Eu não busco a perfeição, a harmonia ou a paz! Busco apenas a sinceridade profunda! Profunda na estética, profunda no ritmo, profunda nas ideias e sensações! O que é uma péssima obra de arte senão algo que mente sobre os sentimentos, desejos e essência do artista?
Achas que fostes sinceramente profundo e a tua obra ainda é feia? Tivestes realmente essa coragem? Ser sincero consigo é como entrar com uma tocha numa mina de carvão à procura de diamantes! É certo que um incêndio vai te fazer arder com ou sem dor. Mas fique feliz! É mais luz para a busca. (Não fui sádico, apenas otimista.)
Tudo bem! Achas que ela ainda pode ser sincera e perfeita! Perfeição ou as perfeições, meu caro, são vários mafiosos lutando por poder e cobrando taxas cada vez mais caras de proteção para que não entres em atrito com os julgamentos alheios! E eu também quero o atrito. Aquele fenômeno físico (e aqui metafísico) oriundo das pequenas imperfeições nos corpos que os mantém juntos. Corpos sem atrito, sem imperfeições, simplesmente não se tocam, não se comunicam nem para se apoiarem para um movimento!
Ademais, a Perfeição é mãe de todos os tiranos. Todas as ditaduras mataram em prol de um mundo "perfeito". Já a Harmonia e a Paz? Que tirano também não aprecia ouvi-las? Orquestras ficam mais harmoniosas quando estão em silêncio e ainda mais silenciosas e em paz quando estão mortas!
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Grande Sol que conduz!
Fala aqui, minha matéria.
Renuncio a tua luz,
Quero cores funéreas
De vernizes tão crus
Quanto as minhas artérias.
Céu que já alegrou
Com azul que sufoca.
A sua aurora estuprou
Minha veia já morta
Que, em espasmos, o rubor,
Sem esperança, aborta!
Primavera sem fim...
Do vale da perdição
Esquaterjasse o jardim
Que era o meu coração,
Com o sangue carmesim
Regou nefasto florão!
Horizonte sedutor
Com suas “curvas” etéreas
Comeste a lascívia e o sabor
De minha carne em miséria
Com uma razão sem pudor
De uma doença venérea!
Poente acolhedor
Que, em raios, vem violento
Seu sorriso é o pavor
De meus ossos sarnentosl
Moídos em grande estupor
Dum espectral linchamento.
...
E agora, são poeira ao vento!
...
..
.
Noite sem o luar
E também sem estrelas!
Em seus ares, vou estar
Como uma sombria abelha
E, no seu negrume, enterrar
Esta última centelha!
“E aqui jaz uma abelha que se encantou com as raízes.”
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A bela flor despedaçada que tu erguestes
No alto da mais íngreme montanha distante,
com pétalas caídas, espinhos secos e hesitante verde,
Não será a flor de um jardim delirante.
...
Antes fosse e como outras não sofresse!
Será a flor plantada no realístico cemitério.
Renascerá morta, porém sempre existente.
Findará com negro todos os seus mistérios.
Não será rótulo a alguma mente reluzente.
...
Nem mártir de causa que não conhecesse.
Antes, será lembrada por aqueles que já perecem.
Num ponto em comum vivo, mas não ardente.
Pois os que muito ardem não pressentem
que nada brilha eternamente.
(O único poema que sobreviveu da minha adolescência.)
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Espelho invertido
És amigo ou inimigo?
Ou só um peito partido
Em busca de redenção?
Espelho quebrado
Nunca foste calado.
Grita cada estilhaço
Meus anos de solidão!
Espelho mutante
Uma dor a cada instante!
Somente fica como antes
O sangue em minhas mãos.
Espelho mutilado
És um quadro pintado
Com os pedaços rasgados
De m'alma em perdição
No segredo refletido
Não há saber ou bem coletivo
Porque se for arguiído
Seu propósito e razão.
Há apenas o reflexo infinito
"Hidra em forma de Mefisto"
Devorando a olhos vistos
Meu corpo e meu coração!
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Flor do Quipá!
Adorável despertas.
Vinda em um véu vibrante
Com as cores cantantes
Que na aurora regressa.
No chão, o riso resgatas
E, sobre o mel de tuas matas,
Trazes céus de promessas.
Flor do Quipá,
Donde vem tua energia?
De um augusto segredo
De quem vive sem medo
De florir com alegria?
Ou da fé que procura
Ver em cada criatura
Sua própria magia?
Flor do Quipá!
És rochedo em carinho.
Tão altiva te elevas
Contra a seiva das trevas
Dos espúrios espinhos.
De teus dedos, o cetim
Traz o gentil jardim
Que já dócil me aninho.
Uma divina vereda
Onde o desejo enseja
Encontrar seu caminho.
Mas dentre almas agrestes
Que de vida tu vestes
Sou mais um passarinho.
Oh Flor do Quipá!
Tão distante tu ficas!
Mais que flor és estrela
Que, numa simples centelha,
Todo o cosmo cativa.
Tão além dos meus olhos
E em celestes abrolhos
Que só o peito te fita.
Mas tens o toque astral
Como o bem universal
Que, a minha alma, edifica.
E finalmente...
Oh Flor do Quipá!
Sua inquebrável leveza de ser
Erigiu fortaleza
Onde a tua beleza
Tem o pátrio poder.
E o perfume que espera
Com a cura das eras
Ensinar-me a viver.
Serás a eterna canção
Que se fez oração
Pro meu sertão renascer.
Oh Flor,
Oh Sabor,
Oh Amor do Quipá!
Ric Luiz
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Todos nós somos profundos.
Alguns,
Como o Mar que veleja a Terra;
Outros,
Como um abismo que perdeu o rumo
Onde o EU vazio senta e espera
Uma leve brisa para outro mundo.
E leveza pede mais leveza
Para uma sideral viagem
Saindo dos ares de tristeza
Para Ver-nos, para aMar-te.
Talvez sob o signo do desastre
Ou de uma sorte sem destreza.
No entanto,
Vamos.
Cosmos obstinados!
Ao centro de nossa galáxia.
Fermentando toda a Via Láctea
Num delírio destilado
De estrelas absurdas.
Para qualquer ciência:
Mudas!
Mas
Cantando sua última música
No disco de acreção intenso
De nosso horizonte de eventos.
Pegamos um desvio para o vermelho,
Meu amor!
Nesse universo sem freios
Onde nada para sua expansão!
Se perder no princípio da incerteza
Se todo espaço já é sem chão?
Seu alicerce
É o desejo
Com toda a certeza!
E nossos corpos são espirais de pulsares
Sob a luz de supernovas irregulares
Apagando os celestes castiçais.
Pois
Estrelas binárias
Pedem toques astrais
E fusões termonucleares.
E assim
Nossos astros
Infinitesimais
Viram gigantes vermelhas colossais
Para depois
De um suspiro relapso
Caírem num inevitável colapso
E se tocarem nunca mais!
Dando a matéria de suas centelhas
A outras errantes estrelas
Alheias
Aos nossos núcleos ancestrais!
E as flutuações do peito que se fecha
As quantas andarão?
Quem sabe?
Talvez todo o Universo seja
Apenas um abismo
De arriscadas belezas
E que, de nós, só teve admiração
Por estarmos
Sempre
Com os pés no chão.
Ric Luiz
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- O que sentiu, coração desarmado,
depois de ignorado,
apôs o atentado,
continuar apaixonado?
- Ainda estou disparado!
Isso mesmo! A SEGUNDA MAIOR REVOLUÇÃO DA VIDA em nosso planeta veio de uma carteira roubada de um pai por sua filha rebelde!
E qual é a primeira revolução mesmo? Desculpem, não estou autorizando a contar. É segredo de Família.
Mas posso resumir dizendo que a Chuva é muito diferente de seu pai. Afinal um maremoto destrói, não irriga uma lavoura.
Eita, pensando bem, uma tempestade faz o mesmo! Mas não culpem a Chuva por seu histórico familiar. ELA GERA. Mas já diz o ditado: "quem puxa os seus não degenera".
No fundo, no fundo, talvez seja a Chuva querendo manter um segredo de família em dia. Tão lembrados?
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Vou contar a história da primeira adolescente e também a primeira revolucionária: A CHUVA.
Eu sempre preferi chuva. Ela cai e molha onde bem entender sem precisar da iniciativa ou autorização de ninguém. E ela sempre cai no lugar certo, já diziam os budistas, sertanejos e crianças que torcem por uma inundação na escola. Nós humanos é que não sabemos nos movimentar perante ela (e ainda temos o desplante de dizer que não chove em nossas hortas, não culpe a chuva por confundir seu penteado com uma moita).
E é assim a natureza da Chuva:
Intermitente, porém sempre presente;
Dispersa, porém sempre esperta
E, aproveitando a rima, deveras poética.
Intempestiva, ainda assim muito festiva.
Exceto para a roupa no varal. Mas isso é uma dica incompreendida para a próxima festa (nudes) :P .
E, por teste de DNA patrocinado por quem já
contemplou,
aproveitou ou
encontrou os dos dois
(Juntos ou separados)
E pegou um resfriado (pokémon de estimação dessa muleca)
está mais do que provado que:
O MAR É PAI DA CHUVA.
Sim, o majestoso Mar, Rei absoluto da imaginação aventureira humana,
mas que também faz bico como mestre de seus temores mais profundos.
Um dia, lá por uns tantos bilhões de anos atrás, de uma era geológica de nome complicado que não interessa a esta prosa quase poética a menos que estivesse na sessão de trava-línguas (e também porque eu faltei a essa aula). Mas voltando ao assunto! Um dia, a chuva fustigada com a inércia paterna típica de um rei entronado, rebelou-se. Ela semeou a terra seca e inóspita da época com o tesouro e o segredo mais bem guardado nas profundezas de seu genitor: A VIDA.
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Quero!
Deitar-me no arco de teu lindo sorriso.
Portal feliz de minha eterna guarita.
Onde guardo os sonhos que tanto preciso
E o bálsamo que cura antigas feridas.
Quero!
Sob a aurora de teu semblante divino,
Criar nova gênesis de pura alegria
Novo Adão, nova Eva terão repartido
Um paraíso ideal que ninguém perderia.
Quero!
No sábio silêncio de um olhar apaixonado,
Esculpir tua alma como o meu universo.
Cada estrela um carinho de amor retocado
Com teu eu de encanto tão puro e completo.
Quero!
Fazer grande laço da loucura de um beijo
Pra epopéia sensual de toques ferinos.
Escrever doces versos de farto desejo
Nas linhas de teu corpo esbelto e querido.
Quero!
Meu corpo com o teu como mar colorido.
Quero!
Meu olhar e o teu recriando o infinito.
Quero!
Teu amor,
Teu calor
em potentes suspiros.
Quero!
Simplesmente
Porque te quero!
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