se corona matasse só pobre
Como sorrir se já engoliram os dentes o ponto de ônibus nunca está vazio nem as calçadas, elas estão marcadas pelos passos de quem tem os pés suados de histórias que não são contadas os que ardem no sol e queimam no frio aqueles que viram estatísticas aqueles que os sonhos não são utopia mas um delírio, e eu ainda consigo pensar em ser feliz mas quando digo isso sinto que a frase soa surda para a maioria dos ouvidos talvez a minha utopia seja desconhecida para os corações que são mais surrados que o meu para os corpos calejados que realizam os sonhos dos reis que são lembrados injustamente heróis camuflados não exaltados escravos marcados, para que uma minoria use cabeças e corpos como degrau os que são oferenda e sacrifício nesse momento meu sorriso me dá indigestão, talvez nessa vida o prato mais servido é o do egoísmo em restaurantes cinco estrelas que são bancados pelo os que tem o céu com teto. Se o corona vírus matasse só pobre teria serenata em edifício ?
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