poder. E o perfume que espera Com a cura das eras Ensinar-me a viver. Serás a eterna canção Que se fez oração Pro meu sertão renascer. Oh Flor, Oh Sabor, Oh Amor do Quipá! Ric Luiz

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Amor

Cosmogonia do Amor

Todos nós somos profundos. Alguns, Como o Mar que veleja a Terra; Outros, Como um abismo que perdeu o rumo Onde o EU vazio senta e espera Uma leve brisa para outro mundo. E leveza pede mais leveza Para uma sideral viagem Saindo dos ares de tristeza Para Ver-nos, para aMar-te. Talvez sob o signo do desastre Ou de uma sorte sem destreza. No entanto, Vamos. Cosmos obstinados! Ao centro de nossa galáxia. Fermentando toda a Via Láctea Num delírio destilado De estrelas absurdas. Para qualquer ciência: Mudas! Mas Cantando sua última música No disco de acreção intenso De nosso horizonte de eventos. Pegamos um desvio para o vermelho, Meu amor! Nesse universo sem freios Onde nada para sua expansão! Se perder no princípio da incerteza Se todo espaço já é sem chão? Seu alicerce É o desejo Com toda a certeza! E nossos corpos são espirais de pulsares Sob a luz de supernovas irregulares Apagando os celestes castiçais. Pois Estrelas binárias Pedem toques astrais E fusões termonucleares. E assim Nossos astros Infinitesimais Viram gigantes vermelhas colossais Para depois De um suspiro relapso Caírem num inevitável colapso E se tocarem nunca mais! Dando a matéria de suas centelhas A outras errantes estrelas Alheias Aos nossos núcleos ancestrais! E as flutuações do peito que se fecha As quantas andarão? Quem sabe? Talvez todo o Universo seja Apenas um abismo De arriscadas belezas E que, de nós, só teve admiração Por estarmos Sempre Com os pés no chão. Ric Luiz

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Família

A primeira adolescente: a Chuva. (parte 2)

Isso mesmo! A SEGUNDA MAIOR REVOLUÇÃO DA VIDA em nosso planeta veio de uma carteira roubada de um pai por sua filha rebelde! E qual é a primeira revolução mesmo? Desculpem, não estou autorizando a contar. É segredo de Família. Mas posso resumir dizendo que a Chuva é muito diferente de seu pai. Afinal um maremoto destrói, não irriga uma lavoura. Eita, pensando bem, uma tempestade faz o mesmo! Mas não culpem a Chuva por seu histórico familiar. ELA GERA. Mas já diz o ditado: "quem puxa os seus não degenera". No fundo, no fundo, talvez seja a Chuva querendo manter um segredo de família em dia. Tão lembrados?

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Família

A primeira adolescente: a Chuva. (parte 1)

Vou contar a história da primeira adolescente e também a primeira revolucionária: A CHUVA. Eu sempre preferi chuva. Ela cai e molha onde bem entender sem precisar da iniciativa ou autorização de ninguém. E ela sempre cai no lugar certo, já diziam os budistas, sertanejos e crianças que torcem por uma inundação na escola. Nós humanos é que não sabemos nos movimentar perante ela (e ainda temos o desplante de dizer que não chove em nossas hortas, não culpe a chuva por confundir seu penteado com uma moita). E é assim a natureza da Chuva: Intermitente, porém sempre presente; Dispersa, porém sempre esperta E, aproveitando a rima, deveras poética. Intempestiva, ainda assim muito festiva. Exceto para a roupa no varal. Mas isso é uma dica incompreendida para a próxima festa (nudes) :P . E, por teste de DNA patrocinado por quem já contemplou, aproveitou ou encontrou os dos dois (Juntos ou separados) E pegou um resfriado (pokémon de estimação dessa muleca) está mais do que provado que: O MAR É PAI DA CHUVA. Sim, o majestoso Mar, Rei absoluto da imaginação aventureira humana, mas que também faz bico como mestre de seus temores mais profundos. Um dia, lá por uns tantos bilhões de anos atrás, de uma era geológica de nome complicado que não interessa a esta prosa quase poética a menos que estivesse na sessão de trava-línguas (e também porque eu faltei a essa aula). Mas voltando ao assunto! Um dia, a chuva fustigada com a inércia paterna típica de um rei entronado, rebelou-se. Ela semeou a terra seca e inóspita da época com o tesouro e o segredo mais bem guardado nas profundezas de seu genitor: A VIDA.

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Amor

Apenas uma palavra

Quero! Deitar-me no arco de teu lindo sorriso. Portal feliz de minha eterna guarita. Onde guardo os sonhos que tanto preciso E o bálsamo que cura antigas feridas. Quero! Sob a aurora de teu semblante divino, Criar nova gênesis de pura alegria Novo Adão, nova Eva terão repartido Um paraíso ideal que ninguém perderia. Quero! No sábio silêncio de um olhar apaixonado, Esculpir tua alma como o meu universo. Cada estrela um carinho de amor retocado Com teu eu de encanto tão puro e completo. Quero! Fazer grande laço da loucura de um beijo Pra epopéia sensual de toques ferinos. Escrever doces versos de farto desejo Nas linhas de teu corpo esbelto e querido. Quero! Meu corpo com o teu como mar colorido. Quero! Meu olhar e o teu recriando o infinito. Quero! Teu amor, Teu calor em potentes suspiros. Quero! Simplesmente Porque te quero!

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