NĂŁo sei o que fizeram com vocĂȘ.
Gostaria de achar formas de desfazer
Mas nĂŁo consigo
Pode acreditar. Eu tentei.
Mas nĂŁo sei pra onde vocĂȘ foi
Busquei de todo jeito te encontrar
SĂł que nĂŁo te acho
Nem sei onde me deixei da Ășltima vez
Mas peço encarecidamente que me devolvam.
Porque perdi uma peça vital de mim
Ainda tenho as outras, claro, mas elas nĂŁo se encaixam
Acho que de tanto ser meu algoz, quebrei alguma estrutura
Sei lĂĄ, uma parte importante
Eu me coloquei completamente abaixo
Ofusquei tudo. Todo e qualquer brilho
E agora estou aqui. Farta e quebrada.
EntĂŁo se por acaso vocĂȘ me vir por aĂ
Me devolva pra mim
Preciso me encontrar.
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TÎ de pé em um metrÎ
JĂĄ estou aqui hĂĄ dias, ou meses
Sei lĂĄ, nem me lembro
Só tÎ esperando minha estação
E as pessoas entram
Depois elas saem
Ele parte em frente
đđŽđ”đąĂ§ĂŁđ° đđ¶đąđŽđŠ đŠđź đđąđŽđą
SĂł que a casa nunca chega
EntĂŁo todos vĂŁo e vem
JĂĄ eu sempre continuo aqui
Agarrada a mim mesma, que Ă© a Ășnica coisa que ainda me pertence
Os assisto indo e vindo
đđ°đłđłđȘđą đŠ đđ€đŠđŻđŠ
JĂĄ nĂŁo me tenho mais em mĂŁos
Porque tÎ de pé em um metrÎ
E nĂłs jĂĄ estamos Quase em casa
Estou aqui hĂĄ dias, ou meses
NĂŁo me lembro.
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Eu gostaria de colocar em palavras algo que fosse bom
Mas eu nĂŁo consigo
Hoje eu nĂŁo vou conseguir
Queria sufocar sem precisar sujar minhas mĂŁos
Ou ser pega por acidente, sem precisar levar a culpa
Mas nĂŁo posso
EntĂŁo olho para as estrelas e exijo que me levem
NĂŁo posso ficar aqui
Se ninguém fica, então por que caralhos eu preciso?
Eu nĂŁo posso
E por deus, isso nĂŁo Ă© um pedido de resgate
NĂŁo sou do tipo que se salva, vocĂȘ sabe
Se fosse pra fazer algum pedido
Tentaria no mĂĄximo uma barganha
Leve o que me resta e entregue a outra pessoa
DĂȘ meus dias a alguĂ©m que pelo menos veja sentido
Porque eu tĂŽ morrendo de novo
E eu nĂŁo quero mais voltar, sabe?
Acho que cĂȘ me entende.
Hoje eu nĂŁo vejo
Hoje eu nĂŁo consigo.
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Pode ir
Eu carrego meus restos
NĂŁo tem problema
Caso pese demais
Eu me abandono um pouco por aĂ
NĂŁo faz mal
Nem me preciso tanto assim
Vou me podando onde der
Retalhando minha carcaça
SĂł o suficiente pra caber aqui
Então é sério, pode ir
Deus sabe que sou um problema desde que nasci
E nĂŁo gosto que me resolvam por mim
EntĂŁo me ignore, finge que nĂŁo viu
Afinal, nĂŁo foi vocĂȘ que me destruiu.
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Um vento leve, brisa sorrateira
Quase lhe sinto aqui, comigo
Teu calor me envolvendo
Teu corpo me preenchendo
Sua risada contagiante
Um olhar que jamais encontrarei em outra pessoa
e nem quero.
Tu és tu, tu és meu, mesmo sendo teu, ainda é meu
Meu amor, nosso calor, tu e eu
TrĂĄgico
feito Julieta e Romeu.
đđđđđđđ đ¶đŸ | đžđ¶đ·đŸ
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Temo nĂŁo saber mais o caminho de volta.
Mais que isso:
Receio nĂŁo querer mais voltar Ă superfĂcie
Sem o ar enchendo meus pulmÔes, penso que talvez nem precise dele tanto assim.
A ausĂȘncia nos adapta, mesmo em situaçÔes extremas.
Certa vez, li algo assim em Dostoiévski.
SĂł nĂŁo esperava descobrir em mim tamanha aptidĂŁo.
Sempre vivi para o caos.
Mas hoje Ă© um dia estranho.
Pensando bem, ultimamente tem sido uma vida estranha
Nunca havia visto uma desordem tĂŁo tranquila.
Tudo bem que existe paz no desespero.
Ă contraditĂłrio, eu sei, mas posso explicar.
Quando jå não se espera nada, a vida perde a obrigação de melhorar.
Essa Ă© a paz desesperada em que tenho vivido:
um dia apĂłs o outro,
me afogando de domingo a domingo.
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Eu nĂŁo sei escrever coisas bonitas
SĂł escrevo daquilo que destrĂłi
Tudo que entorpece e me arruĂna
Me contradigo em tudo que faço
Depois coloco em palavras e dou nome de poesia
NĂŁo sĂŁo as mais bem escritas
JĂĄ disse e torno a dizer
Eu nĂŁo sei escrever coisas bonitas
Minhas palavras sĂŁo mais eu do que eu mesma
E se nĂŁo as gosta, tens bom gosto
Eu mesma nĂŁo saberia separar minhas palavras de meu rosto
Minha face verbaliza tudo que trava no peito
Meus dedos digitam tudo que transborda os lĂĄbios
Isso nĂŁo Ă© uma poesia
Tampouco Ă© um proseado
Me desculpe se pareço confusa
Ă que cĂȘ passou tanto tempo tĂŁo calado
E sou sincera quando escrevo
Mesmo sendo uma mentirosa do caralho
Meus versos sangram enquanto eu falo
Ă aqui que me digo e contradigo
Posso ser o R e todo o abecedĂĄrio
NĂŁo espere que eu cubra minhas feridas
Eu nĂŁo tento escrever coisas bonitas
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Eu poderia ter morrido
Não era minha intenção
Mas nĂŁo me importei se acontecesse
A sensação era parecida com viver num mundo sem vocĂȘ
E tenho feito isso nos Ășltimos anos
Procurado oxigĂȘnio em outros olhares
Matado a sede em outros cheiros, ou pelo menos tentado.
Finjo que vou te encontrar ao virar a prĂłxima esquina.
Sei que Ă© tolice minha
Mas a morte nĂŁo me assusta. Nem um pouco.
Bem...
ao menos nĂŁo enquanto sinto sua ausĂȘncia todo dia.
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TĂŽ perdida em algum lugar por aqui
NĂŁo encontro as palavras que expliquem o que gostaria de dizer
Na verdade nem sei se gostaria de dizer algo
Estou experienciando pela quinquagésima vez, ou algo assim, o que dizia Virginia Woolf.
Eu tive minhas palavras arrancadas. Sim, as arrancaram de mim.
Provavelmente eu mesma as arranquei, o problema Ă© que nĂŁo sei bem onde as enfiei para poder dizĂȘ-las novamente
Isso se Ă© que cheguei a dizĂȘ-las algum dia
Essas formas, pequeninas e desengonçadas, não encontram o caminho até a voz
E cĂĄ entre nĂłs, o silĂȘncio Ă© palavra mais dita do que muita frase jĂĄ dita
EntĂŁo, eu, como ladra de mim, me calo em silĂȘncio
E eu, como vĂtima de mim, me aponto e protesto
Protestos esses que soam mais como uns berros
Berros mudos, pois fui assaltada, me levaram as palavras e todo o resto
De fora e calada eu assisto a tudo
SerĂĄ que Ă© mesmo tĂŁo absurdo?
Estou ativamente louca, sozinha e muda.
Sou a culpada e a inocente, e toda essa bagunça conjunta
Posso ainda ser o juiz, a quem me entrego novamente
E sendo eu quem faz meu julgamento
Me declararei culpada
Ainda que nĂŁo tenha culpa pelo meu silĂȘncio
E visto que sou o juiz, o guarda e o detento, sou eu mesma que me roubo, me julgo e me prendo.
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TĂĄ acabando mais um dia
Enfim posso puxar o fĂŽlego
O tempo tem trabalhado a meu favor
Me aproximando de vocĂȘ
Todos os dias eu espero o fim de noite
TĂŽ com um pouco de pressa
Pressa pra te ver
E as pessoas nĂŁo entendem
Mas também, como entenderiam?
Elas nunca foram vistas por vocĂȘ
NĂŁo como eu fui
Elas nunca te pertenceram
NĂŁo como eu pertenci
Jamais encararam seus olhos tĂŁo de perto
Nem quase morreram sua morte como eu quase morri
Esse Ă© o problema.
Eu -quase- morri.
Se tivesse morrido de fato talvez jĂĄ tivesse te encontrado
Mas nĂŁo. Eu fiquei.
EntĂŁo preciso puxar o fĂŽlego. SĂł mais um bocado.
Porque ainda tenho esperança que vocĂȘ esteja lĂĄ do outro lado
Me esperando, com esse olhar carregado, essa boca maldita
Que transborda com suas mentiras bonitas
Ainda assim eu imploro pra que seja vocĂȘ.
E sĂł vocĂȘ. Me esperando no limbo pĂłs vida.
VocĂȘ. Minha tragĂ©dia preferida.
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