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𝚅𝚎𝚜𝚊𝚗𝚒𝚊

@Redds · desde 2026

𝚀𝚞𝚘𝚍 𝚖𝚎 𝚟𝚘𝚛𝚊𝚝, 𝚊𝚕𝚘.

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desconsidere

NĂŁo sei o que fizeram com vocĂȘ. Gostaria de achar formas de desfazer Mas nĂŁo consigo Pode acreditar. Eu tentei. Mas nĂŁo sei pra onde vocĂȘ foi Busquei de todo jeito te encontrar SĂł que nĂŁo te acho Nem sei onde me deixei da Ășltima vez Mas peço encarecidamente que me devolvam. Porque perdi uma peça vital de mim Ainda tenho as outras, claro, mas elas nĂŁo se encaixam Acho que de tanto ser meu algoz, quebrei alguma estrutura Sei lĂĄ, uma parte importante Eu me coloquei completamente abaixo Ofusquei tudo. Todo e qualquer brilho E agora estou aqui. Farta e quebrada. EntĂŁo se por acaso vocĂȘ me vir por aĂ­ Me devolva pra mim Preciso me encontrar.

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Eco

TĂŽ de pĂ© em um metrĂŽ JĂĄ estou aqui hĂĄ dias, ou meses Sei lĂĄ, nem me lembro SĂł tĂŽ esperando minha estação E as pessoas entram Depois elas saem Ele parte em frente đ˜Œđ˜Žđ˜”đ˜ąĂ§ĂŁđ˜° đ˜˜đ˜¶đ˜ąđ˜Žđ˜Š 𝘩𝘼 𝘊𝘱𝘮𝘱 SĂł que a casa nunca chega EntĂŁo todos vĂŁo e vem JĂĄ eu sempre continuo aqui Agarrada a mim mesma, que Ă© a Ășnica coisa que ainda me pertence Os assisto indo e vindo 𝘚𝘰𝘳𝘳đ˜Ș𝘱 𝘩 đ˜ˆđ˜€đ˜Šđ˜Żđ˜Š JĂĄ nĂŁo me tenho mais em mĂŁos Porque tĂŽ de pĂ© em um metrĂŽ E nĂłs jĂĄ estamos Quase em casa Estou aqui hĂĄ dias, ou meses NĂŁo me lembro.

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hoje nĂŁo tĂĄ bom

Eu gostaria de colocar em palavras algo que fosse bom Mas eu nĂŁo consigo Hoje eu nĂŁo vou conseguir Queria sufocar sem precisar sujar minhas mĂŁos Ou ser pega por acidente, sem precisar levar a culpa Mas nĂŁo posso EntĂŁo olho para as estrelas e exijo que me levem NĂŁo posso ficar aqui Se ninguĂ©m fica, entĂŁo por que caralhos eu preciso? Eu nĂŁo posso E por deus, isso nĂŁo Ă© um pedido de resgate NĂŁo sou do tipo que se salva, vocĂȘ sabe Se fosse pra fazer algum pedido Tentaria no mĂĄximo uma barganha Leve o que me resta e entregue a outra pessoa DĂȘ meus dias a alguĂ©m que pelo menos veja sentido Porque eu tĂŽ morrendo de novo E eu nĂŁo quero mais voltar, sabe? Acho que cĂȘ me entende. Hoje eu nĂŁo vejo Hoje eu nĂŁo consigo.

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autofagia

Pode ir Eu carrego meus restos NĂŁo tem problema Caso pese demais Eu me abandono um pouco por aĂ­ NĂŁo faz mal Nem me preciso tanto assim Vou me podando onde der Retalhando minha carcaça SĂł o suficiente pra caber aqui EntĂŁo Ă© sĂ©rio, pode ir Deus sabe que sou um problema desde que nasci E nĂŁo gosto que me resolvam por mim EntĂŁo me ignore, finge que nĂŁo viu Afinal, nĂŁo foi vocĂȘ que me destruiu.

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sorrateiro 📂

Um vento leve, brisa sorrateira Quase lhe sinto aqui, comigo Teu calor me envolvendo Teu corpo me preenchendo Sua risada contagiante Um olhar que jamais encontrarei em outra pessoa e nem quero. Tu Ă©s tu, tu Ă©s meu, mesmo sendo teu, ainda Ă© meu Meu amor, nosso calor, tu e eu TrĂĄgico feito Julieta e Romeu. 𝚊𝚛𝚚𝚞𝚒𝚟𝚘 đŸ¶đŸŸ | đŸžđŸ¶đŸ·đŸŸ

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um estalo ruim

Temo nĂŁo saber mais o caminho de volta. Mais que isso: Receio nĂŁo querer mais voltar Ă  superfĂ­cie Sem o ar enchendo meus pulmĂ”es, penso que talvez nem precise dele tanto assim. A ausĂȘncia nos adapta, mesmo em situaçÔes extremas. Certa vez, li algo assim em DostoiĂ©vski. SĂł nĂŁo esperava descobrir em mim tamanha aptidĂŁo. Sempre vivi para o caos. Mas hoje Ă© um dia estranho. Pensando bem, ultimamente tem sido uma vida estranha Nunca havia visto uma desordem tĂŁo tranquila. Tudo bem que existe paz no desespero. É contraditĂłrio, eu sei, mas posso explicar. Quando jĂĄ nĂŁo se espera nada, a vida perde a obrigação de melhorar. Essa Ă© a paz desesperada em que tenho vivido: um dia apĂłs o outro, me afogando de domingo a domingo.

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erre - R

Eu nĂŁo sei escrever coisas bonitas SĂł escrevo daquilo que destrĂłi Tudo que entorpece e me arruĂ­na Me contradigo em tudo que faço Depois coloco em palavras e dou nome de poesia NĂŁo sĂŁo as mais bem escritas JĂĄ disse e torno a dizer Eu nĂŁo sei escrever coisas bonitas Minhas palavras sĂŁo mais eu do que eu mesma E se nĂŁo as gosta, tens bom gosto Eu mesma nĂŁo saberia separar minhas palavras de meu rosto Minha face verbaliza tudo que trava no peito Meus dedos digitam tudo que transborda os lĂĄbios Isso nĂŁo Ă© uma poesia Tampouco Ă© um proseado Me desculpe se pareço confusa É que cĂȘ passou tanto tempo tĂŁo calado E sou sincera quando escrevo Mesmo sendo uma mentirosa do caralho Meus versos sangram enquanto eu falo É aqui que me digo e contradigo Posso ser o R e todo o abecedĂĄrio NĂŁo espere que eu cubra minhas feridas Eu nĂŁo tento escrever coisas bonitas

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Um rascunho perdido

Eu poderia ter morrido NĂŁo era minha intenção Mas nĂŁo me importei se acontecesse A sensação era parecida com viver num mundo sem vocĂȘ E tenho feito isso nos Ășltimos anos Procurado oxigĂȘnio em outros olhares Matado a sede em outros cheiros, ou pelo menos tentado. Finjo que vou te encontrar ao virar a prĂłxima esquina. Sei que Ă© tolice minha Mas a morte nĂŁo me assusta. Nem um pouco. Bem... ao menos nĂŁo enquanto sinto sua ausĂȘncia todo dia.

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Eu em prosa

TĂŽ perdida em algum lugar por aqui NĂŁo encontro as palavras que expliquem o que gostaria de dizer Na verdade nem sei se gostaria de dizer algo Estou experienciando pela quinquagĂ©sima vez, ou algo assim, o que dizia Virginia Woolf. Eu tive minhas palavras arrancadas. Sim, as arrancaram de mim. Provavelmente eu mesma as arranquei, o problema Ă© que nĂŁo sei bem onde as enfiei para poder dizĂȘ-las novamente Isso se Ă© que cheguei a dizĂȘ-las algum dia Essas formas, pequeninas e desengonçadas, nĂŁo encontram o caminho atĂ© a voz E cĂĄ entre nĂłs, o silĂȘncio Ă© palavra mais dita do que muita frase jĂĄ dita EntĂŁo, eu, como ladra de mim, me calo em silĂȘncio E eu, como vĂ­tima de mim, me aponto e protesto Protestos esses que soam mais como uns berros Berros mudos, pois fui assaltada, me levaram as palavras e todo o resto De fora e calada eu assisto a tudo SerĂĄ que Ă© mesmo tĂŁo absurdo? Estou ativamente louca, sozinha e muda. Sou a culpada e a inocente, e toda essa bagunça conjunta Posso ainda ser o juiz, a quem me entrego novamente E sendo eu quem faz meu julgamento Me declararei culpada Ainda que nĂŁo tenha culpa pelo meu silĂȘncio E visto que sou o juiz, o guarda e o detento, sou eu mesma que me roubo, me julgo e me prendo.

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Quase

TĂĄ acabando mais um dia Enfim posso puxar o fĂŽlego O tempo tem trabalhado a meu favor Me aproximando de vocĂȘ Todos os dias eu espero o fim de noite TĂŽ com um pouco de pressa Pressa pra te ver E as pessoas nĂŁo entendem Mas tambĂ©m, como entenderiam? Elas nunca foram vistas por vocĂȘ NĂŁo como eu fui Elas nunca te pertenceram NĂŁo como eu pertenci Jamais encararam seus olhos tĂŁo de perto Nem quase morreram sua morte como eu quase morri Esse Ă© o problema. Eu -quase- morri. Se tivesse morrido de fato talvez jĂĄ tivesse te encontrado Mas nĂŁo. Eu fiquei. EntĂŁo preciso puxar o fĂŽlego. SĂł mais um bocado. Porque ainda tenho esperança que vocĂȘ esteja lĂĄ do outro lado Me esperando, com esse olhar carregado, essa boca maldita Que transborda com suas mentiras bonitas Ainda assim eu imploro pra que seja vocĂȘ. E sĂł vocĂȘ. Me esperando no limbo pĂłs vida. VocĂȘ. Minha tragĂ©dia preferida.

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