Areia Movediça
Estou me afundando em areia movediça, cada passo parece me prender mais. O horizonte se distancia dos meus olhos, e o peso dos dias já não me deixa descansar. Há momentos em que o peito se torna prisão, e o ar chega curto, apertado, distante. Carrego tempestades sob a pele, e sorrir tem sido um ato de resistência. Não queria habitar este instante, tão carregado de angústia e silêncio. Há noites em que me perco de mim mesma, como quem esqueceu o caminho de casa. Mas, entre os escombros da esperança, ainda encontro uma pequena luz. Uma fagulha teimosa, quase invisível, recusando-se a apagar. E é ela que me sustenta quando tudo parece ruir. É ela que sussurra ao meu coração cansado que nenhuma tempestade dura para sempre. Talvez eu não veja a saída agora, talvez meus olhos estejam cobertos de lágrimas. Mas existe algo dentro de mim que insiste: eu vou sobreviver a este capítulo. E quando meus pés tocarem terra firme, levarei comigo as marcas da travessia, não como feridas abertas, mas como prova de que venci. Priscila Trindade
Comentários · 0
Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.