Lançado ao abismo — Sem respostas.
Tornei-me opróbrio destas infinitas notas.
Crendo no amor neste mundo de agora:
"Na busca sem pressa de perder a hora."
Querendo a luz, não suas sombras.
Desbravando o mundo. Não às ruínas.
Novas memórias e sorrisos, não fotografias
Que se folhea pra se lembrar de belos dias.
Lançado ao abismo [...]
Fadado a constatar o mesmo
De um mesmo ciclo.
Amor e tudo quanto cismo.
Bruno Rafael M.
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Antes o sol brilhava mais forte.
Revelava o mundo em seus raios.
Hoje se pôs contra minha sorte,
Indo embora sem ensaio.
Eu era como o girassol
Observando a tal estrela
Até os céus em nuvens densas
Em atroz decreto proibir vê-la.
Igual rebelde neguei tal rol —
Condenado a observá-la:
Da distância tornei piada
"Dizendo eles, não compensa"
Olhar incansável para o alto
Procurando quem já se foi.
Bruno Rafael M.
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Plantei escuridão no mar de "lumes".
Não fui quem elegeram, não fui preferido
Mas todo dia continuo aqui, perdido.
Enquanto verte sentidos sem costumes.
Nos meandros do percurso, mil labores.
Não entendo se nasceram em mim amores.
Não surgem estrelas — ou elas se escondem".
Vaga luzes ao manto da noite.
Memórias e um lapso
Me sinto como o vidro.
Coração em colapso —
Culpo "Eros e suas flechas"
Por disparar de forma cega.
Bruno Rafael M.
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Não sou convencional:
Tô distante do ideal.
Ponho-me no pedestal
E lanço-me ao abismo.
Amor tenho tão profundo
Sons são mil ruídos.
Há sol e se derrama chuvas
Não tenho algum abrigo.
Não sei se tenho amigos.
Rodeado de inimigos.
Não falo sobre pessoas,
Mas sobre circunstâncias.
Eu não consigo compreeender
O que realmente importa.
O que será que vai acontecer?
Então o futuro tornou-se incerto
Meus passos sobre areia
E o vento escasso em um deserto.
Bruno Rafael M.
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Felicidade, o que seria?
Uma conquista mais brilhante.
Ou todo amor em um só dia?
Viver por si, morte, ato instante...
Fazer mudança, poderia?
Se só tentasse, se constante
Esta paixão, se doar bastante
Até que ponto se encheria?
Felicidade é amar tanto
Enxugar todo, qualquer pranto.
Vê-la sem medo de sorrir.
Entender mesmo que o partir
Tem seu motivo, qual recanto
Próprio amor, um acalanto.
Bruno Rafael M
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P O E M A — E G O
Reflete o espelho tudo que mais temo:
*O quanto sou pequeno diante o mundo."
Sinto dores, o amor foi-se, e restou
Nada mais além do que eu sou.
Bruno Rafael M.
Não quero viver por longos dias
Nunca enxerguei necessidade,
Já perdi sono e hoje a vontade
De continuar apenas encenando.
Não há escolhas, nem "eu te amo".
Sou um entre milhares de cartas,
Estou cansado, por isso não tramo
Encontrar uma entre embaralhados...
Dizem sobre infinitas possibilidades;
Mas meu coração palpita em dores.
Não quero que entenda ou que concorde,
Desisti de tentar ser mais forte.
Não quero viver por longos dias
Me seria castigo, uma má sorte.
A vida me sufoca... me devora.
E peço que passe sem demora.
Bruno Rafael M.
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PARTE I — ELE /ELA
Há quem não se encaixe nos padrões —
Que não entende o básico, concepções.
Que se pergunta a natureza deste mundo
E tenta em vão resistir às corrupções.
Morreria por suas ideias, enfrentaria
Em apostas de sua vida, todas as tentações.
Um sorriso salva as vidas em precipício
Por isso cores vibram e o sangue pulsa.
O amor corresponde e foi assim desde o início:
Quando predestinado se tornou o destino
A quem já não sabe, ou se sabe, desatino
Dos padrões pré-escritos.
De amor uma carta à mão
Que escapa das correntes:
Vidas em suas mentes
Espalham iguais sementes
Para todo o universo.
Dizem das possibilidades
Quais as chances de encontrar
O verdadeiro amor?
Ou é desejo infantil
Pensar que isso existe,
Talvez um bocado vil...
Viver em busca do impossível.
PARTE 2 — DIVINA DONZELA
Qual significado de existir
Entre terrores e horrores.
Onde olhos perderam cores
E o cabelo já não brilha,
Pele tornaram-se tintas
Para ocultar cicatrizes
Que a carne insiste
Em dizer que não existe.
Mas toda a dor persiste
Sob camadas e camadas:
A macular a alma.
"És tu divindade — Menina?
Mulher que foi muito amada
Ou a vagar criatura
No silêncio onde som não habita.
Onde o socorro não alcança
E as luzes apenas piscam
Em códigos jamais entendidos.
Fora tu amada por aquele menino?
Divina donzela — deusa da terra
Qual nome que tua alma carrega?"
Não dispara mais as flechas —
O que significa viver dividido
Entre mundos e tarefas.
És ou sou? Somos ou sois
Como sóis sem seus luares
Humanos ou... Apenas dois
Caminhos que nos separa
Entre os céus e a terra
Ó, Divina donzela.
BRUNO RAFAEL M.
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I — LIVRE
Última semana e já não sei o que penso
Perco horas escrevendo páginas de textos.
Me sinto enlouquecido, ou é só pretexto —
De amar sem ser amado, sou propenso
'Às dores dum poeta', se chama sentimento.
É difícil encarar a face, quando envergonhado
Pois pior que a ira é a decepção.
Pior do que a morte, a paixão.
E o silêncio é pior do que a rejeição
Pelo transtorno que em si é gerado.
II — DEZ
Qual o gosto de viver nesta terra
Entre quadros em diferentes tons
Onde a pele tanto marca, onde bons
Andam cabisbaixo pro abate a espera.
Digo tanto, fazem prantos, eu planos
Pra mudar o mundo que compreendo
E que dizem impossível, sou louco
Por sonhar e seguir sempre adiante:
Doo em cada obra de mim o bastante
Pra criar dias, noites, tempestades
Como obra-prima desta vida minha.
Morte encontrar-me-ia na solidão,
Daria mil e uma, toda a razão
Para aceitar o fardo, a sensação
De estar perdido em segmentação:
Onde se duvida entre amor e não.
III - CINCO
Para sempre tô
Com mesmos sintomas,
Cada pensamento
Você que se encontra.
Enquanto se sonha
Enquanto se molda
Para aceitar regras
Do coração ditas.
Aceite ou se imponha.
Bruno Rafael M.
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Seria um veneno bem amargo
Ou doce, fruta. Seria ao âmago
Paparicar, ou verdades duras.
Minha mente não é tão madura
E hoje em dia cordas e atadura
Marcam o corpo como runas.
Caçando tesouros em dunas:
Palavras precisam ser cuidadas
Pois ao coração com "ferro fere"
Nas cruzadas situações dadas
Como desculpas esfarrapadas
Pra mais um poema de amor.
Não é sobre taças e vinhos
Ou coração partido, sonhos.
É em como viver sentindo
Tudo e mais um pouco, ninhos
Como pássaros se formam
E no esquecimento terminam.
Uma torre no vazio construída
É um cárcere da alma e vida.
Não é tempestade no copo d'água,
É sim um transbordar de mágoa
Que talvez me leve a ruínas
Das profundezas dos mares.
E o que eu mais gosto, prefiro (?)
Sou uma tragédia, ou thriller
Um episódio sem graça, filler.
Sou reles guiando as marés:
Outrora me sinto do olimpo
Aos mares como Poseidon
Ou talvez eu seja Hades
Que perdeu-se no amor
Trazendo a outros a dor.
Talvez eu seja um tolo
Que sem o único amor
Decidiu beber do poison
Encontrando enfim tragédia.
O mundo é arredio, loucura.
Das trevas que fiz as vestes
Num quadro banhado a sangue
O vermelho me fez astista
A musa tornou-se a arte
Então hoje serei Rafael
A professar minha fé.
A beber mais xícaras de café,
Enquanto ouso grafar
Mais um parágrafo de amor
Sob o sol e a própria lua.
Bruno Rafael M.
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