Neste poema lindo, que a ti exalto, minha musa promissora, que tantos poetas,
em ânsias caprichosas que o peito aninha, por ti suspiraria paixões indiscretas.
Passeias pela praça, com a lua, risonha,
fazes par perfeito, e digo assim comigo:
Por este anjo belo que minha alma sonha, Andar me vai o peito a receber castigo.
Com outro, apaixonada, apareces um dia,
se coragem me falta pra falar contigo,
E digo novamente em mote de poesia:
Andar me vai o peito a receber castigo!
Nem se Deus do céu me enviasse sinal,
com a ajuda divina que minha prece move, Sabendo esta infeliz verdade factual,
gritar eu poderia, que ela não me ouve
Se me desprezasse assim a minha mãe,
Esse ser que amo e adoro com estima,
Não doeria tanto, mas não me convém
Fazer comparações em indelicada rima!
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A noite cresce em teus cabelos engordurados,
a figura do céu no alto da penha,
tua voz cansada, de amor, prenha,
deseja com força estar ao meu lado.
Nunca amei tanto, nem fui amado,
que agora, paixão, amar me tenha,
minha voz a tua, só diz:venha.
Meu coração queda apaixonado.
Como anseio, paixão, te ver inteira,
como viu Adão a mulher primeira,
e apaixonou-se no primeiro flerte.
Mas, tu és, a saber, sem que eu diga,
mais bela que qualquer uma, querida,
o prazer dos meus olhos é ver-te.
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Eu não sei, noite linda,
Verter o pranto fora do meu sonho,
se minha amada doida espera ainda
com o corpo frio no vale medonho.
Sobre as águas, alucinada, vai
minha voz vadia derramando,
Toda tristeza que em mim recai,
nos mares já transbordando.
De manhã quando some a lua,
e ponhe-se a cantar os passarinhos,
minha garganta os ares pontua,
Diante da lira, infeliz, definho.
Se o sol no horizonte morre,
findar não pode minha dor ainda,
minha alma sombria na solidão recorre
ao teu manso abraço, noite linda.
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Se teus olhos virginais mirassem
Para onde estou, Meduza que encanta,
Seria como ver a belíssima atlanta,
Mas só me alucinas com miragem.
Se essa distância entre nós passasse
De simples coisa, mas não sendo,
Antecipo a morte e vou morrendo,
Como se uma fera animal me aferroasse.
Se um simples sorriso, de tua boca, ainda,
Se desprendesse em minha direção vindo, Todas as rosas no caminho iam se abrindo,
Brilharia a manhã mais linda.
E se teu braço o meu roçasse leve
Ante a multidão mundana e lenta
todas as bocas de vulcões sangrentas
A terra tornariam a fazer greve.
Se tu soubesses do meu amor a soma, voluptuosa flor, celeste e matutina,
Sob os raios de sol que o orvalho afina Sentirias a paixão que ninguém doma.
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Nada me deves, e a ti, proclamo,
nesses versos que minha voz promulga, sonora musa, que adoro e amo,
olhos humanos não julga o que Deus julga.
Em tua loucura ante me procurasse,
que em meus sonhos teu chorar arfante, beijarei cada lágrima de tua face,
e não me olhes com o olhar de antes.
Não deixe, oh, anjo, erguer-se muralhas,
e o nosso amor órfão tornar-se cedo,
se ao teu sorriso a sorte amortalha,
juro que guardo o nosso segredo.
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Hoje eu sei que, vasta é a primavera,
E nosso amor não foi coisa vadia,
eu que tomava por louca quimera
Me seduzires nua a luz do dia.
E não sabia, nem a tua mãe,
do que brincávamos quando escondidos, Muito menos tuas duas irmãs,
eu era um rei, as vezes teu marido.
Eu me lembro, não sei se discordas,
quando pegos fomos, iguais os casais,
eu segurando as tuas ancas gordas Brincar-nos-iamos como animais.
De outras duas fui também marido,
dessas relações sem culpa, sem besteira, Hoje ambos amadurecidos
Digo que foste a minha primeira.
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É já casada a menina
que amei e quis bem,
os olhos e a boca fina
Olha e beija outro alguém!